Amor Platônico


Ele está parado há alguns metros, conversando animadamente sem notar que um par de olhos admira cada detalhe dele, desde os envergonhados sorrisos até os gestos que faz. E ele nem sabe que ela existe. Talvez já tenha tido alguns vislumbres da garota, mas o que ela é em um mar de garotas colegiais? Apenas mais uma gotícula salgada e talvez sem importância. Era o que ela pensava.
Mas na verdade, ela nem ao menos se importava, desde que pudesse ver aqueles olhos todas as manhãs, mesmo que eles nunca se voltassem para ela. Já pensara algumas vezes em tentar falar com ele, mas só de pensar já ficava vermelha e perdia a fala, tinha medo de ser descoberta dessa forma. Tinha medo de receber uma resposta negativa. Preferia viver da incerteza, apenas acreditando no seu âmago que algum dia ele a notaria.
Então ela se virou, pronta para ir embora, mais um dia se fora e o mesmo cotidiano acontecera. Mas enquanto seus ombros caídos sumiam pela rua, ele a observava, pensando que nunca ela iria gostar dele, quem era ele em um mar de garotos? O garoto apenas guardou para si aquele sentimento, pensando se algum dia algo poderia mudar aquele maldito cotidiano. Algum dia, sem data prévia, era isso que mais esperavam, deixar de serem aquelas gotículas salgadas e quem sabe, virar um turbilhão de bolhas, que explodem de felicidade e guardam um pouco do arco-íris dentro de si. O maldito amor.

Feito por mim :)

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