A Folha Amarela

O chão estava lotado delas, tão pequenas e vivazes, com suas cores amarelas chamativas como se fossem folhas de raios de Sol. Ela caminhou por elas, tomando cuidado para não pisá-las e acabar com todos aqueles sorrisos na grama. Isso era besteira, ela sabia, afinal eram apenas folhas caídas, mas elas pareciam ter tanta vida quanto à própria garota.

Ela pegou uma das folhas e colocou em sua mão, olhando atentamente para aquele matiz de cores amareladas. Pensou seriamente em guardá-la dentro de um livro, onde sua coleção geralmente ficava. Mas parecia ser tão triste vê-la apodrecer como as outras, perdendo toda aquela aura que ela tinha.
São apenas folhas, ela pensou novamente. Mas por que gostava tanto delas? Realmente não sabia. Algumas garotas colecionavam selos, outras canetas coloridas, outras simplesmente guardavam aqueles anéis de latinhas de refrigerante. O porquê? Não existia, era apenas uma mania boba e sem fundamento.
Então ela sabia que não poderia ficar com ela, não podia ficar com as outras folhas velhas, aquelas com as pontas já amarronzadas e sem vida. Era doloroso relembrar aquela situação em como seu livro estava: cheio de folhas mortas. Simplesmente levantou a mão com a folha amarela e deixou o vento a levá-la para longe.
Viu a folha brincar com o vento, girando docemente como uma bailarina em seu palco cheio de luzes. E de repente ela sumiu, como se tivesse sido levada para além das nuvens e quem sabe encontraria um paraíso cheio de folhas tão bonitas como ela. Na verdade isso era um mito. A folha iria cair novamente em algum lugar e virar adubo. E assim irá saciar a vida de outra árvore com outras tantas folhas.
Talvez simplesmente a vida fosse assim, cheias de páginas contendo folhas antigas e podres, cada uma contando um momento da vida, uma lembrança linda, mas que muitas vezes merece ser apagada. A garota sorriu, pensando que talvez desistir da folha, era o melhor a fazer. Recomeçar era o melhor a fazer.
Deu as costas as folhas amarelas e partiu sem saber para onde ir, sem perceber que ao longe alguém pegava a folha amarela e olhava para ela. Percebendo que estava tão longe para devolvê-la, sem poder alcançá-la, simplesmente se perdeu naquele outono para sempre, sem poder passar as outras estações ao lado dela. Ela havia jogado sua coleção de folhas velhas fora. E algo mais havia ido junto.

2 Comentários:

  1. Nossa, que liiiindo esse conto, meu deus D:
    começa com algo tão simples como uma folha amarelada, e acaba quase como uma reflexão de vida...
    Ficou muito bom, mesmo *-* adorei, parabens

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  2. Muito bom, Dasty! Seus contos são lindos e sempre muito reflexivos.
    Keep it up e nós conseguiremos chegar lá.*-*

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