O Crime do Padre Amaro

Tenho que dizer que estou completamente apaixonada por clássicos. Fiquei tanto tempo apenas lendo Chick-lit (literatura para garotas, ou livros mulherzinhas como é mais chamado) que me cansei, já que tudo parecia a mesma coisa, todas as histórias pareciam ser as mesmas, só mudava os personagens e a ambientação.

Então me aventurei a ler uma versão de 1974, de 488 páginas! O começo da história é bastante confuso, pensei que não conseguiria ler até o final ou simplesmente me cansaria, mas do mesmo jeito que aconteceu com Madame Bovary, fui surpreendida novamente com uma leitura diferente e viciante. Também, novamente, eu já sabia o final do livro já que minha professora de literatura adora uns spoilers.

A história do livro é bem polêmica, conta a história do Padre Amaro Vieira, que vai para a paróquia da cidade de Leiria, que é a típica cidade cheia de mulheres beatas e padres que são vistos como os melhores. Ele acaba se hospedando na casa de São-Joaneira e se apaixona por sua filha, Amélia, onde acaba tendo relações e a deixando grávida. O livro é uma crítica contra a igreja e você se depara com padres hipócritas e tão pecadores quantos nós.

Sim, eu amei esse livro. Mais uma vez, eu deveria ficar com raiva do Padre Amaro, porque ele era um mau caráter, que usava a religião muitas vezes para manipular as pessoas, mas aconteceu o contrário e ele virou um dos meus personagens favoritos. O livro espõe tanto a vida dele antes de ser padre, os sentimentos e angústias dele, que não consegui ficar realmente com raiva. Ele era apenas humano como todos nós e se apaixonou perdidamente por Amélia, da mesma forma que aconteceu com ela.

Tenho que dizer até que suspirei com os momentos dos dois e achei o final que Eça de Queirós criou tão cruel que eu quase cheguei a ponto de chorar. Mesmo assim, o livro foi incrível e amei conhecer personagens tão legais, sendo os meus favoritos Padre Amaro, Amélia e o Cônego (que eu achava super engraçado).

Eu acho que tudo que aconteceu no livro, não foi realmente culpa do Padre Amaro nem de Amélia, é apenas um fato da realidade. Amaro era padre, tinha que honrar o celibato, mesmo assim amou e se entregou aos prazeres da carne. Ele não podia simplesmente abandonar a igreja, ele não tinha tostão nenhum para viver com Amélia e seria mal visto o tempo todo. Por isso fez tudo por baixo dos panos, com medo de ser julgado pela socieade. Pena que Amélia sofreu tanto com isso, o que fez meu feminismo atacar algumas vezes. Até eu, no final do livro, senti saudades das cenas que se passavam na casa da São-Joaneira, dos quinos que eles jogavam, dos primeiros momentos que surgiu o amor...

Agora, estou louca para assistir o filme! Segundo as minhas pesquisas, acho que a melhor versão é a de 2002, que parece ser mais fiel ao livro. A de 2005 parece uma versão do Padre Amaro nos dias de hoje, então não gostei muito, mesmo assim, achei que ambas as versões acabam apelando um pouco já que o livro é bem sutil.

Segue o trailer abaixo:

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