Entrevista - William Nascimento

Finalmente o Spleen Juice está tendo a sua primeira entrevista! Como adorei muito O Véu e O Véu 2, decidi pedir uma entrevista ao escritor que aceitou :D Então vamos começar.

Sobre o Autor:

Carioca, nascido em 1988. Atualmente estuda História na Universidade Federal do Rio de Janeiro e Escreve livros de Ficção Fantástica. Entre seus trabalhos estão: - Saga "O Véu": Volumes 1 e 2, ambos publicados no blog e lançados para livre download. - "De Corpo e Alma": com lançamento marcado para o dia 25 de janeiro de 2011 pela editora Multifoco. - "O Salto": Obra em andamento.


1) Você sempre quis ser escritor ou só decidiu há pouco tempo?
Na verdade, decidi há pouco tempo. Apesar de sempre ter criado aventuras quando narrava RPG para meus amigos, estas sempre eram fabricadas com a ajuda dos jogadores, que iam atuando conforme a trama se desenrolava. Assim, nunca imaginei ser capaz de construir, sozinho, uma história completa. Contudo, quando fui motivado a escrever por uma amiga, cujo nome aparece na dedicatória de O Véu, senti uma verdadeira afeição pela coisa. E hoje não consigo parar.

2) Como surgiu a idéia de escrever O Véu?
A idéia de O Véu nasceu de uma aventura de RPG que nunca foi posta em prática, já que meus amigos e eu suspendemos o hábito de jogar. Mesmo com os anos se passando, ela nunca foi esquecida, sempre presente em sonhos e outros momentos em que eu me permitia pensar em nada. Ela basicamente não queria me abandonar até que finalmente pude purgá-la escrevendo O Véu.

3) Você ouve músicas enquanto escreve? Alguma te inspirou?
Sim. Eu mantenho uma pasta de músicas em meu computador preparada para quando começar a escrever. Eu não diria que uma música em específico me inspirou com O Véu, embora What Have You done e A Dangeours Mind, ambas da banda holandesa Within temptation, tenham se identificado muito bem com o enredo do livro na hora da escrita. Mas no geral, eu gostava de selecionar as músicas ideais para cada momento, preferindo ouvir baladas quando escrevia cenas de romance ou drama, e sons mais pesados para as horas de ação. Eu basicamente montei toda uma trilha sonora para um possível filme. (risos)

4) Os personagens que você criou são baseados em algumas pessoas conhecidas?
Não exatamente. Eu consigo sim observar características de alguns personagens em pessoas do meu convívio e até em mim mesmo, mas não me inspirei totalmente em uma pessoa para moldar determinado personagem. Eles são pura ficção, no geral.

5) Qual a sua personagem favorita de O Véu?
Puxa, essa pergunta me compromete. (risos) Pois é como pedir para um pai dizer qual dos seus filhos é o seu favorito. Mas deixando o drama de lado, acredito que posso dizer sem dúvidas, que a personagem que mais me impressionou foi Esmeralda. Apesar de ser uma coadjuvante na história, esta foi uma personagem que se desenvolveu basicamente sozinha. À medida que eu ia escrevendo, momentos de usá-la foram se mostrando oportunos, e de uma garota que deveria passar de forma apagada durante a trama, acabou se tornando uma das peças fundamentais para a construção de todo o enredo no volume 2.

6) Quais são seus escritores favoritos?
Meu estilo favorito sempre foi a fantasia, e por conta disso, as minhas grandes damas do gênero sempre foram Anne Rice e J. K. Rowling. Gosto delas pois ambas conseguem criar um mundo místico em torno de nossa realidade de forma tão competente que nos fazem questionar sobre a existência do maravilhoso. E outro escritor que mais recentemente me ajudou muito foi José Saramago. Apesar de ainda não estar nem aos pés dele, devo a este homem o fato de ser apresentado à riqueza da língua portuguesa.

7) Você disse que gosta muito de RPG, que jogos você mais gostava?
Eu adorava o estilo palhaço dos jogos de 3D&t, principalmente os situados no mundo de Tormenta, de Saladino. Contudo, sempre tive uma grande queda pelo Word Of Darkness, onde o jogo Vampiro a Máscara era o meu favorito.

8) Uma parte da história acontece em Três Corações, Minas Gerais. Você conhece o local?
Não tive a oportunidade ainda. Para ambientar O Véu eu queria escolher uma região que tivesse essa áurea mística. Um lugar aonde as crendices populares fossem ainda fortes e o folclore se fizesse presente. Sempre pensei em usar o Estado de Minas Gerais para isso, contudo, a região em específico ainda me era um mistério. Então, minha irmã viajou para esta cidade e após me contar sobre, me interessei. Pesquisei mais e quando vi, já havia escolhido o ambiente perfeito para Ana ser iniciada.

9) Já presenciou algum acontecimento sobrenatural?
Não sei exatamente. Quando crianças somos a todo o momento colocados diante de situações que não podemos explicar, e sempre preenchemos essas dúvidas com algo sobrenatural. Hoje, mais velho e também maduro não sei exatamente dizer se minhas experiências foram ou não fruto da imaginação. Para ser sincero, prefiro pensar que não.

10) Como Ana, acha que as pessoas precisam acreditar mais no que a ciência não pode explicar?
Essa é uma necessidade de qualquer ser humano. Mitos, folclore e superstições, todas essas construções imaginárias são formas que nós encontramos de dar respostas as indagações da vida, ao sentido de nossa existência e a maneira como nos relacionamos com o mundo. Da mesma forma, a religião e a ciência também cumprem esses papéis, e quando elas nos falham em dar respostas, acredito que seja um exercício saudável abrir a mente para outras possibilidades. Acho que isso nos torna mais humildes e também mais tolerantes, além de nos exercitar o que eu considero a maior capacidade humana: a imaginação.

11) Que dica você dá para escritores que estão começando agora?
Bem, sem dúvidas não existem bons escritores que não tenham sido antes bons leitores. Nesse sentido, ler é fundamental.
Mas, além disso, acredito que um dos maiores entraves para aqueles que querem se lançar nessa carreira seja vencer o medo de se expor. Escrever é também uma forma de se expressar, e isso nos torna vulneráveis ao que os outros pensam de nós. Conheço casos de pessoas que conseguem escrever belos contos, poemas, ensaios e romances e estes ficam sempre guardados em um canto do quarto, pois seus autores têm medo de apresentá-los. A internet hoje nos oferece uma ótima ferramenta de divulgação, pois não mais precisamos ser descobertos por uma grande editora ou então termos fortes contatos para conseguirmos expor nosso trabalho. Agora, tudo o que precisamos é ter coragem de nos abrir para o mundo.

Para quem quiser saber mais sobre o escritor e seus livros, basta entrar no seu blog oficial ou no seu Orkut. Agradeço pela entrevista e estou aguardando ansiosamente pelos próximos livros :D

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