O Santo Inquérito

Quando nasci, fui batizada no catolicismo e sempre estudei também em colégio católico, mas de fato, a religião pregada por ela nunca chamou muito minha atenção. Foi se passando os anos e cada vez me distanciei mais até decidir me tornar agnóstica, ou seja, não tenho religião, acredito em alguma força oculta que rege o mundo, mas não quero realmente saber o que é. Também não me interesso mais em saber o que há depois da morte, acho que devemos nos preocupar mais com a vida.
Mas, deixando meus pensamentos e crenças de lado, esse post, na verdade, é para falar sobre o livro O Santo Inquérito de Dias Gomes, que foi escrito em forma de teatro, apenas com falas, descrições de cenas, expressões dos personagens e alguns acontecimentos. A história é baseada em uma lenda ou uma história verdadeira – ninguém realmente sabe – de uma pobre jovem chamada Branca Dias, que acreditava que Deus estava em todas as pequenas coisas e sonhava em se casar com Augusto Coutinho, seu noivo. Sua história muda dramaticamente quando salva um padre que estava se afogando e ele decide, em troca, “salvá-la” – mas, na verdade, ele acaba se apaixonando por ela. Tudo que Branca acreditava começava a ser questionado e o Padre chega à conclusão de que ela estava sendo levada pelo Diabo – por ela ser descendente de judeus, por se banhar nua em uma sexta-feira e mais uma série de motivos absurdos. Então, da mesma forma que Joana D’arc foi para um inquérito, Branca também foi, e o fim dela foi algo bem próximo da heroína citada.
Sei que acabei falando spoiler, mas o livro é curto, na contracapa já conta o final e na introdução Dias Gomes conta um pouco da lenda em que ele baseou o livro, ou seja, não contei nada demais. Branca é uma personagem simples, realmente pode ser considerada pura e que vê Deus em tudo, no campo, no Sol, na natureza, mas que é descendente de novos-cristãos (antigos judeus) e nunca vai à igreja. Ela vive com seu pai Simão e com seu noivo Augusto e tem tudo para ter uma vida feliz até a chegada do padre.
Não tem como não ficar com raiva da igreja, ainda mais quando a história de fato, aconteceu – talvez não da forma sarcástica que o livro apresenta, mas houve algumas mulheres que morreram em uma época de Inquisição no Nordeste. Branca só morreu porque o Padre acreditava que era única forma de livrar a si mesmo da tentação. A história é realmente triste, principalmente ao ver que um livro pode estar falando a verdade e não é só sobre religião. Às vezes, nós, humanos, temos certa tendência a fazer “justiça” de forma errada e com violência, aniquilando inocentes como Branca, que não tem culpa de nada. Vemos o tempo todo na televisão diversas mortes que poderiam ser evitadas se as pessoas tivessem mais compaixão ou simplesmente entendessem que matar nunca vai levar em nada.
Como diz na contracapa do livro “O Santo Inquérito focaliza, fundamentalmente, o direito que o ser humano tem às suas ideias e à liberdade de expressá-las e vivê-las”. O caso de Branca aconteceu faz tempo, e porque, atualmente, muita coisa não mudou?

3 Comentários:

  1. Parece ser bem interessante, ainda não tinha ouvido falar.
    Obrigada pelo comentário

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  2. Bacana, gostei da sua resenha. Mas creio que não leria não, não é muito minha cara :S UAHSUASHUA

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing

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  3. Também sou agnóstica, do tipo apática ^.^
    Nunca havia ouvido falar deste livro, a história é bem interessante, mas neste caso, eu prefiro pegar emprestado com alguém ou em alguma biblioteca. :P

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