Uma longa história. Quem sabe uma grande história.

Recentemente descobri uma antiga paixão que parece totalmente nova. Não estou falando de uma pessoa, estou falando de uma ação ou um hobby e é com essa que vos digo que é nada menos e nada mais que... teatro. Desde pequena eu amava quando uma professora apresentava a proposta de fazermos um teatro bobinho sobre algum livro ou qualquer coisa do tipo. Lembro que eu sempre era uma das principais, não porque tinha talento, mas porque conseguia decorar facilmente e rapidamente muitas falas. E tenho que concordar que gostava muito e que não tinha a mínima vergonha. Teve até uma vez que precisava chorar e como eu era incapacitada, decidi passar Vic embaixo dos meus olhos para arder e soltar lágrimas. O problema é que mesmo assim eu não conseguia chorar, o que me fez colocar Vic diretamente no meu olho, que ardeu em instantes e não parei mais de soltar lágrimas haha (depois perde a visão e não sabe porque).
O problema é que depois dos 13 anos, não houve mais nada de teatro e eu até me esqueci de que gostava tanto disso. Também foi a época que comecei a escrever e me dedicar a ser escritora, o que me fez largar muitas outras coisas que eu gostava também como desenhar. Outra coisa que mudou foi que cada vez mais eu ficava introvertida, aquela garota que fazia amizade facilmente com qualquer pessoa hoje foge de diálogos com estranhos.
Na minha escola, todo ano o Terceiro Ano do Ensino Médio precisa criar um teatro e trabalhar o ano inteiro nele para apresentar por volta de Outubro. Eu já tinha a ideia perfeita para o teatro, já tinha todo o roteiro em minha cabeça e queria realmente escrever a peça e não queria atuar, pois meu sonho é ser escritora, não é mesmo? O problema é que minha ideia perdeu na votação e isso acabou um bocado comigo. Eu não tinha mais vontade nenhuma de escrever o roteiro, mesmo assim, queria poder tentar mesmo sem ter inspiração nenhuma. E novamente outra pessoa foi escolhida para trabalhar no roteiro (o que agora eu achei uma ideia perfeita, já que é bem trabalhoso e me faltaria tempo para me dedicar a isso).
O que me restava agora? Atuar. Então me candidatei para alguns dos papéis principais e... nada. Não ganhei novamente na votação (olha que pessoa popular). Por consideração do professor, ele me deu um papel pequeno de duas falas e eu dançava em uma das cenas. Mesmo assim, eu me sentia um bocado infeliz, ia nas aulas de teatro, mas passava a maior parte do tempo só assistindo tudo e não fazendo absolutamente nada. Decidi colocar a culpa na peça, alegando que não era boa, que era melhor eu me dedicar a escola, a etec e ao curso do que em um teatro bobo que não daria certo. O sonho que eu tinha de um teatro perfeito, tinha sumido. Tudo que eu havia planejado, não dera nada certo e não me via em nenhum daqueles papéis e em nada daquela história.
Foi quando minhas amigas comentaram comigo que achavam o papel principal a minha cara. É claro que eu tive que rir, a personagem não tinha NADA a ver comigo. Mas aquilo ficou martelando na minha cabeça, afinal não era eu que escrevia personagens de livros e fanfics que eram totalmente o contrário de mim? Não era eu que era fã de garotas problema? Só que já tinha uma pessoa fazendo o personagem principal, o que significava que não adiantava nada eu tentar.
Até que aconteceu uma coisa que até hoje não acredito que aconteceu, é algo meio contra as leis que regem o meu mundo, já que geralmente TUDO acontece o contrário do que imagino e planejo. A garota que fazia a personagem faltou no ensaio e precisavam de alguém para substituí-la só naquelas cenas. Minhas amigas começaram a insistir para que eu tentasse e eu fiquei morrendo de medo, medo de não conseguir, medo de ser zoada, medo das pessoas falarem "O que diabos ela está fazendo ali? Saia daí e deixe outra pessoa melhor substituir a principal!". E aposto que muitas pessoas pensaram isso quando me viram no palco, dizendo que eu iria substituir a garota que faltara.
Eu não tinha as falas decoradas, mas sabia como fazer a maioria das cenas já que eu só assistia e não fazia quase nada. Por isso, me deram o roteiro e lá fui eu. As palavras estavam diante de mim e eu sempre soube o que fazer com elas, sempre amei as palavras mais do que qualquer coisa. Elas estavam escritas, eu só precisava dar vida a elas, só precisava trazê-las para a realidade. Na primeira fala que li e atuei, recebi uma salma de aplausos que nunca pensei que receberia na minha vida. Todos ficaram boquiabertos, afinal eu não sou a menina quietinha, nerd e introvertida?
A vergonha sumira. O medo sumira. Não existia mais nada naquele palco além de mim mesma, ou melhor, da pesonagem que era eu. Eu não era mais Danielly Stefanie ou a Dasty-Sama da Internet, eu era a pesonagem e sabia que ela não tinha medo e nem vergonha naquele palco, ela apenas fluía.
Aquele difícil começo sumira e eu continuei atuando facilmente durante o resto do ensaio, mostrando uma "eu" que eu desconhecia, que eu não sabia que existia. Talvez todas as emoções que eu engolira durante anos de repente vazassem para todos os lados preenchendo a personagem e as emoções dela. A minha hipocrisia também havia morrido. Consegui perceber que a peça não era ruim, eu que estava chateada por não ter nada para fazer. E foi naquele instante que eu percebi que mesmo se eu continuasse com meu pequeno papel, eu me sentiria a pessoa mais feliz por estar em um palco.
A verdade é que a garota que fazia a principal não estava se dedicando muito, não atuava direito e muitas pessoas estavam insatisfeitas com isso. No fundo, eu ansiava por conseguir o papel, eu ansiava em sentir aquela euforia novamente, de libertar tudo que eu havia guardado e me sentir tão leve quando uma pena. Não era mais teatro para mim, era uma espécie de catarse não só mental, como física e até espiritual. Ou talvez, eu esteja apenas exagerando. A única coisa que não é exagero é que aquele dia ainda me faz sorrir e me preencher de uma felicidade tão grande!
Então, foi ontem que aconteceu outro episódio que me fez sentir impressionada comigo mesmo. O nosso teatro é um musical, a e única diferença entre um ator de novela e um ator de musical é que você tem que passar emoção quando cantar, mostrar do que a música se trata através das emoções. Como praticamente ninguém sabe cantar, nós vamos dublar (ninguém aguentaria minha voz de taquara rachada) músicas em inglês, o que exige um pouco mais de nós, afinal a maioria das pessoas não vai entender a letra e só vai enteder do que se trata através de nós.
A garota que faz a personagem principal não estava conseguindo fazer a cena que, em minha opinião, é uma das que mais exigia emoção. Foi quando um garoto da minha sala falou: "Professor, porque você não deixa a Danielly fazer?". Então, eu congelei. Eu não esperava que me chamassem logo nessa cena. "Você viu o vídeo que eu coloquei no Facebook?", o professor perguntou para mim, já que muitas das nossas danças são baseadas em vídeos, pois não temos dinheiro para ficar contratando coreógrafos. Eu não tinha assistido, mas eu havia uma carta na manga muito maior que qualquer vídeo do Youtube poderia me proporcionar. Tenho a mania de quando ouvir uma música animada, de criar uma coreografia para ela em minha cabeça. Isso também vale para vídeo clipe.
Claro que não sou coreógrafa e dançar nunca foi meu forte, pareço mais uma desembestada. Mesmo assim, eu menti, falei que vi o vídeo, se não, ele não me deixaria tentar. O professor me mandou mostrar e fui tremendo dos pés a cabeça, não fazendo ideia do que poderia fazer, do que sairia. Pensei até que iria fazer merda, que ninguém mais me acharia boa o suficiente para o papel.
Não havia música. Havia apenas o professor cantando e a letra e o ritmo que eu decorara. Novamente, deixei de lado meu medo, minha vergonha e a única coisa que ficou foi a adrenalina e os tremores em minhas pernas que não parariam por nada nesse mundo. E dancei. Fiz o que havia imaginado em minha cabeça, o que eu me lembrara de fazer e o que eu poderia fazer para mostrar do que a música se tratava. Não sabia se estava fazendo papel de idiota, mas continuei, afinal eu não via minha sala me olhando, eu não via nada, não me lembro de ter visto o rosto de ninguém.
Quando terminei, totalmente ofegante e ainda tremendo, ouvi o professor falando para a garota "É assim que você tem que fazer, foi muito bom!". Por um momento, pensei que fosse apenas consideração, então voltei para o meu lugar e abaixei a cabeça tentando processar tudo que havia acontecido, o nervosismo voltara. Mas logo fui bombardeada por minhas amigas falando que eu fora ótima, incrível! E minha vontade era de chorar, por ter conseguido, por ter ido bem e por terem gostado. Era a mesma sensação de quando eu recebia comentários lindos das pessoas que liam o que eu escrevia. Era uma satisfação enorme.
Eu ainda não consegui o papel. Não sei se vai acontecer, mas acho que pode estar perto, ou apenas eu esteja sendo um bocado sonhadora. O que eu quis dizer com esse texto gigante que provavelmente ninguém vai ler é que você é capaz. Você é capaz de fazer o que quiser. Eu sempre fui assim, sonhando que podia fazer qualquer coisa, mas quando chegava a hora, eu fraquejava, achando que não conseguiria. Eu tenho medo de tentar e aposto que várias pessoas também. Antes do teatro, eu achava que o problema era ele, mas era eu. Eu que me achava incapaz e até egoísta.
E sabe qual o melhor de tudo? Antes ninguém iria me querer no papel caso eu me candidatasse. Hoje a maioria me apóia. Não espere por apoio de ninguém, consiga o apoio, faça o seu melhor sem esperar que as pessoas fiquem do seu lado. Primeiro você tem que confiar em si mesmo para depois os outros confiarem em você.
Talvez, há alguns meses, eu acharia esse texto a maior babaquice do mundo. Hoje, eu penso que não só milagres acontecem, como nós mesmos podemos fazer um milagre. Nós nascemos com uma estrela dentro de nós, mas só poucos conseguem fazê-la brilhar. Faça sua estrela brilhar. E se nada der certo, saiba que uma hora vai dar e de um jeito muito bom que você nem imaginava.

PS: Desculpe pelo texto grande, acho que foi mais um desabafo.
PS2: Espero sinceramente que eu não vire escritora de auto-ajuda, acho esses livros os mais bobocas do mundo.

6 Comentários:

  1. UAU! E como assim "esse texto gigante que provavelmente ninguém vai ler"? Eu li tudo sem pular nadinha, porque quando o texto me impressiona eu leio tudo! Quero saber do que se trata a peça, quando ela estrear em outubro posta imagens e comenta como foi, fiquei curiosa!
    Eu fugia do teatro na escola, sou muito tímida e meus colegas sempre queriam me colocar sob os holofotes, mas eu dava um jeito de trabalhar nos bastidores e gostava muito. Na 4ª série dirigi uma quando minha professora ficou doente e mudei a peça que ela escreveu (não lembro sobre o que era, só que era romântica e fez muito sucesso!).
    Tchau.

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  2. Eu li o texto inteiro e cara, fico feliz por você ter conseguido se superar, sério mesmo.
    Eu fiz aula de teatro quando estava na quarta série e sempre tive vontade de voltar.

    De qualquer forma, eu ainda tenho vontade de fazer muitas outras coisas. Eu também sou tímida por um motivo que aconteceu na sexta série, uma outra história. A questão é que nunca consegui manter uma amizade longa por causa disso, então quase sempre estive sozinha. Parece meio depressivo, né? Hahah, não é. Foi, um dia, mas eu sempre me virei assim, e o mais importante é que aprendi que certas coisas eu tenho que correr atrás e fazer por mim mesma, não esperar que as pessoas dediquem por mim. Acabei desabafando também, desculpa. Tenho mania de dizer mais que o necessário.
    Beijos.

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  3. Então, eu ainda não posso falar do que se trata. Nós estamos tentando manter segredo apesar de praticamente a escola inteira já saber. Como pode ver, não somos muito bons em manter a boca fechada. Mas quando chegar a época, vou postar sobre ela sim :D
    Bianca, tudo bem pelo desabafo, sério. Acabo fazendo a mesma coisa no comentário de outros blogs que gosto HASUHAUHUASHUAS

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  4. Já assistir algumas peças de teatro (exclusivo de uma amiga), já atuei em algumas na escola. Nada tão grande e especial assim, mas era divertido.
    Acho que hoje em dia eu prefiro ficar nos bastidores ao invés de atual, pois sou tímida, desajeitada e por ai vai hihi.
    Hm também ao ouvir uma música fico imaginando como poderia ser o clipe, cada cena, cada detalhe. Isso acontece também quando leio.
    Beijos.

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  5. Caraaaaaaaamba, amei o texto cara *-*. Pra ser sincera eu não ia ler, mas quando vi a palavra teatro...teatro é simplesemnte a minha vida sabe? Eu fiquei super envolvida com ahistória sabe *-*. você tem sorte muita sorte, sempre quis atuar em um musical ainda mais com músicas em inglês, mas a minha escola é um lixo e não rola essas coisas. Caramba esse texto me deixou inspirada. E você conseguiu o papel? ( já teve apresentação? já estamos em novembro.) Parabéns pela sua coragem, e pelo texto. e de um jeito ou de outro, obrigada, por ter me deixado confiante ( eu tava precisando ler uma coisa dessas hoje).

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