Elfen Lied

Lembro que quando Elfen Lied havia estreado, eu devia ter por volta de uns treze anos. Mal os primeiros episódios saíram e vários comentários ótimos sobre o anime saíram em diversos sites, fóruns e blogs. Eu tinha imensa vontade de assistir, mas o anime era classificado como violento e hentai (pornográfico), então acabei desistindo. Então, como agora eu cresci (não muito, particularmente) decidi que era hora de eu assisti-lo.
A história é sobre os Diclonius, uma espécie de evolução da humanidade, são humanos que possuem pequenos chifres, cabelos e olhos que variam do vermelho para o rosa, capacidade de localizar indivíduos da mesma espécie e possuem vetores. Vetor é uma espécie de poder parecido com a telecinese, no qual eles possuem braços invisíveis e mortais atrás de suas costas. Por causa da sua diferença, eles sofrem preconceito dos humanos e acabam tendo um ódio enorme pela humanidade, matando quem estiver a sua frente.
Existe uma organização que captura os Diclonius para experiências científicas e o enredo de fato começa quando Lucy tenta fugir da organização onde está encarcerada desde pequena. Durante o processo, ela recebe um tiro em seu capacete fazendo-a cair no mar, desmaiada. Kouta e sua prima Yuka acabam descobrindo-a na praia e percebem que ela perdeu toda a memória e a única coisa que é capaz de dizer é Nyuu (que acaba virando seu nome).

A primeira coisa que tenho que dizer é que de fato o anime é bem violento. Deve ser o anime mais violento que já assisti, com direito a tripas, membros e sangue voando para todos os lados. No quesito hentai, eu esperava mais e nem era tão pornográfico assim, graças aos céus. A única coisa mais pervertida que aparece é que todo episódio tem alguma mulher nua, mas de um jeito mais “puro”.
A história é extremamente triste e chocante. Fala principalmente da humanidade e deixa a questão: “Afinal quem são os monstros de verdade: os humanos ou os Diclonius?”. Você nunca sabe para quem torcer de verdade, uma hora você deseja que tal Diclonius morra, outra hora que tal humano morra, porque ambos são bons e maus ao meus tempo.


Lucy, por mais que tenha perdido sua memória, várias vezes durante a história ela a recobra. Na verdade, ela tem dupla personalidade, a Nyuu que é meiga e gentil, e a Lucy, que é violenta e sanguinária. Ao longo dos episódios você vai descobrindo todo o passado dela e vendo que ela não tem muita culpa por ser tão cruel.
Outra Diclonius que eu amei é a Nana. Ela é bem jovem e desde pequena está na organização. Ao contrário das outras, ela é pacífica e gentil e só usa seu poder para a própria proteção ou para proteger pessoas que ama. O principal motivo dela ser assim é porque um dos cientistas que cuida dela finge ser seu pai, o que dá força a ela para sobreviver e ser uma pessoa melhor.
Quanto a Kouta, que cuida de Nyuu, ele tem um passado misterioso. Ele perdeu a irmã e o pai, ora ele diz que ela ficou doente ora que o pai morreu em um acidente de carro, mas você vai percebendo que não é a verdade. Apesar disso, ele é um rapaz gentil e disposto a ajudar qualquer pessoa. Sua prima, Yuka, é completamente apaixonada por ele. Há também outros personagens incríveis como Mayu, Mariko, o Doutor Kurama.
Acho que valeu a pena esperar tanto tempo para finalmente assistir esse anime e ele se tornou um dos melhores que eu já vi. Entendo completamente o porquê do seu grande sucesso. Ele só tem 13 episódios, o que é ótimo já que odeio animes com muitas temporadas e falam que é bom ler o mangá também por ser mais completo. Quem gosta de um bom drama violento, vai se apaixonar também pela história.

O Oportunista

A primeira impressão que tive de O Oportunista é que me lembrou O Apanhador no Campo de Centeio. Mas não tenho tanta certeza se Holden Caulfield faria as mesmas coisas que Hilary Fletcher caso crescesse, já que O Apanhador no Campo de Centeio só conta sobre a adolescência de Holden, enquanto O Oportunista conta a vida inteira de Hilary.
A história (como já disse acima) é sobre Hilary Fletcher, que é um garoto, apesar do nome feminino. Ele é filho de um pároco (igrejas anglicanas aceitam padres casados e que tenham filhos) e mora em uma cidadezinha da Inglaterra chamada Lasterby. Foi na festa de aniversário da filha de um proprietário de terra rico (os Metheral) que ele fez amizade com Harriet e Mark. Hilary passou a infância e a adolescência brincando no mundo lindo e suntuoso dos Metheral, mas depois tendo que voltar para o seu mundo, que é simples e modesto. Foi das piores formas possíveis que ele foi descobrindo que nunca poderia ser um Metheral e nunca seria aceito por eles, o que fez nascer um enorme ódio no seu ser. Hilary foi crescendo, entrou em Cambridge, abandonou a faculdade e entrou no mundo do crime. Fez diversas coisas ruins até finalmente encontrar um objetivo: acabar com os Metheral.
Acho que não dá para explicar toda a história e fiz a melhor sinopse que pude sem conter muitos spoilers. No começo, eu gostava um bocado do Hilary (por me lembrar do Holden) e tenho que dizer que várias vezes me identifiquei com coisas que ele dizia. O problema é que não gostei do rumo que ele tornou para sua vida, já que antes eu achava-o um homem de caráter e ele mostrou-se totalmente o oposto.
Mesmo assim, talvez a história não tomasse um rumo tão interessante quanto tomou e fiquei realmente satisfeita com o final. E é com essa que digo que simplesmente amei o livro! Adorei Hilary, adorei a narrativa de Piers Paul Read (o escritor) e simplesmente adorei Martha (uma das personagens que só ganham importância mais para o final). Por mais que Hilary tivesse feito coisas ruins, você não consegue odiá-lo, você acaba aceitando suas justificativas já que acaba conhecendo-o desde sua infância e sabe de seus traumas e frustrações. É como se, de fato, você tivesse convivido com ele e soubesse de toda sua dor.
A narração é em primeira pessoa e muito gostosa de ser ler, em nenhum momento senti-me com tédio. A história só é bastante longa, parecia que quanto mais eu lia, mais longe eu ficava do final. O que me fazia ler mais ainda para descobrir o desfecho. Fiquei realmente interessada em ler mais livros do Piers Paul Read e ver se ele conseguiu escrever algo tão incrível como conseguiu em O Oportunista.

I come back!

Depois de praticamente uma semana e meia longe do blog, estou de volta. Eu tinha prometido um bocado de resenhas, mas a verdade é que não deu para ler muito já que passei a maior parte do tempo na casa dos meus primos. Sim, pela primeira vez na vida dormi longe o suficiente dos meus pais (o que não é grande coisa, levando em consideração que eu estava na cidade vizinha e que de uma para a outra deve levar uns vinte minutos). De qualquer forma, foi um grande passo para mim porque sempre sonhei em fazer intercâmbio e tenho que dizer que só de pensar em ir para a cidade vizinha sozinha, quase tive um treco. O ruim é abandonar os pais, mas quando você chega lá e se distrai, não é mais tão terrível.
As minhas férias se resumem, basicamente em sair com os primos, tomar sorvete, comer pizza, comer outras besteiras, ler, escrever e assistir filmes. Nada realmente emocionante, mas são coisas que gosto de fazer, principalmente nas férias (que estão acabando, infelizmente). Também, infelizmente, pela falta de tempo, não deu para eu tirar muitas fotos ): e eu gosto de tirar fotos no interior por causa da luz natural que deixa tudo muito mais bonito. Mesmo assim, deu para tirar algumas :D Em baixo, segue um outfit.


Camisa Xadrez Walk Away Confecções
Camiseta (não lembro onde comprei, mas possivelmente foi em uma loja indiana)
Calça Jeans Union Bay
Sapatilha Boaonda



Resenhas e outros posts, em breve! :D

Três por cento

3% é uma série brasileira de ficção científica, que conta a história de um mundo dividido em duas partes, o Lado de Lá (o lado bom, dos ricos, onde você tem tudo que quer) e o Lado de Cá (o lado ruim, dos pobres, dos que sofrem dificuldades). Quando você completa 20 anos, as pessoas do Lado de Cá podem se inscrever em um processo seletivo para passarem para o Lado de Lá, o problema é que apenas 3% dessas pessoas são aprovadas.
Sério, quando eu comecei a assistir a série eu NUNCA ia pensar que fosse brasileira! Pensei que fosse uma série internacional e estava sendo dublada porque se tornou famosa. Eu achei os efeitos e a história realmente bons e até os atores atuam tão bem que não se comparam a aquela "falsidade" das novelas. Por enquanto, só há um piloto de 27 minutos (dividido em três partes) e só irá ter mais episódios quando alguma emissora brasileira decidir contratá-los (o que pode nunca acontecer D:)
Aqui estão os vídeos do primeiro episódio:







E aí? O que vocês acharam? Eu simplesmente adorei!

Férias!

Finalmente vou viajar! Já estava demorando e já estava ficando angustiada aqui em casa. Como vou para um lugar onde irei ficar afastada da internet, não vou poder postar. Mas não se preocupem, porque depois do dia 25, por aí, estarei de volta com várias resenhas e ideias para posts. Boas férias para vocês e até lá :D

Garotas que leem

Eu estava vagueando pelo Tumblr quando de repente me deparei com um dos textos mais lindos que já vi! Como o texto estava em inglês, pensei em traduzi-lo, mas acabei achando-o em português. O texto se chama Namore uma Garota que Lê (de Rosemary Urquico), mas antes de postá-lo aqui, queria explicar que esse texto na verdade é uma resposta a outro chamado Namore uma Garota que não lê (de Charles Warnke), que eu precisei traduzir já que não achei a tradução (por isso vai estar meia-boca). Leia os dois e veja que maravilha!
Namore uma Garota que não lê

Saia com uma garota que não lê. Encontre-a cansada no meio de um miserável bar do Centro-Oeste. Encontre-a no meio do fumo, do suor de bêbados e das luzes multicoloridas de uma discoteca de luxo. Onde quer que a encontre, descubra-a sorrindo e assegure-se de que esse sorriso permaneça enquanto as pessoas que estão falando com ela, desviem o olhar. Cative-a com trivialidades pouco sentimentais, use as típicas frases de conquista e ria interiormente. Leve-a para fora quando os bares e as discotecas tenham dado por concluída a noitada; ignore o peso da fadiga. Beije-a embaixo da chuva e deixe que a tênue luz de um poste da rua os ilumine, assim como você havia visto que acontece nos filmes. Faça um comentário sobre o pouco significativo que isso teve. Leve-a seu apartamento e faça logo amor. Faça sexo.
Deixe que o ansioso contrato que você inconsciente havia escrito evolua de uma forma lenta e desconfortável em relacionamento. Encontre interesses e gostos em comum, como sushi e música folk. Construa um muro impenetrável ao redor deles. Faça de um espaço comum um espaço sagrado e regresse a ele cada vez que o ar se torne pesado ou as noites longas. Fale-a de coisas sem importância. Pense pouco. Deixe o mês passar despercebido. Peça-a para se mudar e vir morar com você. Deixe-a decorar. Brigue por coisas insignificantes, por exemplo, sobre a cortina do banheiro que deve permanecer fechada para que não fique cheia daquele maldito mofo. Deixe que passe um ano sem que perceba. Comece a perceber.
Conclua que provavelmente você deveria se casar porque você vai ter desperdiçado muito tempo da sua vida. Convide-a para jantar no quadragésimo quinto andar de um restaurante muito além dos seus meios. Tenha certeza de que a vista da cidade seja bonita. Timidamente, peça para o garçom trazer uma taça de champanhe com um modesto anel nele. Quando ela perceber, proponha a ela com toda a sinceridade e entusiasmo que você tem. Não se preocupe se você sentir que seu coração está a ponto de atravessar seu peito e se não sente nada, tão pouco dê importância. Se houver aplausos, deixe que terminem. Se ela chorar, sorria como se nunca estivesse estado tão feliz, e se não conseguir sentir isso, sorria da mesma maneira.
Deixe os anos passarem sem que perceba. Consiga uma carreira, não um emprego. Compre uma casa. Tenha dois filhos bonitos. Tente criá-los bem. Falhe, frequentemente. Caia em uma entediante indiferença e logo em uma tristeza dessa mesma natureza. Tenha uma crise de meia-idade. Envelheça. Admire a sua falta de realização. Às vezes, sinta-se contente, mas principalmente vago e etéreo. Sinta-se durante as caminhadas como se você nunca pudesse retornar ou que o vento pode levá-lo consigo. Contraia uma doença terminal. Morra, mas só depois de ter se dado conta de que a garota que não lê jamais fez seu coração vibrar com uma paixão que tivera significado, que ninguém vai escrever a história de suas vidas, e que ela vai morrer também, arrependida que nada proveio da sua capacidade de amar.
Faça todas essas coisas, maldita seja, porque nada é pior do que uma garota que lê. Faça, eu digo, porque uma vida no purgatório é melhor do que uma vida no inferno. Faça, porque a garota que lê possui o vocabulário que pode descrever esse descontentamento de uma vida insatisfeita, um vocabulário que analisa a beleza inata do mundo e a converte em uma necessidade alcançável em vez de uma maravilha alienada. Uma garota que lê faz alarde de um vocabulário que pode identificar a capciosa e desalmada retórica de quem não pode amá-la e a inarticulada causada pelo desespero de quem a ama muito. Um vocabulário, maldito seja, que faz de mim um enganador vazio, um truque barato.
Faça, porque a garota que lê, entende sintaxe. A literatura tem a ensinado que os momentos de ternura chega em intervalos esporádicos, mas reconhecíveis. Uma garota que lê sabe que a vida não é planar, ela sabe e exige, que o fluxo da vida venha em uma corrente de decepção. Uma garota que leu sobre as regras de sintaxe, conhece as pausas irregulares – a vacilação e a respiração – que acompanha a mentira. Sabe qual é a diferença entre um episódio de raiva isolado e os hábitos de alguém que se agarra com força a alguém cujo amargo cinismo continuará, sem razão e sem propósito, depois que ela tenha empacotado suas coisas e pronunciado um inseguro adeus. E ela decidiu que eu sou uma elipse e não uma etapa, e, por isso, segue seu caminho. A sintaxe a permitiu que conhecesse o ritmo e a cadência de uma vida bem vivida.
Namore uma garota que não lê, porque uma garota que lê sabe a importância de uma trama. Ela pode traçar as demarcações de um prólogo e os cumes afiados de um clímax. Ela sente em sua pele. Uma garota que lê será paciente caso haja pausas e tentará acelerar o desfecho. Mas de todas as coisas, a garota que lê conhece o inevitável significado de um final. E sente-se cômoda com ele. Ela tem se despedido de milhares de heróis com apenas uma pontada de tristeza.
Não namore uma garota que lê porque garotas que leem são contadoras de história. Você com Joyce, você com o Nabokov, você com Woolf. Você na biblioteca, na plataforma de metrô, você em um café de esquina, você na janela do quarto. Você, que tem feito minha vida tão difícil. A garota que lê tornou-se uma espectadora de sua vida e cheia de significado. Ela insiste que suas narrativas são ricas, ela apóia seu elenco colorido e sua tipologia. Você, a garota que lê, faz-me querer ser tudo que eu não sou. Mas eu sou fraco e vou deixá-la, porque você tem sonhado, propriamente, com alguém que é melhor do que eu. Você não vai aceitar a vida que eu disse no início deste texto. Você vai aceitar nada menos que paixão, e perfeição, e uma vida digna de ser narrada. Por isso, vou deixá-la, garota que lê. Pegue o próximo trem que a levará para o Sul e leve consigo um Hemingway. Eu te odeio. Eu realmente, realmente, realmente te odeio.

Namore uma Garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você saberá que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexto, Pound, Cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Ano Hi Mita Hana no Namae o Bokutachi wa Mada Shiranai

Lembra-se que eu falei que o anime com o maior nome que eu tinha assistido era Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii wake ga nai? Pois consegui superar o meu recorde e assisti o anime, que decididamente deve ter o maior nome: Ano hi Mita Hana no Namae o Bokutachi wa Mada Shiranai (que significa Nós continuamos não sabendo o nome da flor que vimos naquele dia). O anime tem apenas 11 episódios e foi o anime mais lindo que já vi na minha vida, a história é simplesmente fantástica e me arrancou lágrimas.

O primeiro episódio do anime começa bastante confuso, eu tinha lido sua sinopse faz séculos e me lembrava vagamente da história e só aos pouquinhos fui entendendo o que estava de fato acontecendo. A história é sobre um grupo de seis amigos que se conhecem desde a infância e viviam juntos o tempo todo, até que acontece um acidente e um deles morre. Todos, sofrendo com a tristeza e se sentindo culpados pelo o que aconteceu acabam se afastando e crescendo sem falar uns com os outros.

O principal da história é Yadomi Jinta (o de cabelo preto e blusa vermelha da imagem acima), ele carrega a culpa de nunca ter pedido desculpas a Honma Meiko (a garota de cabelo branco) por ter dito que não a amava e após sua morte, afastou-se de todos, de garoto extrovertido virou triste e solitário. Tudo muda quando ele começa ver Meiko e pensa que pode ser uma ilusão por causa do seu sofrimento, mas aos poucos vai percebendo que de fato está vendo o fantasma dela. Meiko diz que voltou para realizar um desejo que não realizara porque morrera, mas não se lembra qual é e precisa da ajuda de todos seus amigos.
Então, Jinta começa a tentar unir todos e descobrir uma forma de ajudar Meiko a ir para o Céu enquanto tenta lidar com o sofrimento de perdê-la novamente.

E é claro que vai ser difícil fazer todos acreditarem que Meiko está de volta e que precisa de ajuda já que cada amigo foi para um lado e esconde ódio do outro.
Anjou Naruko (a de cabelo ruivo) por ser muito influenciada, virou amiga de outras meninas e vive usando roupas curtas e saindo por aí com garotos. Mesmo assim, ela ainda esconde um grande amor por Jinta que nunca foi correspondido, mesmo depois da morte da Meiko.
Matsuyuki Atsumu (o de cabelo bege com uniforme) é bonito e inteligente, estuda na melhor escola, mas foi um dos que mais sofreu com a morte de Meiko por amá-la também, e sempre teve inveja de Jinta por este está perto dela.
Tsurumi Chiriko (a de cabelo preto e uma das minhas personagens favorita!) sempre foi quieta e com o tempo se aproximou mais de Atsumu ao conseguir entrar na escola dele. Ela é a mais sensata deles e também esconde paixões e invejas como todos, apesar de não parecer.
E por último Tatsudo Hisakawa (o de cabelo castanho e camiseta do Hawaii), que nunca perdeu seu lado divertido e engraçado, mas que também esconde uma enorme tristeza e culpa pela morte de Meiko. Ele é o primeiro que acredita em Jinta e tenta ajudá-lo.

Quanto a Meiko, apesar do fantasma dela apresentar uma versão dela crescida como dos outros, ela ainda tem o mesmo jeito de criança, apresentando-se de forma totalmente infantil e pura. Ela é o principal elo da amizade deles e vai fazer de tudo para eles voltarem a ser amigos, mostrando que a amizade sempre vai prevalecer sobre a inveja, ciúme e até o amor. E é aí que você descobre o significado do nome do anime, a tal flor que eles não sabiam o nome é a Morte. Ninguém conseguiu superar a morte da Meiko porque todos acham que tiveram uma participação no acontecimento e acham que nunca foram perdoados por ela. Acho que esse anime foi o que tem o enredo mais profundo e lindo que já vi por falar de dois assuntos muito importante e raramente falados: como superar a morte de alguém querido e a importância de uma amizade.
Preparem as lágrimas, porque vai ter um monte delas, o anime é uma lição de vida! Mas não se preocupe, o anime também explorou o humor e você vai dar muitas risadas com ele também. Para finalizar, vou deixar o clip da música de encerramento do anime, que eu achei incrivelmente linda e viciante.

Winter is coming

O inverno estava de volta. Ou o inferno se você cometesse o erro de trocar um simples “v” por um “f”, mas a verdade é que não fazia diferença. A neve no começo é fria e depois queima como brasa, tornando a pele rubra como se o sangue implorasse para sair antes que congelasse. E o inverno o traria de volta, como um vulto, um fantasma perseguindo minhas ações, uma sombra se fixando em cada canto que eu percorresse.
Ele estaria de volta. Junto com o primeiro floco de neve, aquela pequena estrutura, aquele delicado desenho bordado por anjos que ao ser olhado minuciosamente mostraria cada memória minha que o tempo ainda não se encarregou de apagar. O vento gélido traria seu toque, arranhando meu rosto, ferindo e ao mesmo tempo deixando minhas maçãs do rosto coradas. Você se foi com o fim do inverno e volta toda vez que a estação recomeça.
Todos dizem que cada vez faz mais frio, por isso as pessoas vão embora. Elas simplesmente partem. E outras ficam. Eu fiquei. Mesmo que meus músculos pareçam doer com esse frio lancinante, mesmo que eu não consiga encarar a brancura que se estende diante dos meus olhos. Mas eu estou viva. Meu sangue ainda circula quente, lembrando-me que sou forte o suficiente e que por mais que o frio seja mais rígido ao meu redor, dentro de mim, sempre estarei aquecida. O amor que eu criei é minha lenha, mesmo que elas comecem a parar de estalar, ainda haverá faíscas.
Queria que o vento pudesse apagar a dor como apaga minhas pegadas na neve, mas talvez isso seja um presente que sobrara, um presente para lembrar que ainda sou capaz de sentir alguma coisa e não me aprisionei em um calabouço de gelo. Porque o inverno trouxe você, o inverno levou você. O inverno matou-me, o inverno ajudou-me a sobreviver.

PS: Este texto faz parte da tag "De Quinze em quinze" do blog Depois dos Quinze. Cada quinzena o blog sugere um tema para um conto e o melhor será publicado no blog DDQ.
PS2: O tema do conto dessa vez é Sentimentos de Inverno, como não sou muito boa em expressar contos cheios de sentimentos e tudo mais, não tenho certeza se consegui enquadrar o tema direito. De qualquer forma, sempre que lembro de Inverno, lembro de algo meio sombrio.
PS3: O título do conto, "Winter is coming" é uma das frases que você mais vai ouvir quando assistir Game of Thrones. Por coincidência, esse tema foi pedido justamente enquanto eu assistia e terminava de assistir essa série simplesmente maravilhosa. É daí que veio a inspiração.

À Espera dos Bárbaros

Provavelmente você nunca deve ter ouvido falar desse livro, já que eu não o conhecia até ele chegar as minhas mãos. A história em si é um bocado complicada, mas a leitura é bem simples e não há aquelas palavras difíceis que nos fazem precisar de um dicionário como acompanhante.
A história é sobre um Magistrado (o nome dele não é mencionado na história) que administra um povoado de um Império (que no começo me deixou um bocado confusa, porque eu comecei imaginando algo da época do Absolutismo e comecei a notar que havia coisas mais modernas do que haviam naquela época. Depois de pesquisar um pouco sobre o livro, descobri que a história se passa na África do Sul durante o Apartheid, mesmo que o autor não especifique), o qual recebe a notícia de que irão ser atacados por bárbaros. Especialistas em interrogatório chegam no Império e começam a torturar dezenas de vítimas acusadas de serem bárbaros e o Magistrado, vendo essas atrocidades, começa a se questionar o que é certo ou errado. Ele também acaba se relacionando com uma mulher bárbara que foi torturada e ficou cega e chegou até a devolvê-la a sua comunidade. Esse ato e outros diversos acarretaram em problemas ao Magistrado, onde ele se sentiu na pele dos torturados que queria salvar.
A primeira impressão que eu tive é que os tais "bárbaros" nunca de fato existiram, porque eles nunca atacaram o Império. Isso foi meio que uma neurose, onde todos começaram a acreditar que qualquer coisa ruim que acontecia (roubos, inundações, sumiço de cavalos) era culpa deles. O povo acreditava no que o Guarda Civil dizia, e a Guarda Civil (não sei de onde tirou essa ideia) também acreditava que iam sofrer uma invasão, sendo que tudo não passava de, vamos dizer, um "mau entendido". Esse temor sem fundamentos acaba fazendo todos tomarem medidas desesperadas, como torturar inocentes de forma realmente cruel, em busca de respostas que nunca tiveram e nunca teriam.
Eu gostei realmente do personagem do Magistrado, ele era um velho que tinha uma vida relativamente boa e que perde tudo isso nessa confusão. Ele começa a analisar tudo e percebe que o que estão fazendo é uma tremenda besteira, ele questiona e tenta mostrar a todos o quanto estão errados, mas acaba sendo até tachado de louco. Apesar da sua idade, achei-o um bocado forte, conseguiu superar muitas coisas que mais jovens não conseguiram e acima de tudo, conseguiu manter um pouco da sua sanidade.
Definitavamente À Espera dos Bárbaros não é um livro para qualquer um e aposto que muitas pessoas não teriam tanto pique para lê-lo até o final por ter uma temática bem diferente do costume, principalmente para adolescentes (assim como eu, mas como leio até bula de remédio, não me incomodo nem um pouco). Mesmo assim, vale a pena ler e vivenciar uma história diferente do costume, uma história bastante cruel.

Novo Layout

De fato, o layout não é novo, é o mesmo de antes, mas eu mudei umas coisinhas. Como existe outro blog literário com aquele mesmo layout (e já até fui acusada de plágio e olha que o layout é de graça né) e eu também já estava cansada desse, decidi modificar algumas coisas, mas mantendo o mesmo padrão. Eu mudei as cores, que antes era rosa e azul claro, agora é roxo e lilás. Mudei o desenho de bolinho que tinha no final de cada post, eu mesma fiz a xícara no Illustrator e substitui. Também mudei o background. A imagem superior, do fofinho de costume mudei para algo mais lúdico e "assustador", que era como deveria ser o blog desde o início. A imagem do link-me e a minha do perfil também foram alteradas para ficarem de acordo com o resto do blog. Acho que ainda vou alterar outras coisas, mas vai ser bem aos poucos e nada realmente espetacular, mas para mim, o que eu já mudei por hoje foi suficiente! Agora ninguém mais vai ter um layout igual ao meu! :D
Outra coisa digna de nota é que finalmente estou de férias! Tentarei manter o blog mais atualizado, principalmente no quesito resenhas, já que quase não houve durante esse semestre por causa da minha falta de tempo ):
Espero que tenham gostado das mudanças! *-*

E Amo Escrever

Eu Amo Escrever é um projeto cultural no qual qualquer pessoa pode escrever um conto com o tema Viver Bem. O prêmio é realmente muito bom, o vencedor ganha um Ipad, R$1.500,00 para gastar na loja Cantao e pode publicar um livro. Desculpe Ipad e mil e quinhentos reais, mas o que realmente me chamou a atenção foi este último, o tal livro. Meu sonho sempre foi publicar um livro e apesar de super concorrido, estou participando desse concurso. O problema é que além de você publicar um conto, você ainda tem que ser um dos mais votados, o que acaba com a chance de qualquer um que não tem muitos contatos online.
Por isso, se você gostou do meu conto (segue o link), por favor, vote nele, é só clicar no coraçãozinho. Agradeço muito!