O Oportunista

A primeira impressão que tive de O Oportunista é que me lembrou O Apanhador no Campo de Centeio. Mas não tenho tanta certeza se Holden Caulfield faria as mesmas coisas que Hilary Fletcher caso crescesse, já que O Apanhador no Campo de Centeio só conta sobre a adolescência de Holden, enquanto O Oportunista conta a vida inteira de Hilary.
A história (como já disse acima) é sobre Hilary Fletcher, que é um garoto, apesar do nome feminino. Ele é filho de um pároco (igrejas anglicanas aceitam padres casados e que tenham filhos) e mora em uma cidadezinha da Inglaterra chamada Lasterby. Foi na festa de aniversário da filha de um proprietário de terra rico (os Metheral) que ele fez amizade com Harriet e Mark. Hilary passou a infância e a adolescência brincando no mundo lindo e suntuoso dos Metheral, mas depois tendo que voltar para o seu mundo, que é simples e modesto. Foi das piores formas possíveis que ele foi descobrindo que nunca poderia ser um Metheral e nunca seria aceito por eles, o que fez nascer um enorme ódio no seu ser. Hilary foi crescendo, entrou em Cambridge, abandonou a faculdade e entrou no mundo do crime. Fez diversas coisas ruins até finalmente encontrar um objetivo: acabar com os Metheral.
Acho que não dá para explicar toda a história e fiz a melhor sinopse que pude sem conter muitos spoilers. No começo, eu gostava um bocado do Hilary (por me lembrar do Holden) e tenho que dizer que várias vezes me identifiquei com coisas que ele dizia. O problema é que não gostei do rumo que ele tornou para sua vida, já que antes eu achava-o um homem de caráter e ele mostrou-se totalmente o oposto.
Mesmo assim, talvez a história não tomasse um rumo tão interessante quanto tomou e fiquei realmente satisfeita com o final. E é com essa que digo que simplesmente amei o livro! Adorei Hilary, adorei a narrativa de Piers Paul Read (o escritor) e simplesmente adorei Martha (uma das personagens que só ganham importância mais para o final). Por mais que Hilary tivesse feito coisas ruins, você não consegue odiá-lo, você acaba aceitando suas justificativas já que acaba conhecendo-o desde sua infância e sabe de seus traumas e frustrações. É como se, de fato, você tivesse convivido com ele e soubesse de toda sua dor.
A narração é em primeira pessoa e muito gostosa de ser ler, em nenhum momento senti-me com tédio. A história só é bastante longa, parecia que quanto mais eu lia, mais longe eu ficava do final. O que me fazia ler mais ainda para descobrir o desfecho. Fiquei realmente interessada em ler mais livros do Piers Paul Read e ver se ele conseguiu escrever algo tão incrível como conseguiu em O Oportunista.

1 Comentários:

  1. Esse livro é interessante mesmo. Um dos meus prediletos, a variação moral do protagonista é algo interessante, é a típica história do bandido que se regenera. Mas antes de acontecer o arrependimento existe um poço de amargura e decepções.
    Abraços

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