Por que eu?


Quando eu comecei a ler o livro, não fazia muita ideia do que esperava. Só sabia que a tal escritora, Juliette M., na verdade era um pseudônimo porque ela iria realmente contar sua história verdadeira e não queria ser identificada. O subtítulo do livro é Uma Confissão o que realmente mostra do que se trata o livro.
Juliette M. desde pequena se achava especial e que nada iria acontecer com ela. Passava a maior parte do seu tempo com sua avó e tratava sua mãe com desprezo pela vida que levava, já que era viúva e professora de uma cidadezinha. Quando ela cresceu, formou-se em advocacia, mas acabou seguindo a carreira de jornalista. Durante esse percurso, ela aprendeu que havia uma grande arma nas mãos: a sedução. Através disso, Juliette conseguia as informações necessárias para fazer suas matérias, sem falar que conseguia manter ótimos contatos. Tudo muda quando ela descobre que contraiu o vírus da AIDS. Com raiva e com medo de morrer, ela acaba descontando isso em pessoas que odeia, tentando passar seu vírus para elas.
Por mais que Juliette tivesse escrito esse livro nos seus últimos dias de vida para ajudar pessoas que também possuem AIDS, ela conseguiu recriar o livro da mesma maneira que pensava quando mais jovem. Ela podia ter recriminado várias das suas atitudes, mas as escreveu como se as aprovasse, como se vivencia-se essa época novamente.
Apesar de toda a adrenalina e de toda a aventura que ela viveu, logo percebeu o quão vazia havia se tornado. Ela possuía dezenas de contatos, era reconhecida por diversas pessoas, mas não pode contar com ninguém no momento que mais precisou de apoio. Ela havia criado um ódio pelas pessoas – principalmente homens –, que a impediu de realmente aproveitar a vida e também de amar. Juliette criticava a vida de muitas mulheres, por serem submissas, por deixarem ser levada por fraquezas e por desilusões, mas o caminho que seguiu também não foi a melhor escolha.
Mas tenho que concordar que a admirei muito. Admirei sua astúcia, sua inteligência e até o poder que carregava nas mãos. Ela não tinha medo das consequências e simplesmente seguia em frente, até não poder seguir mais. Ela tentava mostrar que era superior as pessoas, que não se apegava e que as conseguia manter na palma de sua mão.
Adoro histórias chocantes e realmente adorei a narrativa. Queria saber um pouco mais da identidade dessa jornalista, mas creio que nunca vou saber quem é, já que os nomes e lugares foram modificados. Mesmo assim, é uma história que vale MUITO a pena ser lida, uma personagem que eu admirei até quando ela própria não se admirava mais.

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