Quem mexeu no meu queijo? + Kinky Boots

Não sou nenhum um pouco fã de livros de auto ajuda. Na verdade, é o estilo de livro que mais odeio. Mas há exceções, afinal eu leio aqueles que tem história, que não fica só naquela baboseira de "seja feliz, faça isso, faça aquilo e blábláblá". Gosto de histórias que tem alguma finalidade, que explica alguma coisa e que as pessoas, ao lerem, aprendam alguma coisa.
Lembro que li Quem mexeu no meu queijo? umas três vezes quando era pequena. Eu não entendia nada da história, só achava ela realmente bonitinha com aquela história de ratinhos e homenzinhos. Como achei o livro novamente, decidi relê-lo e ver se finalmente conseguiria entender. Provavelmente, a maioria das pessoas já leram esse livro, se não, ele é curtinho, rapidinho e vale a pena. E bem mais fácil de compreensão do que eu pensava (afinal minha mentalidade de 8 anos não se compara a atual).
A história é basicamente sobre um labirinto ficcional, onde tem vários corredores, portas e salas contendo MUITO queijo e outros só migalhas. Nesse labirinto vive dois ratinhos chamado Scurry e Sniff e dois homenzinhos chamados Hem e Haw. Os quatro acabam achando um depósito cheio de queijo. Os homenzinhos acreditam que esse estoque de queijo irá durar por toda a vida deles, enquanto os ratinhos apenas usufruem do lugar. O problema é que o estoque acaba, os ratinhos imediatamente vão a procura de outro, mas como Hem e Haw se apegaram a aquele "estoque", eles achavam que simplesmente um dia ele surgiria novamente, que não valia a pena procurar outro. Então Haw, depois de um tempo, percebe que não pode ficar apegado a aquele estoque vazio para sempre e vai atrás de um novo, enquanto Hem ainda acredita que seu queijo foi roubado.
O enfoque da história é a mudança, de como temos que nos adaptar a ela. Apesar de todos os ensinamentos mostra, somente um me chamou bastante atenção, na verdade, se trata de uma simples pergunta: "O que você faria se não tivesse medo?".
Nunca parei para me perguntar isso e achei que é a pergunta mais significativa que já vi em tempos. Quantas coisas não faríamos se o medo de tentar não nos impedisse?
Não satisfeita com só essa pergunta, surgiu outra da mesma forma inusitada, só que dessa vez em um dos filmes mais incríveis que já vi (se não, o mais incrível).

Kinky Boots é um filme bastante conhecido por quem cursa Administração ou Marketing e foi por isso que assisti esse filme na aula de Marketing do meu curso técnico.
A história é sobre Charlie Price, que é herdeiro de uma tradicional loja de sapatos em uma cidadezinha da Inglaterra. Invés de cuidar da loja, ele decidi ir para Londres com sua noiva e trabalhar com Marketing, o problema é que seu pai acaba morrendo e ele precisa decidir se fica com a loja ou a vende. Desesperado, ao ver que a loja está na falência, ele despede 15 funcionários e sempre fala "O que eu poderia fazer?" como justificativa para todos os seus problemas, até que uma das funcionárias responde "Mude o produto".
Charlie percebe que continuar a vender sapatos Oxford não daria certo, então ele viaja até Londres procurando algum lugar que compre esse estoque de sapatos até que encontra um grupo de homens perseguindo uma mulher. Ao tentar salvá-la, ele acaba sendo machucado por ela própria e desmaia, sendo que a última coisa que viu foi um par de sapatos vermelhos. Quando ele acorda, ele descobre que a tal mulher que tentou salvar, na verdade é uma Drag Queen chamada Lola.

Sim, parece realmente estranho. Mas é a Lola que faz toda a diferença na história. Ela acaba reclamando para Charlie do seu sapato, que por ser feminino, não aguenta seu peso e sempre quebra. E foi isso que deu a inusitada ideia a Charlie: por que não criar uma linha de sapatos femininos para homens, ou seja, as Drag Queens?
Por mais que pareça uma ideia bem diferente e arriscada, Lola decide ajudá-lo e vira a designer dos sapatos.
Vocês não têm ideia do quanto esse filme é incrível. Simplesmente virou um dos meus favoritos, sem falar que é baseado em uma história verdadeira! A história não só aborda o marketing, como também a coragem, as diferenças, a ética, o preconceito e a mudança. Lola é um dos melhores personagens, mostrando que por mais que seja uma Drag Queen ousada, ela também é insegura e sofre com o preconceito das pessoas. Sua personalidade é tão incrível que ela supera a de muitos pelo seu jeito de ser.

Charlie, apesar de inseguro, realmente se importa com a loja de seu pai, mesmo não querendo-a no início. O carinho que ele também tem pelos funcionários é notável. Outra personagem que merece destaque é a funcionária que ajudou ele (infelizmente não me lembro o nome dela). Ela não só deu apoio a Charlie, como ajudava Lola e a tratava como igual.
O filme foca muito na tal pergunta que falei no início: "O que posso fazer?". E a resposta é mais do que simples: Podemos fazer muito e qualquer coisa que quisermos, só precisamos de coragem e seguir sem medo.
Achei realmente interessante eu ter lido Quem mexeu no meu queijo? e assistido Kinky Boots na mesma semana. É como se um complementasse o outro, com duas perguntas que tem rápidas respostas e também no quesito mudança. Acho que isso deve ser alguma conspiração para eu mudar algo em mim, só preciso descobrir o que.

1 Comentários:

  1. não curto muito auto-ajuda, então fiquei mais interessada no filme o/
    adorei as resenhas, vc escreve bem!

    bj

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