Um Diário no Tempo

Faz tempo que não posto nenhuma resenha, mas a verdade é que tanta demora se justifica pelo fato de que eu estava lendo esse livro que tem nada menos e nada mais que 830 páginas. A primeira coisa que você precisa saber é que o livro é um Romance Espírita. É claro que é bem estranho uma pessoa como eu, agnóstica, lendo um livro espírita, mas eu leio realmente qualquer coisa que para em minhas mãos (menos auto ajuda que não seja de historinha).
Como já estou super acostumada a ler livros de romances sobrenaturais, apenas encarei esse livro como mais um da lista, só mudando que a resenha não será de um livro escrito por uma pessoa viva e sim de uma pessoa morta. Ou seja, um bocado assustador se ver por esse lado.
A história começa se passando na época da Ditadura Militar, onde mostra uma família de elite que usa sua influência e “forças malignas” para conseguirem o que querem. O filho deles, Douglas, acaba se casando com uma moça chamada Gorete por interesse e logo ela percebe que está em um inferno, onde a mãe dele dita as regras e aos poucos vai acabando com a vivacidade da garota. Em contrapartida, Douglas acaba tendo um caso com uma italiana que possui uma fazenda no interior que se chama Nicolle. Ele acaba tendo dois filhos com ela e os rouba. Para que seu terceiro filho não seja roubado, Nicolle foge para a Itália.
Essa é a primeira parte da história e a que mais gostei. Eu admirava muito Nicolle no começo, pena que sua personalidade forte não durou muito por causa das coisas que ela passou, como ter seus filhos roubados. Quanto a Douglas, por mais canalha que ele era, também gostei particularmente dele (isso mostra o quanto meu gosto por personagens chega a ser estranho). No fundo, no fundo, eu acredito que Douglas só fez as coisas que fez porque desde pequeno aprendeu que podia controlar tudo, até o amor. Outra coisa legal é que Schellida (o tal espírito que escreveu o livro) apresenta um bocado sobre a época da Ditadura Militar. Quem gosta de história irá apreciar essa parte.
A segunda parte da história é sobre Marcello, filho da Nicolle que foge com ela para a Itália. Ele vive sua infância e adolescência lá, acolhido pelos avós e não recebendo muita atenção da mãe. Quando ele se torna mais velho decide voltar para o Brasil junto com sua mãe e tia porque sonha com novos horizontes e oportunidades. Quando ele chega lá, adivinha quem era o dono da empresa na qual ele foi contratado? Isso mesmo, não preciso nem falar. E essa não é a pior parte da história. Marcello acaba se apaixonando perdidamente por Flávia, a filha de Douglas. Acho que não preciso dar muitos detalhes, só de ler a sinopse do livro na contracapa já notei logo porque o tal amor era impossível.
Eu, particularmente não gostei muito dessa segunda parte, que apresenta a vida do Marcello (mas minha amiga que emprestou o livro para mim gostou muito, então vai de cada pessoa). Não gostei porque o romance entre o Marcello e a Flávia é extremamente meloso e às vezes eu me enchia de tantos diálogos exagerados. Por já ter deduzido um bocado da história, não via a hora deles se separarem e tudo mais (apesar de também já saber que tudo terminaria de forma feliz). Mas quando finalmente ocorreu a tal separação, tenho que dizer que foi tão igualmente exagerada que quase cheguei a chorar junto, é.
Foi quando estava se aproximando do final que eu realmente tomei gosto por ler e não via a hora de chegar o desfecho. Mas de todos os personagens que eu gostei (Josefina, Kátia, Irene, entre outros), o que eu realmente adorei foi Rogério que só aparece mais no final e tem uma participação super importante. Ele me cativou muito mais que o Marcello e realmente torci para tudo acabar bem com ele. Algumas partes da história eu achei muito “novela”, acontece um bocado de problemas seguidos e dos mais variados para tudo ser resolvido no final. Mesmo assim, confesso que gostei da história só esperava um pouquinho mais.
Outra coisa que eu achei falta foi de um maior aprofundamento no campo sobrenatural. Já li outro livro espírita que relatou tanta coisa que juro que não consegui dormir de noite (haha). Esperava algo mais ou menos na mesma linha, mas não houve tanto. O que mais me deu medo foram as atrocidades que os humanos podem fazer do que os tais espíritos maus. E é isso que o livro retrata, o porquê de agirmos de tal forma e porque tanta coisa ruim ou boa acontece com a gente, tudo baseado na Doutrina Espírita. Apesar de ter algumas partes explicativas, o livro não se torna tão maçante quanto eu esperava.
Sei que muita gente pode fugir desse tema por ser uma filosofia ou uma religião, mas eu acho bem legal ler sobre as mais variadas doutrinas. Algumas dúvidas que eu tinha sobre o Espiritismo foram bem explicadas no livro e deu para ter uma visão diferente do que eu tinha. Ainda quero ler outros livros espíritas e livros de outras religiões. Não é questão de acreditar, é apenas de aprender mais e criticar menos.

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