A arte do diálogo

Eu tinha chegado cedo à faculdade. Gosto disso porque se acabar confundindo as aulas e os prédios, dá tempo de procurar o certo. Então, eu estava no prédio de Comunicação, no meu devido andar, sentada em um banco esperando que os outros alunos chegassem. De repente, o elevador abre e entra um menino careca que estudava comigo. Pensei que ele me cumprimentaria, mas ele não o fez, deixando-me um bocado chateada. Então, pensei: “Por que não cumprimento ele? Afinal agora tenho que ser uma pessoa social”. 
– Oi! – exclamei, quando ele virou-se para mim. Ainda fui simpática o suficiente para dar um sorrisinho.


– É... Oi?????


Tudo bem, esse foi o “Oi” mais estranho que já recebi na minha vida. Foi um “Oi” tão hesitante que por um momento pensei que ele iria me ignorar totalmente. Será que sou uma pessoa que aparenta ser tão ruim assim? Será que eu não inspiro confiança nas pessoas? 
– De que curso você é? – ele perguntou para mim.


Como assim que curso? Nós estamos na mesma sala! Não acredito que ele não se lembra de mim, será que minha presença é tão “não marcante”? Será que eu sou mais invisível do que eu pensava?
 – Publicidade e propaganda – respondi como se fosse óbvio. Mas então, começou a surgir uma dúvida em mim – E você? 
– Jornalismo.


Quase caí da cadeira. Esse tempo todo eu estava falando com a pessoa errada. Tudo bem que só foram quatro frases, mas mesmo assim. Eu nem ao menos o conhecia e já fui falando “Oi”. Quem era a total estranha no diálogo era eu e não o rapaz hesitante e desconfiado. Foi então que eu olhei para a careca. Verdade, grande parte dos novatos estavam carecas por causa do trote. O que faz todos serem iguais aos meus olhos e ao meu cérebro lento. 
Comecei a morrer de vergonha por dentro, queria que o chão se abrisse para eu entrar. Ele deve ter pensado que sou umas dessas garotas atiradas com o meu “Oi”. Mas é claro que eu não podia demonstrar o meu erro, então segui com o script que elaborei em minha cabeça o mais rápido que eu podia. E adivinha só? Conversei mais com o cara do Jornalismo do que provavelmente conversaria com o careca certo do meu curso. Tudo por um erro bobo meu.


Quando começou a aula, cada um foi para sua sala e provavelmente nunca mais vamos conversar. Porque voltei a ser a menina tímida e não social de novo, afinal quando tento ser social, cometo gafes. E vou tomar todo cuidado do mundo quando for conversar com carecas. Ou quem sabe, talvez confundir pessoas seja a maneira mais fácil de começar um diálogo. Acho que vou adotar essa prática.


Ou não.

8 Comentários:

  1. eu consigo me ver fazendo isso, totalmente.
    AH! ler sobre os seus dias na faculdade me faz querer que Agosto chegue logo. ( e não ajuda você ser tão parecida comigo )

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  2. Amei a historinha! Já fiz algo parecido, é bem constrangedor e sou a rainha dos constrangimentos.

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  3. BÉÉ Eu também faço publicidade. Mas eu sou mto faladeira. Já falei com praticamente todo mundo da minha sala, já apresentei um trabalho feito em 30 minutos na frente da sala toda, já juntei as cadeiras e deitei no meio da sala de aula :B. Bem, era no intervalo, mas tá bom.
    E isso tudo com duas semanas de faculdade.
    Mas com o tempo você se solta, aprende a falar com os outros. Eu sou muito de puxar conversa com todo mundo que me interessa, então nunca tive muito esse problema.
    Enfim...
    Gostei do blog x3
    Inté

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  4. Oi, vim conhecer seu blog e AMEI, ele é lindo parabéns, comecei a seguir aqui, e vou voltar sempre que possível :) se quiser seguir o meu tbm, fique a vontade, Beijos;

    http://www.byjessicarodrigues.com/

    @jescrodrigues

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  5. KKKKKKKKKKKKKKKKKK SOFRI
    É bem a minha cara fazer isso e a)ficar me matando mentalmente depois e b)morrer de rir de mim mesma.
    Eu sou tímida demais pra algumas coisas, quando eu era piveta era impossível socializar demais na escola, era bem "meu espaço" sabe? "Sem contato", essas coisas. Hoje eu tô bem diferente, ainda que meu nível de conversação seja restrito a algumas pessoas, acho que hoje sou bem social, dependendo da situação. Fico besta com a capacidade de socialização de algumas pessoas, besta mesmo.

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  6. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Juro que quase caí da cadeira quando li isso. Isso vive acontecendo comigo O TEMPO todo. Gente, me sinto até mais aliviada em saber que não sou a única a cometer essas gafes XD

    Fleurs en Papier

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  7. Apesar do mico, às vezes é bom conhecer pessoas novas mesmo que a gente ache que nunca mais irá falar com elas.

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  8. hahah nossa! pago muitos desses micos. já abri a porta de um carro na porta da escola, entrei e fiquei falando com a mulher pensando que era minha tia. só que não era, e ela estava olhando para mim com uma cara de interrogação haahhaha
    adorei o blog, beijos!

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