Ilusões Perdidas, Balzac

Obs: Sei que se alguém ler essa resenha até a metade é uma vitória. Porém não fazê-la seria desperdício da minha parte. 

O verdadeiro motivo de os posts de resenhas terem ficado raros é porque eu estava lendo esse livro, que tem 760 páginas. É quase uma preparação para quando eu ler os livros da série Game of Thrones. Ilusões Perdidas é um livro famoso de um escritor igualmente famoso chamado Balzac, que se passa no século XIX e é classificado como Realismo. Só de você ter lido essa pequena explicação já deve ter dormido.
Convenhamos, esse não é o tipo de livro que a maioria das pessoas leria, não só pelo assunto, mas pela quantidade de páginas. Porém, é um dos livros mais incríveis que já li e não me arrependo.
A história é dividida em três partes (ou três livros, porque antigamente eles eram separados. É mais ou menos uma coletânea como acontece com aquela edição de Crônicas de Nárnia que tem os setes livros em um só) e vou tentar resumir cada uma delas.

Os Dois Poetas: A história começa em uma pequena tipografia de um senhor chamado Séchard. Ele manda seu filho para a escola e posteriormente para a faculdade para estudar tipografia. Parece ser uma atitude decente de pai, mas o Senhor Séchard é tão avarento que seu único objetivo é vender a tipografia para o próprio filho e ganhar lucros pelas costas dele. Depois dessa breve introdução, passamos a conhecer David Séchard, o filho do velho, é uma ótima pessoa, gentil, generoso, com alma de inventor e digamos, um tanto ingênuo. Também somos apresentados a uma importante personagem da história: Lucien de Rubempré. Ele é o melhor amigo de David e sonha em ser poeta/escritor. Essa primeira parte do livro mostra como é a vida dos dois, David trabalhando na tipografia e Lucien se entregando a sua paixão, a Senhora de Bargenton, uma mulher da alta-sociedade da pequena cidade de Angoulême.

Comentários: Os Dois Poetas é praticamente uma introdução, ele apresenta um pouco da vida dos personagens e como é a vida deles em Angoulême. No momento que você começa a ler, pensa que a personagem principal é David, mas, na verdade, quem ganha bastante destaque não só nessa parte como no livro todo é Lucien. E por que isso? Porque Lucien é extremamente ambicioso. Ele é visto por sua mãe e pela sua irmã Ève (com quem David se casa posteriormente) como uma divindade em terra. Elas acham-no inteligente e célebre, enchendo-o de orgulho de si. E até David vê em Lucien (não só pelo seu talento, mas por sua beleza digna de Adônis) um cara fantástico. Por isso que Lucien acaba se apaixonando pela Senhora de Bargento (ou Marie-Louise-Anaïs de Negrepelisse, nome legal, não?), uma mulher bem mais velha que ele e também casada. Louise, como é chamada por Lucien, é uma mulher que viveu lendo romances e sonhando com uma vida encantadora, porém, ao casar-se, viu que não era nada disso. Quando ela encontra Lucien, ela vê nele um pedaço do que faltava em seu casamento. Ela precisava de um poeta em sua vida.
Outra parte interessante é a história da tipografia apresentada no livro. Para muitos pode ser maçante, mas como fiz técnico em Design Gráfico e tive que estudar essa parte da história da impressão, achei fascinante!

Um grande homem de província em Paris: A segunda parte do livro conta a história de como Lucien fugiu de Angoulême com a Senhora de Bargeton para Paris. Leve em consideração que para isso acontecer, David emprestou uma quantia a ele. Em uma cidade grande e incrível como Paris é claro que o relacionamento de Lucien e Louise iria se desgastar, porque lá há muitos poetas e muitas moças mais bonitas que ela. Porém, essa não é a parte mais interessante do livro, o foco principal é no jornalismo e nas editoras de livros da época (ao contrário do primeiro livro que foca em tipografia e impressão). Você irá conhecer a verdadeira cara do jornalismo, que é um jogo de intrigas, onde seu melhor amigo, amanhã, pode ser seu pior inimigo.

Comentários: É decididamente, dos três livros, o mais interessante. Você realmente vai conhecer Paris tal como ela era no século XIX. Porém, muitas das coisas abordadas podem ser utilizadas nos dias de hoje. Balzac mostra uma bela crítica da sociedade francesa daquela época e enquanto eu lia, era impossível não comparar a coisas do meu cotidiano. Lucien nesse livro mostra o que tem de ambicioso tem de tolo. Eu achei-o um personagem extremamente idiota e inocente. Se eu pudesse compará-lo a algo, compararia àquela fábula de La Fontaine “O velho, a criança e o burro”. Qualquer pessoa que chegava nele e fazia um lindo discurso de como tal coisa é boa, ele ia lá e fazia. Por isso acabou caindo totalmente na desgraça. Não sem antes atingir o ápice e cair com tudo. Achei bem feito.
Antes preciso dizer que o personagem que mais chamou atenção no livro foi Daniel D’Arthez. Ele era um escritor e amigo de Lucien, mas, que em minha opinião, tinha uma personalidade muito mais fascinante. E pelo que dá para perceber no livro, ele parece ser mais célebre que o amigo. D’Arthez toma uma atitude com Lucien que me deixou totalmente boquiaberta da parte dele. No bom sentido, porque acabei gostando mais ainda dele.

Os Sofrimentos do Inventor: Se o outro livro foi do Lucien, quem ganha destaque nesse é David e sua esposa Ève. Em Os Dois Poetas, David apresenta uma ideia que pode fazer uma fortuna: criar um papel durável e melhor. Quando li isso, pensei que nesse último livro, David ficaria milionário (ao contrário de Lucien, mostrando que David, que tinha menos credibilidade, acabou vencendo na vida). Mas, é claro, isso não aconteceu. Graças ao nosso querido Lucien, David acabou ficando endividado (lembra que eu falei que ele emprestou dinheiro para que o bom moço fosse para Paris?). Ele realmente passa situações terríveis nesse livro.

Comentários: Pensei que David fosse um pouco mais pé no chão do que o Lucien, mas ambos estão quase no mesmo patamar. A diferença é que David se importa muito com sua família, ao contrário de Lucien que o tempo todo só viu a si mesmo. Acho que uma personagem que realmente merece destaque é a mulher de David (também irmã de Lucien), Ève. Ela mostrou como ser forte mesmo em uma sociedade onde mulheres não têm grande participação. Ao contrário dos outros dois, ela é realmente pé no chão e apesar de não ter tanto estudo, achei-a até mais inteligente. De qualquer forma, ainda faltaram algumas características necessárias nela para evitar todos os problemas. O fim do livro foi agradável. Gostei do final que David e sua família levaram e também gostei do que aconteceu com Lucien. Porém, ainda fiquei com uma curiosidade enorme de como Lucien levaria sua vida daqui para frente. Não sei se Balzac fez um livro posterior a Ilusões Perdidas, mas se não fez, poderia ter feito!

Ponto fraco da história: Não sei se é realmente ponto fraco, mas vamos lá. O livro não tem capítulos, ele só é separado em partes. Isso realmente acaba se tornando maçante, porque quem tem mania de determinar sua quantidade de leitura por capítulos, acaba ficando um tanto perdido. Em contrapartida, eu acho incríveis escritores que conseguem escrever direto, sem pausas. Balzac faz isso tão bem que você nem percebe quando uma cena muda para outra, é tudo feito sutilmente. Queria realmente apresentar outros pontos fracos, mas não sou crítica o suficiente para isso já que adorei a história!
Outra coisa digna de nota é sobre o Lucien. Como vocês viram, eu não gostei dessa personagem, porém, foi impossível não compará-la a mim e outras pessoas. Conforme você vai lendo, percebe que há mais Lucien em você mesmo do que imagina. Acho até legal isso, porque acaba abrindo seus olhos.

Sei que é impossível para muitos ler esse livro, já que a maioria torce o nariz. Mas desde que comecei a ter contato com clássicos, acabei ficando fascinada por eles. Eu realmente ADOREI esse livro. E indico mesmo. Indico para quem gosta de história, jornalismo e tipografia. Indico para quem quer viajar um pouco em outra época. E se você não se sente preparado para ler livros nesse tipo, não é tarde. Não precisa começar com Balzac, pode começar com Machado de Assis, por exemplo. Ou com meu querido Álvares de Azevedo.

10 Comentários:

  1. Aí, o cara foge com a mulher pra Paris haha provavelmente a parte mais legal mesmo, como você falou. Eu amo essa cidade.
    Tb acho q fato de não ter capítulos deve ser meio mala, até porque quando não tem divisões breves rola uma preguiça de chegar no final rs, ainda mais em um livro tão grande.
    Olha, eu li tudo, e não estava tão chato assim

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  2. ADORO Balzac, mas ainda não conhecia esse livro. 760 páginas é muita coisa pra minha atual falta de tempo.

    att,
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  3. Achei bem interessante a resenha e fiquei com vontade de ler. Admito que nunca ouvi falar do autor, mas pelas críticas parece ser excelente ( porém cansativo x_x )

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  4. Oi!

    Bom, desculpa estar mandando este comentário, mas é que com esta mudança do GFC, acabou sumindo meu gadget antigo e gostaria muito que você me seguisse novamente para não perdermos os contato, o que acha? (:

    Um beijão,
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  5. Nossa !!!760 páginas RSRSrsr Mas quando o livro é assim tão bom dá até pena quando terminamos de ler

    Bjs

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  6. Eu adoro livros grandes, hahaha!
    O livro deve ser muito bom, mas realmente não ser dividido em capítulos vai dar um nó danado na cabeça, mas mesmo assim vai valer a pena, vou adicionar à minha lista! :)

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  7. Adorei a sua crítica me deu vontade de ler. Sempre gostei muito de livros clássicos, escritos do século XIX pra baixo. Com certeza sempre gostei de todo o tipo de livros, porque ao meesmo tempo que lia JK Rowling, lia Conan Doyle ou Shakespeare, ou enquanto lia Marion Zimmer Bradley, lia Machado de Assis, Eça de Queiróz, entre outros...

    Do Balzac, só li A mulher de 30 anos, e gostei muito. Fiquei interessada em Ilusões Perdidas também.

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  8. Mandou muito bem. Afinal clássicos não são clássicos por acaso. Só os bons sobrevivem ao tempo.

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  9. Li esse livro no terceiro ano, usei o ano todo para ler. Sempre que ele me enchia nos nervos lia algo mais excitante. Tenho-o e lê-lo foi uma ótima experiência. Não tenho medo de livros grande...

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  10. engraçado perceber o ano... li ele em 2011, já é 2013 e o post é de 2012.

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