A Incrível Máquina de Livros

Você sabe que realmente gosta de livros quando você acorda sete da manhã para atravessar São Paulo com o objetivo de encontrar uma máquina que troca livros e topa ficar na fila umas dez vezes sob um sol escaldante só para ter o prazer de levar histórias adoráveis para casa.
Quando soube que a Incrível Máquina de Livros estava na Praça da República, aqui em São Paulo, sabia que precisava conferir. A semana toda ela recebia uma leva de 300 livros novos que eram trocados por livros que as pessoas não queriam mais. A máquina funcionava das 9 até as 16 horas, por isso chegamos cedo para pegar livros bons e novos.
Você só podia trocar um livro de cada vez, então pegava a senha e ficava na fila. Quando chegava sua vez, você colocava o livro que você não queria mais na máquina e em seguida apertava um botãozinho vermelho. A máquina simulava um barulho de livro sendo criado e logo um novinho saía. Na realidade, claro, havia pessoas lá dentro selecionando os livros e entregando.
O meu principal problema antes de ir era encontrar livros que queria doar. Tenho um grande apego aos meus e não me lembrava de ter nenhum que não gostasse. Porém, acabei dando uma procurada e encontrei alguns bem chatinhos da escola como Amor de Capitu, que não se compara com Dom Casmurro. No final, acabei encontrando sete livros que eram doáveis.

Juro para vocês, fiquei um tanto decepcionada com a máquina. Esperava que tivesse bastantes clássicos da literatura ou livros de histórias muito boas, porém, todos os livros que peguei foram terrivelmente chatos. Peguei alguns de poesias de autores que nunca ouvi falar na vida, também peguei alguns infantis, técnicos (como Filologia Românica!), históricos e alguns de fotografia. Percebi também que, pelo menos as pessoas mais próximas de mim na fila, a maioria não saiu muito satisfeita com os livros. Achei que deviam ter investido mais nessa parte de livros realmente de literatura, sabe? É isso que as pessoas estavam procurando.
Então, o que eu fiz? Fui trocando na fila mesmo e consegui livros que eu estava LOUCA para ler. Pode ter certeza, fila pode ser algo chato se for ao banco, por exemplo, mas quando for de show de alguma banda que gosta ou até uma fila literária, tudo fica mais legal. Você acaba conhecendo pessoas que também gostam de ler e que gostam de conversar sobre isso com você. É muito satisfatório. No final, acabou não sendo perda de tempo. Acho que deveria ter mais desses eventos de troca de livros porque é algo muito aproveitável. Sempre vai ter algum livro que você não gosta que pode agradar outra pessoa e vice-versa.
Agora, vamos aos livros que consegui!

O primeiro livro é Caninos - Antologia do Vampiro Literário, o único livro que veio da Incrível Máquina de Livros e que adorei. Foi minha amiga que conseguiu e trocou comigo. Eu realmente amei esse livro porque ele junta contos de escritores famosos que já escreveram sobre vampiros. É, meus caros, nada de Stephenie Meyer e sim Lord Byron (Byron! Byron! Quando li esse nome, sabia que valia a pena), Bram Stoker, Goethe, Baudelaire, entre outros.

Lá estava eu pela segunda vez na fila quando de repente ouço uma mulher atrás de mim falar para seu filhinho: “Qual livros vamos doar agora? Esse? Ou Um Cadáver Ouve Rádio?”. Quando ouvi aquele nome, arregalei os olhos e virei para trás: “Ó, CÉUS! VOCÊ QUER TROCAR COMIGO? POR FAVOR! SOU LOUCA POR ESSE LIVRO!”. Para quem não sabe, esse livro faz parte daquela antiga coleção chamada Vagalume que seus pais devem ter e que muitos de vocês podem ter herdado. Um Cadáver Ouve Rádio faz parte do meu escritor favorito da Vagalume, o Marcos Rey, e ele é o terceiro de uma trilogia que consiste em O Mistério no Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro. O problema é que eu não tinha esse livro e sempre quis ler a continuação. A mulher que tinha o livro disse que só trocaria comigo por um livro infantil e justamente eu acabara de receber um da máquina de livros, então, batata! O livro estava destinado a ser meu!

Arrependi-me um pouco de ter ficado com esse livro e não ter trocado. Achei que por ter o nome Harry Potter, devia ser alguma análise sensacional. O problema é que a autora faz uma associação a história com ensinamentos da Bíblia, ou seja, é um livro bem cristão. Não li a sinopse direito e só fui perceber isso quando cheguei em casa. De qualquer forma, vou ler e ver se é bom.

Sou louca para ler esse livro. Assim como O Príncipe de Maquiavel e o livro do Hitler, Minha luta. Pura curiosidade é o que me atrai nesses livros. Quando vi um rapaz na fila com ele, tratei de perguntar se ele gostaria de trocar. Super simpático, ele aceitou na hora. Fiquei feliz pela ótima aquisição.

Apesar de já ter lido esse livro (já fiz até resenha aqui), na hora que vi a capa sabia que precisava ser meu. Sou apaixonada pelo filme e também pelo livro, acho uma história linda e triste ao mesmo tempo, daquelas que mexe com você. É o tipo de história que com certeza vou querer reler várias vezes.

Adoro Sherlock Holmes, já li diversos livros sobre ele durante minha infância. Não lembro se já li O Cão de Baskervilles, mas minha amiga que leu, falou que é muito bom. Meu irmão que acabou conseguindo com uma garota que estava cheia de livros. Tenho outro livro dessa mesma série, que é da Vampira de Sussex.

Último livro que consegui. Fiquei super em dúvida se trocava pela Pequena Abelha ou pela Maya Fox (que era um livro que eu queria muito ler). Acabei optando pelo primeiro com medo de que o segundo fosse mais um desses livros sobrenaturais clichês e sem graça. Se pudesse voltar no tempo, teria trocado o do Harry Potter pela Maya Fox. Achei a capa e a diagramação de a Pequena Abelha muito bonito, espero que a história também seja boa.

Bem, foi isso!  Estou realmente preparada para a Bienal do Livro de São Paulo e para adquirir mais livros. Amor literário é assim, quanto mais livros, melhor, mesmo que você não tenha tempo para ler todos. E vocês? Vão na Bienal?

Obs: Depois que saí da República, fui para o Largo São Francisco com o intuito de ver a Faculdade de Direito de São Paulo onde meu amado Álvares de Azevedo estudou. Fiquei decepcionada! O lugar estava CHEIO de mendigos e com um cheiro horrível. Deu até medo de tirar foto e caí fora de lá o mais rápido possível. Depois fui conhecer a Caixa Econômica Cultural e adorei o local! Lá tem exposições, lugares para você ler e estudar e ainda tinha uma banda cult super legal tocando lá, chamada Novo Ovo Mundo.

Tasogare Otome x Amnesia

Dessa vez, descobri esse anime no Facebook e não no Tumblr como de costume. Haviam postado uma foto da personagem principal dizendo que esse anime era o mais romântico que já tinham visto. Não sou muito chegada em shoujo (animes/mangás para garotas, geralmente são românticos), mas adorei os traços da personagem e a arte do anime, então decidi procurar mais sobre a história. Para minha surpresa, o anime romântico não era shoujo e sim shounen, que são geralmente animes/mangás voltado para garotos e já explico o porquê.
Tasogare Otome x Amnesia também é conhecido como Dusk Maiden of Amnesia que é algo como A Amnésia da Donzela da Escuridão. Parece um nome bem esquisito, mas realmente sintetiza um bocado da história. O enredo se desenrola em uma escola chamada Colégio Privado Seikyou, onde possui prédios novos e antigos. A escola foi reformada tantas vezes que a parte antiga é quase um labirinto. Por ser um lugar abandonado e sombrio, surgem diversas histórias sobre aparições de fantasmas.
Um dia, um aluno chamado Niiya Teiichi acaba se perdendo no antigo prédio da escola e encontra uma jovem garota chamada Kanoe Yuuko. O que ele acaba descobrindo depois é que Yuuko é o fantasma de uma antiga aluna que morreu na escola e seu corpo ainda jaze no porão. Como ela não se lembra de nada sobre sua vida enquanto estava viva, Teiichi decidi montar um clube de investigação paranormal para descobrir o passado de Yuuko.

No começo, lembrava-me um bocado outro anime chamado Hyouka, no qual os personagens tem um clube que também descobre mistérios. Porém, enquanto em Hyouka tudo tem uma explicação lógica, em TOxA (vamos abreviar) os mistérios são sobrenaturais mesmo e possuem uma forte ligação com o passado de Yuuko.

Yuuko apesar de estar morta, age muitas vezes como se não estivesse. Dependendo da época do ano ou do horário, ela se veste de uma forma diferente (por exemplo, no inverno ela usa roupas mais quentes). Ela fica tão feliz ao saber que finalmente alguém consegue vê-la e tocá-la que acaba se apaixonando por Teiichi. É nessa parte que entra o Shounen na história. O anime é voltado para os garotos porque é BEM pervertido, com direito a personagens seminuas com peitões (em japonês, esse estilo de anime chama-se ecchi também, que significa obsceno). Para quem já está acostumado a assistir animes, isso nem incomoda, mas para quem vê pela primeira vez, acaba estranhando. O termo Shounen é mais aplicado no Japão, porque raramente meninas assistem esse estilo de anime. Já aqui no Brasil, garotas acabam assistindo esse estilo até mais que garotos.
Teiichi, o personagem principal, é o típico garoto sem graça que incrivelmente encanta todas as garotas a sua volta. Quando cria o clube de investigação paranormal, acaba atraindo a atenção de Okonogi Momoe, a típica menina fofa e histérica, que adora histórias sobrenaturais, mas morre de medo delas, e Kanoe Kirie, uma menina que também é capaz de ver fantasmas e tem uma ligação com Yuuko (nota-se pelo sobrenome).
Quem procurava um anime de terror, se decepcionou, porque realmente o enfoque é romance. Apesar de ter cenas pervertidas e muitas delas ficarem apenas subentendidas, dá para ver que os personagens também são bastante inocentes. Nos deparamos com um casal sem futuro, mas que a cada episódio desejamos mais que fiquem juntos. E quando falaram que era o melhor anime de romance, não estavam de brincadeira. Os últimos episódios me arrancaram lágrimas.
Porém, outro enfoque que achei muito interessante é em relação à morte. O anime abordou alguns pontos sobre o mundo sobrenatural que nunca vi antes, por exemplo, o de: nós vemos o que queremos. Na história, algumas pessoas veem Yuuko cadavérica porque é o que esperavam de um fantasma, enquanto Teiichi a via bela, como ela era enquanto estava viva. Também há questionamentos sobre a fé e até onde ela pode levar as pessoas.

Sobre o passado de Yuuko, tenho que dizer que ele é realmente chocante. Os episódios que revelaram sua história foram realmente tristes. O motivo de ela ter esquecido é explicado aos poucos e achei essa parte muito bem feita e diferente de tudo que eu já tinha visto e ouvido. Achei que eles fizeram um ótimo trabalho em relação ao sobrenatural.
Outra coisa digna de ser falada é a trilha sonora, eu achei uma das melhores que já vi. A música de abertura e encerramento são incríveis. Outra música que gostei é uma que toca no último episódio, até pouco tempo não havia saído a versão original dela, mas fiquei feliz em saber que essa semana lançaram! Já ouvi milhões de vezes.
O anime só tem doze episódios, então é bem rapidinho. Ouvi boatos de que foi confirmada uma segunda temporada e que irá sair um OVA (é um episódio extra que não é exibido na televisão japonesa e você só assiste comprando o DVD). Eu realmente adorei a história, ela realmente mexe com você e estou ansiosa pela segunda temporada. Na verdade, estou quase pensando se leio o mangá ou não.


Abertura do Anime



Encerramento do Anime



Música que aparece no último episódio


Obs: As músicas da abertura e encerramento não são a versão inteira. Se interessarem, procurem pelas versões originais que são muito boas!

Tamanho 42 não é gorda

Meg Cabot é assim. Você começa a ler um livro dela e de repente está lendo todos. Para vocês terem uma ideia, esse é o vigésimo oitavo livro que leio dela. O que é um bocado e ao mesmo tempo é quase nada já que ela possui bastantes livros. Não sei porque, mas eu nunca tive muito interesse nessa série dela (que tem quatro livros), mas como uma amiga acabou me emprestando, decidi ler. E ele se tornou um dos meus favoritos.

Heather Wells está passando por maus bocados. Ela era uma cantora teen, porém a gravadora acaba dispensando-a porque queria compor suas próprias músicas. E isso é só o começo: ela acaba terminando com seu namorado após descobrir uma traição, sua mãe rouba todo seu dinheiro e foge com seu empresário para a Argentina, seu pai está preso, ela está trabalhando como inspetora em um alojamento estudantil e está usando tamanho 42. Heather está tentando colocar suas vidas nos eixos, ela pretende trabalhar e fazer faculdade, o problema é que uma garota aparece morta no poço do elevador do alojamento onde ela trabalha. Todos acreditam que foi um acidente, mas Heather desconfia que ela foi assassinada e decide investigar.

O mais legal desse livro é que Meg Cabot consegue unir o universo feminino a um clima total de suspense. Heather decididamente é uma das heroínas de chick-lit que eu mais gostei. Apesar de todos os problemas que passou, ela continua seguindo em frente firme e forte. Ela não só arranjou um trabalho, como pretende fazer faculdade. Uma das principais pessoas que sempre a ajuda é Cooper Cartwright, ele é o irmão do ex-dela, Jordan Cartwright, que deixa Heather morar no andar de cima da sua casa. Ele é um detetive particular sério e perspicaz e Heather tem uma enorme queda pelo rapaz.
O mistério do livro gira em torno da morte de duas meninas que foram encontradas no poço do elevador. Os policiais acreditam que foi um acidente e que elas estavam brincando de surfe de elevador. Para a maioria dos mortais, surfe de elevador é quando você sobe em cima de um e fica se equilibrando enquanto ele sobe e desce. Como podem ver é uma brincadeira famosa e bem saudável nas universidades dos Estados Unidos. Porém, o mais comum é que garotos brinquem disso e não garotas e justamente essas duas eram as mais certinhas. Então, Heather decide investigar ela própria os acidentes. O problema é que sua própria vida também pode estar em risco.
Como adoro suspense, eu praticamente devorei esse livro. E nem é só por causa disso, mas achei a história tão divertida e engraçada que não conseguia cansar de ler. Também adorei a diagramação do livro, em cada capítulo há a letra de uma música que Heather cantava em sua época gloriosa. E dá para perceber que as letras que a gravadora escrevia eram bem bestas.
Ah, e para quem se pergunta por que diabos o nome do livro é Tamanho 42 não é gorda, é porque simplesmente algo que Heather diz o livro inteiro. Apesar de ter ganhado uns quilinhos e usar 42, Heather acredita piamente que não está gorda já que é a média de peso das mulheres dos Estados Unidos. O que é super engraçado já que o tempo todo ela fala de comida.

Fale-me de você

Doutora Frida me compreende

Juro para vocês: não sou o tipo de pessoa que consegue falar sobre si mesma. Na verdade, sempre que eu preciso escrever o Sobre Mim no blog, um eterno vácuo se apodera da minha cabeça e impede todas as minhas funções cognitivas de funcionar. E por mais que eu escreva algo, sempre acho que não está bom. E isso, de certa forma, se aplica para minha vida.

Sou daquelas que uma hora ou outra atrai pessoas que adoram falar sobre suas vidas. Não tenho nada a reclamar sobre isso, afinal, não tenho muito que falar sobre a minha, então só resta ouvir. Ouço sobre tudo. Desde problemas pessoais até a comida do cachorro. E apenas aceno ou falo coisas clichês como “Acalme-se, tudo vai melhorar” ou “Veja por outro lado”. E é incrível como muitas pessoas se contentam só com isso. Já recebi vários olhares agradecidos como se eu fosse a psicóloga mais perfeita do universo. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando. Não sou uma psicóloga. Mas às vezes uma inspiração lá do fundo surge em mim e acho alguma frase de impacto muito mais convincente que aquelas clichês. Já ouvi várias vezes as pessoas dizendo que eu sei das coisas. Mas a verdade é que não sei de absolutamente nada.

O problema é quando chega a pior parte, aquela que a pessoa já contou absolutamente tudo para você e espera sua contribuição. Isso mesmo, a pessoa espera sua vez de contar seus problemas, talvez para não se sentir tão miserável ou simplesmente para mostrar que também sabe consolar. Quando percebo que isso acontece, eu simplesmente tento contornar a situação... “Ah, o dia está lindo, não é?”. Não é nada convincente, mas é um modo de dizer: “Desculpa, eu realmente entendo seus problemas e sua necessidade de expô-los, afinal não é bom guardar para si, mas não me sinto a vontade contando os meus”.


E dá para contar nos dedos todas as vezes que alguém falou que guardar para mim as coisas não é bom. Já ouvi até falar que dá câncer. Mas eu não vejo nenhum ponto positivo em sair contando tudo que vem a minha cabeça porque:

a) As pessoas sempre vão falar as frases clichês, que eu claramente já conheço;

b) Não vai ser a solução dos meus problemas;

c) Ninguém realmente está interessado por mais que pareça.

É claro que teve situações que as pessoas se aproximaram de mim e perguntaram o que estava acontecendo, alegando que não falo muito sobre minha pessoa. Mas, novamente, quando tento falar algo, Caos surge de um buraco negro e se abriga em minha mente obscurecendo e destruindo qualquer ordem nos meus pensamentos. “Ah, nada. O que você quer que eu fale sobre mim?”. E é claro que ninguém sabe o que realmente quer saber.


Esse tipo de coisa é quase igual quanto chorar em lugar público. Por exemplo, quando alguém chorava na sala de aula, um bocado de pessoas se aglomeravam ao redor da pessoa tentando “consolá-la”. Graças aos céus percebi que isso não acontece na faculdade quando alguém chora, pelo visto, as pessoas amadurecem.

O negócio de chorar na escola era a coisa mais chata do universo e juro que odiava quando era necessário. Porém, as outras pessoas choravam aos montes e não as julgo por seus problemas, afinal elas estão certas. O que é errado é aquela tosca aglomeração de “bons samaritanos” em volta da pessoa. Gente que você nunca conversou ou o que odiava, de repente encarnava a Madre Teresa de Calcutá e estava lá, perguntando: “Por que choras, pobre criatura? Conte-me teus problemas e irei curar tua alma, pobre mortal”.
 
A verdade é que ninguém estava interessado em “curar tua alma”, (além dos amigos mais próximos, claro. Mas eles não curam sua alma, em vez disso fazem você rir loucamente e esquecer qualquer problema. Essa é a diferença) e sim em saber o motivo. Pura curiosidade humana. Igual quando alguém sofre um acidente de carro e surge um monte de pessoas querendo ver o que aconteceu. Por mais deprimente ou nojento que seja ver um crânio esfacelado no chão, ninguém consegue desgrudar os olhos daquela atrocidade. É mais forte do que qualquer pessoa. É preciso captar qualquer detalhe e informação.

Por isso, quando alguém chorava, eu nunca sabia (e nem sei) o que fazer. Penso se a pessoa é igual a mim, prefere ficar sozinha, pensando e tentando encontrar alguma solução. Ou prefere um abraço e um “Vai ficar tudo bem”. Se é um amigo próximo, geralmente opto pelo último. Se não é, quem sou eu para me intrometer em algo que não me diz respeito? É, talvez eu seja meio fria.

De qualquer forma, esse ano eu chorei na faculdade. Por causa do meu celular perdido, como vocês bem sabem. E quer saber? Foi até legal todas minhas amigas me falando que ia ficar tudo bem e que eu devia ficar calma. Mas, porque, é claro que tudo ia ficar bem, era apenas um celular. E sobre todas as outras coisas? Nunca ninguém vai saber. Mas quem se importa, afinal? O dia é muito tedioso para ficar gastando com lágrimas. Vamos dançar!


Obs: A Doutora Frida é de uma série brasileira MUITO boa chamada Adorável Psicose. Você morre de dar risada.

O Espetacular Homem-Aranha


Lembro-me claramente quando estreou o primeiro filme do Homem-Aranha. Acabei não o assistindo no cinema e sim alugando. Era um domingo e depois do almoço minha família se reuniu na sala para assistirmos ao filme. E todo mundo adorou. Demos altas risadas, nos divertimos e adoramos a história. Então veio o segundo filme e achei-o meio sem graça, mas deu para engolir. Depois veio o terceiro e perguntei por que diabos o filme tinha se tornado algo tão ruim? O legado Homem Aranha estava acabado, não era mais tão bom quanto antes.
Até que surge uma luz no fim do túnel: um reboot, mas dessa vez com uma história mais fiel (apesar de não tanto). No começo, não acreditava que podia ser tão bom, eu até achava o Tobey Maguire simpático (apesar da cara de babaca) e não ia muito com a cara do Andrew Garfield. E infelizmente, eu vivera na “geração Mary Jane”, acreditando que ela fora o grande amor de Peter Parker quando na verdade era Gwen Stacy. Porém, apesar de eu gostar da ruiva, eu gosto mais da ruiva disfarçada Emma Stone. Nela eu sabia que podia confiar por ter assistido vários filmes que mostram sua atuação sensacional.
Eu já estava planejando assistir o novo filme do Homem-Aranha nos cinemas, mas não estava tão animada até assistir o filme antigo na televisão esses dias (o primeiro, que é o melhor). Assisti-lo novamente deu-me uma vontade imensa de dar uma chance ao novo filme, então acabei indo.
Tudo bem, deixe-me colocar os pensamentos no lugar. EU SIMPLESMENTE AMEI O FILME. Sério. Eu não li os quadrinhos para saber o que foi fiel ou não, só dei umas pesquisadas na internet sobre algumas coisas, mas eu realmente não me importo. Adorei a história. Adorei os atores. Adorei tudo. Até aquele lagarto gigante e assustador que me deu altos sustos.


Primeiro, vamos falar de Andrew Garfield. Ele já atuou em outro filme que assisti, o Dr. Parnassus e nem gostei muito dele lá. Já em Homem-Aranha fiquei realmente deslumbrada com a atuação dele. Nem bonito eu achava o coitado, mas foi outra coisa que mudei de ideia também. Ele deixou o personagem com cara de nerd descolado e achei legal terem acrescentado (não sei se tem nos quadrinhos) o hobby dele por skate. Só não gostei muito da rebeldia desnecessária que Peter Parker tem. Às vezes eu tinha vontade de dar uns tapas nele.
Gwen Stacy é muito mais legal que a Mary Jane chatinha da outra versão. Pelo que eu li, seu personagem não tem muito a ver com a dos quadrinhos, mas gostei dessa versão inteligente e dedicada dela. Achei que o casal teve uma química bem maior do que a do outro filme, sem falar que a Gwen gosta do Peter pelo que ele é (ao contrário da Mary Jane que se apaixonou pelo Homem-Aranha).


Outro personagem que eu gosto e sempre vou gostar em todas as versões possíveis é o tio Ben. Para mim, é o personagem mais querido e chorei muito com sua morte como já chorei na versão anterior. Achei legal nessa versão que o Peter não ficou muito tempo preso a sua vingança e decidiu seguir em frente.
Gostei também da parte científica da história. Apesar de muita gente ter achado que não colou, eu achei bastante interessante. Muita gente achou um ponto negativo, mas confesso que fui com a cara do vilão, achei-o bastante assustador. Apesar do objetivo dele ter não ter sido muito bem trabalhado.
Essa foi a primeira vez que assisti a um filme em 3D (é, eu sei. Só tinha assistido naqueles cinemas de parque de diversão), então achei tudo mais fantástico do que normalmente acharia. Achei as tomadas e fotografias impressionantes, os movimentos do Homem-Aranha são de tirar o fôlego. O filme tem pontos fracos, claramente, mas como sai realmente extasiada do cinema, acho que nem vale a pena ligar para eles.

Eu assistindo o filme

A Rua das Ilusões Perdidas

Talvez muitos de vocês já tenham lido O Cortiço de Aluísio de Azevedo. Li esse livro no começo do ano passado e não gostei muito. Algumas partes me agradaram, mas achei a história um pouco maçante. De qualquer forma, vocês já devem ter ouvido falar que o personagem principal do livro não é Rita Baiana, João Ramalho, Jerônimo ou qualquer uma das dezenas de personagens, e sim o cortiço em si. Isso também acontece no livro A Rua das Ilusões Perdidas, de John Steinbeck, onde o personagem principal é a Rua Cannery Row, na qual vivem diversas personagens. Porém, ao contrário de O Cortiço, eu simplesmente amei esse livro. Acho que amar ainda é pouco.
Queria fazer uma sinopse, mas não há muito a dizer. O livro não tem suspense, nem aquele clímax que se espera e é comum. Cada capítulo relata um pouco da vida dos moradores de Cannery Row e em nenhum momento achei aquilo chato. Cada detalhe e mania dos personagens deixam a história mais rica. Ah, e algo importante: grande parte deles é marginalizada. Vagabundos, prostitutas, garotos abandonados, famílias desestruturadas, pessoas que normalmente olhamos torto ao ver na rua, ganham papéis importantes e mostram-se boas pessoas.




“Os habitantes são, como disse o homem certa ocasião, “meretrizes, cafetões, jogadores e filhos da puta”, pelo que se referia a Todo Mundo. Se o homem tivesse olhado por outro ângulo, poderia dizer “Santos e anjos, mártires e abençoados” e estaria significando a mesma coisa”.



O autor mostra o lado mais humano dessas pessoas. Apesar delas não serem um exemplo e estarem longe do politicamente correto, através da leitura você compreende as suas ações. E os personagens são cativantes! Eu acho que não desgostei de nenhum deles. Alguns acabam ganhando mais destaque do que outros, mas todos tem sua importância significativa naquela estranha rua.
Vou falar um pouco dos personagens.
Primeiro nos deparamos com Lee Chong, um chinês dono de um mercado pequeno, mas que é atulhado de coisas, onde você pode encontrar tudo que quer. Depois somos apresentados a um grupo de vagabundos constituído Mack, Jones, Hughie, Eddie e Hazel que vivem em um galpão de Lee Chong apelidado de “Palace” (eles foram meus personagens favoritos na história). Dora, a cafetina dona da Bandeira do Urso, uma mulher com cabelos alaranjados que é considerada uma grande mulher e que às vezes é filantrópica. Um chinês misterioso que é visto sempre indo ao mar quando começa a escurecer e só volta de manhã. Doc, um biólogo marinho que captura animais para enviar a outros estudiosos e possui um laboratório. Henri, um pintor/artista que sabe mais de arte na teoria do que na prática e está há dez anos construindo um barco. O Sr. E a Sra. Malloy que moram em uma caldeira abandonada em um terreno baldio (e ainda alugam o lugar para outras pessoas dormirem. Achei sensacional essa parte). Frankie um garoto que adora Doc, mas é meio problemático. Mary Talbot, uma mulher casada que adora festas e vive conversando com gatos.
John Steinbeck
Ufa! São tantos personagens e ainda faltam alguns, mas achei esses mais importantes e marcantes. Há mais detalhes deles no livro e você acaba conhecendo um pouco mais da vida deles. Já há outros que sempre vão ser um mistério, não há muitas informações.
De qualquer forma, o principal enfoque do livro é em uma festa surpresa que Mack e seus amigos querem dar para Doc, o biólogo marinho, por este ser um cara bacana. Só que o bando é meio atrapalhado e muita coisas ruins e boas acabam acontecendo nessa empreitada.
Indico esse livro mil vezes! Adorei a história, os personagens, a Rua Cannery Row e também a descrição de John Steinbeck. Vai para minha lista de livros favoritos.

Obs: Não julguem esse livro pela capa. Ele é muito melhor do que aparenta.

Novos companheiros

Isso pode soar meio potteriano, mas acredito que não é você que escolhe um livro, é ele que escolhe você. Pode parecer que você tem o poder de escolha ao ver uma capa ou uma sinopse e dizer para si mesmo "Preciso desse livro!", mas foi ele que conseguiu entrar em sua mente e fazer querê-lo. Também acredito que há tempo certo para se ler. Sabe aquele livro que você leu e não gostou, mas, depois de anos, decidiu reler e gostou da história? Então, tem livros que para maior entendimento exigem maior maturidade ou conhecimento ou simplesmente um novo ponto de vista. E esses dias, posso dizer, fui escolhida por três livros.
Lá estava eu no bazar de um asilo com meu avô. Ele sempre visita esse lugar porque dá para conseguir coisas boas que custam bem pouco. Foi lá que consegui praticamente todas minhas câmeras. Porém, sempre que visito, na seção de livros quase não há interessantes, porque geralmente são livros médicos e dicionários. Só que dessa vez foi diferente.

Sempre tive vontade de ler Agatha Christie, mas nunca tive a oportunidade, é claro, até agora. Nem acreditei quando achei um livro dela lá em perfeito estado! Na hora tive certeza de que precisava comprá-lo! E fiquei pensando como diabos alguém poderia abandonar um livro como esse. E para vocês terem uma ideia, paguei apenas dois reais nele.

O segundo achado foi um livro que eu estava LOUCA para ler. Já li um livro de Tolstói chamado A Morte de Ivan Ilitch e queria muito ler Guera e Paz. Já tinha ouvido falar sobre Anna Karênina, mas minha vontade só aumentou quando vi o trailer lindo do filme que estreará esse ano nos Estados Unidos e parece que só ano que vem no Brasil. Antes de assistir, queria ter a oportunidade de ler para saber se o filme é tão bom quanto aparenta. Então, nem acreditei quando achei o livro no bazar do asilo. Ele estava sem a capa, porém, meu avô já colou para mim, então ele está pronto para ser lido.

E agora o último e mais esperado livro. É claro que eu não o achei no bazar do asilo, esse livro é raríssimo e era o que eu mais desejava nesse mundo. Já li muita coisa sobre meu escritor favorito, Álvares de Azevedo. Não só Noite na Taverna, Macário e Lira dos Vinte Anos (ainda falta Conde Lopo e Frá Gondicário), como  livros sobre sua vida, pesquisas acadêmicas sobre seu estilo de escrita e até livros seculares como três e-books que tenho no computador, escrito e organizado por um dos seus amigos mais próximos, Jacy Monteiro.
Eu conheço e sei muita coisa sobre ele, porém, eu só consegui achar poucas cartas suas pela internet, ou seja, a parte mais pessoal sobre sua vida, eu desconhecia. Por isso, quando descobri que havia por aí algumas edições de 1976 com todas as cartas dele que foram achadas, soube que precisava dela. Porém, o único jeito de consegui-lo, seria através de sebos e foi o que eu fiz. Pensei que o livro fosse fininho, mas não, tem realmente bastante cartas e fiquei feliz ao constatar isso. Consegui-o por apenas quinze reais que valeram a pena.
Já comecei a ler e fiquei feliz porque além das cartas, ainda há bastante notas de rodapé explicando muitas coisas da épocas e pessoas que ele conhecia e citava nas cartas. E finalmente descobri quem eram as duas mulheres misteriosas: N. M. e D. Q. Você pode achar a cartas sobre elas facilmente na internet, só que sempre há o comentário de que não se sabem quem são. Pois, vos digo que são: Laura Milliet e Olímpia Coriolana da Costa (que foi esposa de Gonçalves Dias). Houve um erro de cópia, em vez de N. M. o certo é L. M. e em vez de D. Q. é D. O. que significa Dona Olímpia.
Ainda estou na metade do livro, por isso, ainda não tenho muito a comentar. Porém, estou adorando! É uma grande fonte de informação. Um dia ainda faço um post especial sobre o escritor que foi inspiração desse blog.

Insaciável

Mais um livro de vampiros. Mas não é qualquer um. Qualquer capa que você ver por aí com o nome Meg Cabot é digno de ser lido não importando o assunto. Aposto que o agente da Meg Cabot chegou até ela e disse: “Está todo mundo escrevendo sobre vampiros, porque a rainha do chick-lit não escreve também?”. Se ele não fez isso, provavelmente foram os fãs após terem lido um dos contos dela no livro Formaturas Infernais. Eu mesma queria saber como seria uma história de vampiros escrita por ela, então, eis que me surge Insaciável.

Meena Harper é a roteirista de uma famosa novela chamada Insaciável. Ela tinha certeza que iria se tornar redatora-chefe, porém, quem ganha o cargo é Shoshana, a sobrinha dos produtores, que quer incluir no elenco da novela nada menos que vampiros. E Meena simplesmente não suporta criaturas sobrenaturais porque ela mesma possui um dom: ela sabe quando as pessoas morrem e como.
Em uma noite de insônia, Meena decide dar um passeio com seu cachorrinho quando é subitamente atacada por morcegos gigantes. Porém, é salva por um misterioso homem que não se feriu nem um pouco com os ataques. O que Meena não sabe é que ele é Lucien Antonesco, nada menos que O Príncipe das Trevas.

O livro, para minha surpresa, é contado em terceira pessoa. O mais comum da Meg é escrever em primeira. Porém, dá para perceber que ela optou por isso para mostrar um pouco de cada personagem do livro. Assim, não ficaríamos presos apenas no ponto de vista de Meena e ficaria mais fácil de entender vários dos acontecimentos.
Meena Harper não é uma personagem maçante, ela realmente não suporta vampiros e nada sobrenatural. Ela é meio atrapalhada e louquinha, não consegue se relacionar direito com homens porque sempre sabe quando eles vão morrer e mora em um apartamento com seu irmão desempregado, Jon, e um cachorro chamado Jack Bauer. E acreditem, esse livro não é cheio de mimimi como outros. É claro que tem, mas de forma equilibrada.
Lucien Antonesco é o filho do Conde Drácula, o Príncipe das Trevas. Ele esconde sua verdadeira identidade vivendo como um professor de faculdade na Romênia. Desde que seu pai morreu, ele estabeleceu uma regra: nenhum vampiro pode matar um humano, porém, pode se alimentar deles. Essa é uma forma de impedir que descubram a existência dos vampiros e que a Guarda Palatina não os dizimem. Lucien é o típico vampiro aristocrata que gosta de um bom vinho, exposições de arte e de ouvir música clássica. Mas ele acaba tendo de sair da Romênia quando descobre que garotas estão sendo assassinada em Manhattan. Ele precisa resolver esse problema antes que isso tome grandes proporções. Seu principal suspeito é seu meio-irmão Dimitri.
Como citei antes, ainda há a Guarda Palatina. Ela é uma espécie de organização criada em Roma com o objetivo de dizimar vampiros. Crianças desde pequenas são treinadas para virarem guardiões. No livro, somos apresentados a Alaric Wulf, um caçador de vampiros que foi criado pela Guarda Palatina e também foi a Manhattan com o objetivo de descobrir quem está assassinando as garotas. Porém, acaba descobrindo que o Príncipe das Trevas também está vindo e decide persegui-lo e matá-lo.

Caçadores de vampiros que se chamam Alaric dominam!
Esses três são os personagens principais, é através deles que a história se desenvolve. Não preciso nem dizer que Meena acaba se apaixonando por Lucien. Ele é realmente um vampiro cativante e eles formam um casal tão lindo, que você acaba torcendo pra ficarem juntos até o final. Porém, eis que chega o caçador de vampiros e estraga tudo. Juro que eu pensei que não ia simpatizar com ele, de que ele seria o típico “atrapalha casal principal”, mas não foi isso que aconteceu. Eu acabei gostando mais de Alaric do que o próprio Lucien. E no final do livro, queria que a Meena escolhesse ele.
Falando em final, achei-o realmente surpreendente. Fora de todos os padrões que livros de vampiros têm. E o melhor: ainda tem continuação. Apesar da Meena ter tomado uma grande decisão no final, isso não finaliza tudo. Ainda há muita história pela frente e o triângulo amoroso irá perpetuar. Estou ansiosa pela continuação porque tenho esperança de que terá mais ação do que ele já teve.
Na capa linda, ainda há um dizer do Publisher’s Weekly: “A mestra do gênero”. E se quer saber, eles acertaram.

À procura de uma festa junina

Se há uma festa que eu realmente gosto é Festa Junina. Natal, Ano Novo, Páscoa e até meu aniversário estão na minha lista de datas comemorativas que podiam ser dispensáveis. O motivo é simples: são datas tristes para mim. E eu tenho meus motivos para isso, mas não quero explicar. Talvez algum dia, quem sabe. De qualquer forma, até Carnaval eu gosto. É uma data feliz também, mas nem sempre, porque às vezes ela me entedia. Sabe como é, eu não gosto muito de ficar dançando “Ai se eu te pego”, então na maioria das vezes fico na arquibancada sonhando com os sanduíches das barraquinhas e assistindo as pessoas enlouquecendo.
Festa Junina é diferente. Talvez eu goste tanto dela porque nem sempre a comemoro. Se nessa época do ano calha de eu ir para o interior, então eu provo de uma bela festa com direito a vinho quente, quentão, maçãs do amor, doces feitos de amendoim ou milho e é claro churrasquinho suspeito. Então tem aquelas musiquinhas sertanejas bregas que são bem mais legais que alguns sertanejos universitários e tem toda aquela encenação de casamento, com pessoas vestidas de caipiras. E eu até acho legal aqueles vestidinhos de caipirinhas. Acho uma festa tipicamente brasileira bonitinha.
Mas, se fico em São Paulo, o negócio é crítico. Eu sei que deve ter um bando de festas juninas pela cidade, só que não tenho disposição para ficar procurando uma decente. Então, a única que resta é da minha escola, ou melhor, antiga escola. O negócio é que a festa junina da minha antiga escola não se encaixa no quesito “festa junina decente”, porque aquilo é basicamente uma festa comercial e não cultural. O que eu quero dizer é que você encontra lá batata-frita, yakissoba, sorvete, fondue, entre outras coisas e nada de maçã do amor. Até alguns anos tinha morangos e uvas cobertas por chocolate, mas acho que ficou mais fácil substituir por fondue. Não que eu não goste dessas coisas, porque eu adoro. Mas quando se vai para uma festa junina, você espera comer comida de festa junina.

Imagem meramente ilustrativa da minha pessoa comendo. Pode ou não condizer com a realidade.
Por isso, acabei não indo esse ano. E não é só por minha frustração com comida. É porque desde que eu tinha uns treze/quatorze anos, nenhuma festa junina mais foi decente. A casa das bruxas que jogava sagu na sua cabeça sumiu. A prisão também foi substituída por qualquer coisa besta. E outras barraquinhas nada a ver forma inventadas. E o negócio legal da festa junina é não ser politicamente correto. É você mandar correio elegante zoando a cara do amiguinho encalhado (já fizeram isso comigo, todos choram), é você gastar todo seu dinheiro para ver seu amigo preso e rir da cara dele, é você receber sagu na cabeça ou enfiar a mão em gelatina para tirar surpresinhas e no final encontrar aranhas nojentas e achar tudo aquilo bacana.
Outra coisa que gosto em festas juninas no interior é leilão. É sempre legal porque meus parentes acabam bebendo demais e arrematando coisas variadas e inúteis por preços bem acima do que aquilo valia. Lembro-me de serem arrematados leitões e frangos assados, bolos, doces e até animais bem vivinhos. Uma vez, para vocês terem uma ideia, meu pai arrematou um bode para mim. Mas fui eu que pedi. Porque eu o vi ali com cara de coitado e foi amor à primeira vista: eu precisava de um bode. Eu já tinha um pônei, por que eu não podia ter um bode?

Veruca Salt queria um ganso que botava ovos de ouro. Eu queria apenas um bode.
Sem falar, que, além disso, ainda há bebidas. Não sou alcoólatra, nem nada, mas adoro vinho quente. E até ontem eu odiava quentão, até meu pai fazer o quentão mais maravilhoso do mundo. O negócio era tão bom que você sentia seu coração aquecido como as bebidas dos elfos nos livros do J. R. R. Tolkien. As bebidas são doces, quentes e você se sente uma pessoa melhor só de prová-las. Não que você se torne uma pessoa melhor. Mas em uma época fria como essa, nada como bebidas quentes.
E novamente voltamos à comida. Comida de festa junina é a mais fantástica de todas. Sinceramente, não se compara ao chester (ou peru, mas não lembro se já comi algum, porque para mim é tudo a mesma coisa) do Natal. Por exemplo, eu sou apaixonada por pinhão. Apesar da trabalheira toda para fazer e descascar o maldito, acho que vale super a pena só para prová-lo.
E festas juninas para mim devem ser realizadas à noite. Porque a cidade se enche de luzes e às vezes há alguns balões também (mas isso virou ilegal, então não se vê mais tantos). E tem a fogueira. Nunca me arrisquei a pular uma delas pelo simples fato que é óbvio que vou ser incinerada na primeira tentativa. É cientificamente provado minha falta de sorte.
Mas é isso que é festa junina. Eu não quero que as pessoas se esqueçam disso. Eu não quero que ela suma, ou seja, transformada como aconteceu como Carnaval. Ou pior que ela seja “globalizada”. Afinal, é só pegar o telefone e ligar para uma rede de fast-food, que logo você tem yakissoba em casa. Mas alguém conhece alguma rede de maçãs do amor? Duvido muito. Mas se conhecer, ficaria agradecida se enviasse o número por comentário. Não comi uma maçã do amor até agora e estou frustrada.


Obs: Se alguma aranha se sentiu ofendida ao dizer aranhas nojentas, peço desculpas. É que aranhas de plástico com gelatinas são nojentas. Eu adoro aranhas. Tanto que estou procurando um anel de aranha. E só tem um na minha cabeça que vi no centro de São Paulo que custa uns 300 reais. É muita tristeza para uma pessoa só.