A Incrível Máquina de Livros

Você sabe que realmente gosta de livros quando você acorda sete da manhã para atravessar São Paulo com o objetivo de encontrar uma máquina que troca livros e topa ficar na fila umas dez vezes sob um sol escaldante só para ter o prazer de levar histórias adoráveis para casa.
Quando soube que a Incrível Máquina de Livros estava na Praça da República, aqui em São Paulo, sabia que precisava conferir. A semana toda ela recebia uma leva de 300 livros novos que eram trocados por livros que as pessoas não queriam mais. A máquina funcionava das 9 até as 16 horas, por isso chegamos cedo para pegar livros bons e novos.
Você só podia trocar um livro de cada vez, então pegava a senha e ficava na fila. Quando chegava sua vez, você colocava o livro que você não queria mais na máquina e em seguida apertava um botãozinho vermelho. A máquina simulava um barulho de livro sendo criado e logo um novinho saía. Na realidade, claro, havia pessoas lá dentro selecionando os livros e entregando.
O meu principal problema antes de ir era encontrar livros que queria doar. Tenho um grande apego aos meus e não me lembrava de ter nenhum que não gostasse. Porém, acabei dando uma procurada e encontrei alguns bem chatinhos da escola como Amor de Capitu, que não se compara com Dom Casmurro. No final, acabei encontrando sete livros que eram doáveis.

Juro para vocês, fiquei um tanto decepcionada com a máquina. Esperava que tivesse bastantes clássicos da literatura ou livros de histórias muito boas, porém, todos os livros que peguei foram terrivelmente chatos. Peguei alguns de poesias de autores que nunca ouvi falar na vida, também peguei alguns infantis, técnicos (como Filologia Românica!), históricos e alguns de fotografia. Percebi também que, pelo menos as pessoas mais próximas de mim na fila, a maioria não saiu muito satisfeita com os livros. Achei que deviam ter investido mais nessa parte de livros realmente de literatura, sabe? É isso que as pessoas estavam procurando.
Então, o que eu fiz? Fui trocando na fila mesmo e consegui livros que eu estava LOUCA para ler. Pode ter certeza, fila pode ser algo chato se for ao banco, por exemplo, mas quando for de show de alguma banda que gosta ou até uma fila literária, tudo fica mais legal. Você acaba conhecendo pessoas que também gostam de ler e que gostam de conversar sobre isso com você. É muito satisfatório. No final, acabou não sendo perda de tempo. Acho que deveria ter mais desses eventos de troca de livros porque é algo muito aproveitável. Sempre vai ter algum livro que você não gosta que pode agradar outra pessoa e vice-versa.
Agora, vamos aos livros que consegui!

O primeiro livro é Caninos - Antologia do Vampiro Literário, o único livro que veio da Incrível Máquina de Livros e que adorei. Foi minha amiga que conseguiu e trocou comigo. Eu realmente amei esse livro porque ele junta contos de escritores famosos que já escreveram sobre vampiros. É, meus caros, nada de Stephenie Meyer e sim Lord Byron (Byron! Byron! Quando li esse nome, sabia que valia a pena), Bram Stoker, Goethe, Baudelaire, entre outros.

Lá estava eu pela segunda vez na fila quando de repente ouço uma mulher atrás de mim falar para seu filhinho: “Qual livros vamos doar agora? Esse? Ou Um Cadáver Ouve Rádio?”. Quando ouvi aquele nome, arregalei os olhos e virei para trás: “Ó, CÉUS! VOCÊ QUER TROCAR COMIGO? POR FAVOR! SOU LOUCA POR ESSE LIVRO!”. Para quem não sabe, esse livro faz parte daquela antiga coleção chamada Vagalume que seus pais devem ter e que muitos de vocês podem ter herdado. Um Cadáver Ouve Rádio faz parte do meu escritor favorito da Vagalume, o Marcos Rey, e ele é o terceiro de uma trilogia que consiste em O Mistério no Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro. O problema é que eu não tinha esse livro e sempre quis ler a continuação. A mulher que tinha o livro disse que só trocaria comigo por um livro infantil e justamente eu acabara de receber um da máquina de livros, então, batata! O livro estava destinado a ser meu!

Arrependi-me um pouco de ter ficado com esse livro e não ter trocado. Achei que por ter o nome Harry Potter, devia ser alguma análise sensacional. O problema é que a autora faz uma associação a história com ensinamentos da Bíblia, ou seja, é um livro bem cristão. Não li a sinopse direito e só fui perceber isso quando cheguei em casa. De qualquer forma, vou ler e ver se é bom.

Sou louca para ler esse livro. Assim como O Príncipe de Maquiavel e o livro do Hitler, Minha luta. Pura curiosidade é o que me atrai nesses livros. Quando vi um rapaz na fila com ele, tratei de perguntar se ele gostaria de trocar. Super simpático, ele aceitou na hora. Fiquei feliz pela ótima aquisição.

Apesar de já ter lido esse livro (já fiz até resenha aqui), na hora que vi a capa sabia que precisava ser meu. Sou apaixonada pelo filme e também pelo livro, acho uma história linda e triste ao mesmo tempo, daquelas que mexe com você. É o tipo de história que com certeza vou querer reler várias vezes.

Adoro Sherlock Holmes, já li diversos livros sobre ele durante minha infância. Não lembro se já li O Cão de Baskervilles, mas minha amiga que leu, falou que é muito bom. Meu irmão que acabou conseguindo com uma garota que estava cheia de livros. Tenho outro livro dessa mesma série, que é da Vampira de Sussex.

Último livro que consegui. Fiquei super em dúvida se trocava pela Pequena Abelha ou pela Maya Fox (que era um livro que eu queria muito ler). Acabei optando pelo primeiro com medo de que o segundo fosse mais um desses livros sobrenaturais clichês e sem graça. Se pudesse voltar no tempo, teria trocado o do Harry Potter pela Maya Fox. Achei a capa e a diagramação de a Pequena Abelha muito bonito, espero que a história também seja boa.

Bem, foi isso!  Estou realmente preparada para a Bienal do Livro de São Paulo e para adquirir mais livros. Amor literário é assim, quanto mais livros, melhor, mesmo que você não tenha tempo para ler todos. E vocês? Vão na Bienal?

Obs: Depois que saí da República, fui para o Largo São Francisco com o intuito de ver a Faculdade de Direito de São Paulo onde meu amado Álvares de Azevedo estudou. Fiquei decepcionada! O lugar estava CHEIO de mendigos e com um cheiro horrível. Deu até medo de tirar foto e caí fora de lá o mais rápido possível. Depois fui conhecer a Caixa Econômica Cultural e adorei o local! Lá tem exposições, lugares para você ler e estudar e ainda tinha uma banda cult super legal tocando lá, chamada Novo Ovo Mundo.

12 Comentários:

  1. nossa, qts livros. queria tanto ir na bienal, mas esse ano nem rola.

    amei o blog. to seguindo.

    bjs

    http://www.amodernpinup.com

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  2. Byron era um dos que traçava a irmã, não era? haha
    O livro dos vampiros deve ser foda. Por que vampiro é um personagem foda em sua essência. A indústria teen que o destruiu, como faz com a maioria das coisas. Sabe entrevista com o vampiro? A Cláudia é um tesão.
    Eu já li um cadáver ouve rádio. Tinha a coleção inteira aqui em casa, mas troquei com uma prima.

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  3. você até que conseguiu bons livros hihi sério, minhas experiência com o livralivro me mostraram o quanto isso de troa é complicado...

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  4. Nunca tinha ouvido falar dessas coisas de trocas de livros. Muito bom, isso.
    Acho que aqui, em Portugal, nºão tem :(
    Bjs

    http://b-lieve.net

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  5. AMO O MARCOS REY! Li T-O-D-O-S os livros dele que tinham na biblioteca da escola, quando eu estudava. 12 Horas de terror é meu favorito! *-*

    Quero ler esse "Pequena Abelha", tenho a sensação de ser ótimo. E adoro a capa.

    Apesar de você não ter gostado dos títulos, eu acho incrível essa de troca de livros. Acho uma forma superválida de fazer circular os livros.

    Beijo,
    milalices.blogspot.com.br

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  6. Wow, ponte para terabitia! estava pensando nesse livro esses dias *-*


    Meu blog voltou com post e theme novo. Visita!

    Bjonas e fique com Deus ♥

    Camilla Martins - http://sugar-dance.org

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  7. Adoro o Cão dos Baskerville *--* Ah, levando em consideração a proposta da máquina, eu não esperava outra coisa além disso. Acho que é uma boa oportunidade pra pessoas que realmente não tem condições de adquirir novos livros... Gostei da iniciativa. a tendencia é de me melhora né? Mas até que você conseguiu se dar bem hein? ^^
    beijos

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  8. Acho que a maioria dos livros que as pessoas colocam são ou mais antigos, ou exatamente, mais chatinhos. Eu estava com bastante vontade de ir, mas pelo visto não ia dar muito certo né

    xx carol

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  9. Não sabia que as suecas entendiam de moda... bom saber HGKFJHKFHGFJK

    Tem post novinho no meu blog, visita lá ;)

    Bjonas e fique com Deus <3

    Camilla Martins - http://sugar-dance.org

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  10. Ah, eu fiquei com tanta vontade de ir conhecer essa máquina! Mas descobri em cima da hora :/ Pelo menos, tô mais animada para a Bienal, porque a de 2010 foi tão chatinha...
    Acho que essa máquina poderia passar por vários lugares :D
    Beijos!

    qualquerlink.blogspot.com

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  11. Amei o post sobre nossa aventura cultural-literária.Que bom que gostou dos livros,já começou a ler??

    bjos!

    ps:Mal posso esperar pela Bienal!

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  12. Acho a ideia da máquina sensacional, por mais que alguns livros decepcionem um pouco. Pena que tenho um apego grande aos meus livros e não consigo trocá-los (e muito menos doá-los). Feio, eu sei.
    O Cão dos Baskervilles parece ser interessante, tenho ele em casa mas não tive tempo de ler ainda. E tô animada com a Bienal, considerando que é a primeira vez que eu vou :D

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