Fale-me de você

Doutora Frida me compreende

Juro para vocês: não sou o tipo de pessoa que consegue falar sobre si mesma. Na verdade, sempre que eu preciso escrever o Sobre Mim no blog, um eterno vácuo se apodera da minha cabeça e impede todas as minhas funções cognitivas de funcionar. E por mais que eu escreva algo, sempre acho que não está bom. E isso, de certa forma, se aplica para minha vida.

Sou daquelas que uma hora ou outra atrai pessoas que adoram falar sobre suas vidas. Não tenho nada a reclamar sobre isso, afinal, não tenho muito que falar sobre a minha, então só resta ouvir. Ouço sobre tudo. Desde problemas pessoais até a comida do cachorro. E apenas aceno ou falo coisas clichês como “Acalme-se, tudo vai melhorar” ou “Veja por outro lado”. E é incrível como muitas pessoas se contentam só com isso. Já recebi vários olhares agradecidos como se eu fosse a psicóloga mais perfeita do universo. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando. Não sou uma psicóloga. Mas às vezes uma inspiração lá do fundo surge em mim e acho alguma frase de impacto muito mais convincente que aquelas clichês. Já ouvi várias vezes as pessoas dizendo que eu sei das coisas. Mas a verdade é que não sei de absolutamente nada.

O problema é quando chega a pior parte, aquela que a pessoa já contou absolutamente tudo para você e espera sua contribuição. Isso mesmo, a pessoa espera sua vez de contar seus problemas, talvez para não se sentir tão miserável ou simplesmente para mostrar que também sabe consolar. Quando percebo que isso acontece, eu simplesmente tento contornar a situação... “Ah, o dia está lindo, não é?”. Não é nada convincente, mas é um modo de dizer: “Desculpa, eu realmente entendo seus problemas e sua necessidade de expô-los, afinal não é bom guardar para si, mas não me sinto a vontade contando os meus”.


E dá para contar nos dedos todas as vezes que alguém falou que guardar para mim as coisas não é bom. Já ouvi até falar que dá câncer. Mas eu não vejo nenhum ponto positivo em sair contando tudo que vem a minha cabeça porque:

a) As pessoas sempre vão falar as frases clichês, que eu claramente já conheço;

b) Não vai ser a solução dos meus problemas;

c) Ninguém realmente está interessado por mais que pareça.

É claro que teve situações que as pessoas se aproximaram de mim e perguntaram o que estava acontecendo, alegando que não falo muito sobre minha pessoa. Mas, novamente, quando tento falar algo, Caos surge de um buraco negro e se abriga em minha mente obscurecendo e destruindo qualquer ordem nos meus pensamentos. “Ah, nada. O que você quer que eu fale sobre mim?”. E é claro que ninguém sabe o que realmente quer saber.


Esse tipo de coisa é quase igual quanto chorar em lugar público. Por exemplo, quando alguém chorava na sala de aula, um bocado de pessoas se aglomeravam ao redor da pessoa tentando “consolá-la”. Graças aos céus percebi que isso não acontece na faculdade quando alguém chora, pelo visto, as pessoas amadurecem.

O negócio de chorar na escola era a coisa mais chata do universo e juro que odiava quando era necessário. Porém, as outras pessoas choravam aos montes e não as julgo por seus problemas, afinal elas estão certas. O que é errado é aquela tosca aglomeração de “bons samaritanos” em volta da pessoa. Gente que você nunca conversou ou o que odiava, de repente encarnava a Madre Teresa de Calcutá e estava lá, perguntando: “Por que choras, pobre criatura? Conte-me teus problemas e irei curar tua alma, pobre mortal”.
 
A verdade é que ninguém estava interessado em “curar tua alma”, (além dos amigos mais próximos, claro. Mas eles não curam sua alma, em vez disso fazem você rir loucamente e esquecer qualquer problema. Essa é a diferença) e sim em saber o motivo. Pura curiosidade humana. Igual quando alguém sofre um acidente de carro e surge um monte de pessoas querendo ver o que aconteceu. Por mais deprimente ou nojento que seja ver um crânio esfacelado no chão, ninguém consegue desgrudar os olhos daquela atrocidade. É mais forte do que qualquer pessoa. É preciso captar qualquer detalhe e informação.

Por isso, quando alguém chorava, eu nunca sabia (e nem sei) o que fazer. Penso se a pessoa é igual a mim, prefere ficar sozinha, pensando e tentando encontrar alguma solução. Ou prefere um abraço e um “Vai ficar tudo bem”. Se é um amigo próximo, geralmente opto pelo último. Se não é, quem sou eu para me intrometer em algo que não me diz respeito? É, talvez eu seja meio fria.

De qualquer forma, esse ano eu chorei na faculdade. Por causa do meu celular perdido, como vocês bem sabem. E quer saber? Foi até legal todas minhas amigas me falando que ia ficar tudo bem e que eu devia ficar calma. Mas, porque, é claro que tudo ia ficar bem, era apenas um celular. E sobre todas as outras coisas? Nunca ninguém vai saber. Mas quem se importa, afinal? O dia é muito tedioso para ficar gastando com lágrimas. Vamos dançar!


Obs: A Doutora Frida é de uma série brasileira MUITO boa chamada Adorável Psicose. Você morre de dar risada.

9 Comentários:

  1. Só ligam pro celular essas pessoas da faculdade haha
    Se você fosse de virgem até entenderia, as pessoas só em dizem que o meu signo é assim e blábláblá, contar o que acontece pra gente é muito chato por ser uma coisa que só você entende e vive naquele momento isso é o que não compreendem. Prefiro chorar sozinha no canto sem ninguém incomodar :P

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  2. Me vi totalmente no seu post, inclusive eu estava exatamente pensando nesse tipo de coisa. Eu atualmente tenho um certo pavor em contar as minhas coisas pras pessoas porque eu sempre tenho a impressão de que elas não estão interessadas em me entender, só em saciar a curiosidade.
    Chorar na escola era péssimo mesmo, porque vinha aquele monte de gente atrás querendo saber ¬¬ Uma vez tive um problema sério e meio mundo começou a especular o que tinha acontecido. Péssimo.
    Atualmente, prefiro ficar no meu canto sofrendo as mazelas dessa vida sozinha.
    Acho que procurarei a série que você indicou no post, parece interessante!

    Beijos!

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  3. Preciso mandar esse post pra alguns amigos, sério. Eu não tenho problemas em falar sobre mim, aliás, eu adoro falar sobre mim, só não falo sobre meus problemas. 1: Geralmente ninguém pode ajudar, então contar não vai resolver, 2: Eu odeio ouvir os "clichês", 3: Eu não sinto alívio nenhum. Por causa disso meus amigos vivem dizendo que eu deveria confiar mais neles e contar o que acontece comigo, mas acho desnecessário, simples assim.
    E sobre ouvir os outros, eu detesto. Não tenho o menor interesse sobre a vida alheia a menos que eu realmente goste da pessoa, mesmo assim eu não gosto de ouvir sobre os problemas delas. Por causa disso dizem que sou um cubo de gelo com pernas, mas só acho que certas coisas você enfrenta sozinho.

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  4. Oie...
    Adorei seu post...seu blog... tudo kkk
    confesso que eu as vezes sou um pouco psicóloga tbm mais e os meus problemas quem resolve?kkk pq as pessoas não me ajudam em nada e eu não sei praticar essa arte em mim serio!kkkk
    Amei todo o texto e me identifiquei com algumas partes =]
    Tem resenha nova lá no blog, quer ler?
    http://falleninme.blogspot.com/ Desde já obrigada!

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  5. Estou viva *ngm se improta*

    CAHAM, já te disseram que você é uma EXCELENTE cronista? Isso me lembrou muito o Érico Veríssimo, cara. Morri de ri e me identifiquei com cada pedaço e AMO DEMAS adorável psicose. Choro um nilo de tanto ri.

    Mermaid Box

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  6. As vezes eu não sei se choro muito em público porque sou egocêntrica ou emotiva haha Mas o fato é que curtia muito falar sobre mim, e isso foi diminuindo com o passar dos anos. Sei lá, acho que estou seguindo a mesma lógica sua: não vai resolver nada mesmo...

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  7. HAHAHAHA SENSACIONAL, Dasty! Porque eu poderia ter escrito esse post (e ia escrever um bem parecido esses dias). Deve ser por sermos blogueiras, já pensou nisso? As pessoas SEMPRE me falam "Ah, você escreve tão bem... posso desabafar contigo?". Eu nunca vejo a relação, mas tudo bem. Elas sempre acham que eu entendo muito de amor, da vida, das amizades. E, cara, na verdade, não entendo muito mais do que ninguém!
    Sempre me pegam pra psicóloga e eu nem recebo pra isso. Quando eu quero desabafar com alguém, são raros os que realmente se importam (só amigos próximos, como você disse). Não é fácil, viu? E eu só continuo ouvindo problema e mais problema porque não consigo dizer NÃO pras pessoas. Não dá, tenho trava.

    P.S. Finalmente te linkei no meu blog! Sem linkar, eu sempre esqueço. E seu blog é adorável demais pra eu esquecer <3

    Beijos

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  8. Sou daquele tipo de gente que quando escreve sobre si mesmo escreve tragédias ou gostos, acho que nem sei quem eu mesma sou!

    @littlepistols
    http://portifoliodasletras.blogspot.com.br/

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  9. Também nunca gostei MT de falar da minha vida, mas consigo isso no blog. Até de mais, na verdade, eu falo muito de mim no blog RS
    Sei como é não ser bom em consolar. Mas não sei como é chorar na escola RS, eu quase nunca choro. E concordo com o que vc diz sobre as pessoas, a humanidade adora se aglomerar em volta de desgraça.por mais q eu não veja nada de tão ruim em um crânio esfacelado. Haha

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