À procura de uma festa junina

Se há uma festa que eu realmente gosto é Festa Junina. Natal, Ano Novo, Páscoa e até meu aniversário estão na minha lista de datas comemorativas que podiam ser dispensáveis. O motivo é simples: são datas tristes para mim. E eu tenho meus motivos para isso, mas não quero explicar. Talvez algum dia, quem sabe. De qualquer forma, até Carnaval eu gosto. É uma data feliz também, mas nem sempre, porque às vezes ela me entedia. Sabe como é, eu não gosto muito de ficar dançando “Ai se eu te pego”, então na maioria das vezes fico na arquibancada sonhando com os sanduíches das barraquinhas e assistindo as pessoas enlouquecendo.
Festa Junina é diferente. Talvez eu goste tanto dela porque nem sempre a comemoro. Se nessa época do ano calha de eu ir para o interior, então eu provo de uma bela festa com direito a vinho quente, quentão, maçãs do amor, doces feitos de amendoim ou milho e é claro churrasquinho suspeito. Então tem aquelas musiquinhas sertanejas bregas que são bem mais legais que alguns sertanejos universitários e tem toda aquela encenação de casamento, com pessoas vestidas de caipiras. E eu até acho legal aqueles vestidinhos de caipirinhas. Acho uma festa tipicamente brasileira bonitinha.
Mas, se fico em São Paulo, o negócio é crítico. Eu sei que deve ter um bando de festas juninas pela cidade, só que não tenho disposição para ficar procurando uma decente. Então, a única que resta é da minha escola, ou melhor, antiga escola. O negócio é que a festa junina da minha antiga escola não se encaixa no quesito “festa junina decente”, porque aquilo é basicamente uma festa comercial e não cultural. O que eu quero dizer é que você encontra lá batata-frita, yakissoba, sorvete, fondue, entre outras coisas e nada de maçã do amor. Até alguns anos tinha morangos e uvas cobertas por chocolate, mas acho que ficou mais fácil substituir por fondue. Não que eu não goste dessas coisas, porque eu adoro. Mas quando se vai para uma festa junina, você espera comer comida de festa junina.

Imagem meramente ilustrativa da minha pessoa comendo. Pode ou não condizer com a realidade.
Por isso, acabei não indo esse ano. E não é só por minha frustração com comida. É porque desde que eu tinha uns treze/quatorze anos, nenhuma festa junina mais foi decente. A casa das bruxas que jogava sagu na sua cabeça sumiu. A prisão também foi substituída por qualquer coisa besta. E outras barraquinhas nada a ver forma inventadas. E o negócio legal da festa junina é não ser politicamente correto. É você mandar correio elegante zoando a cara do amiguinho encalhado (já fizeram isso comigo, todos choram), é você gastar todo seu dinheiro para ver seu amigo preso e rir da cara dele, é você receber sagu na cabeça ou enfiar a mão em gelatina para tirar surpresinhas e no final encontrar aranhas nojentas e achar tudo aquilo bacana.
Outra coisa que gosto em festas juninas no interior é leilão. É sempre legal porque meus parentes acabam bebendo demais e arrematando coisas variadas e inúteis por preços bem acima do que aquilo valia. Lembro-me de serem arrematados leitões e frangos assados, bolos, doces e até animais bem vivinhos. Uma vez, para vocês terem uma ideia, meu pai arrematou um bode para mim. Mas fui eu que pedi. Porque eu o vi ali com cara de coitado e foi amor à primeira vista: eu precisava de um bode. Eu já tinha um pônei, por que eu não podia ter um bode?

Veruca Salt queria um ganso que botava ovos de ouro. Eu queria apenas um bode.
Sem falar, que, além disso, ainda há bebidas. Não sou alcoólatra, nem nada, mas adoro vinho quente. E até ontem eu odiava quentão, até meu pai fazer o quentão mais maravilhoso do mundo. O negócio era tão bom que você sentia seu coração aquecido como as bebidas dos elfos nos livros do J. R. R. Tolkien. As bebidas são doces, quentes e você se sente uma pessoa melhor só de prová-las. Não que você se torne uma pessoa melhor. Mas em uma época fria como essa, nada como bebidas quentes.
E novamente voltamos à comida. Comida de festa junina é a mais fantástica de todas. Sinceramente, não se compara ao chester (ou peru, mas não lembro se já comi algum, porque para mim é tudo a mesma coisa) do Natal. Por exemplo, eu sou apaixonada por pinhão. Apesar da trabalheira toda para fazer e descascar o maldito, acho que vale super a pena só para prová-lo.
E festas juninas para mim devem ser realizadas à noite. Porque a cidade se enche de luzes e às vezes há alguns balões também (mas isso virou ilegal, então não se vê mais tantos). E tem a fogueira. Nunca me arrisquei a pular uma delas pelo simples fato que é óbvio que vou ser incinerada na primeira tentativa. É cientificamente provado minha falta de sorte.
Mas é isso que é festa junina. Eu não quero que as pessoas se esqueçam disso. Eu não quero que ela suma, ou seja, transformada como aconteceu como Carnaval. Ou pior que ela seja “globalizada”. Afinal, é só pegar o telefone e ligar para uma rede de fast-food, que logo você tem yakissoba em casa. Mas alguém conhece alguma rede de maçãs do amor? Duvido muito. Mas se conhecer, ficaria agradecida se enviasse o número por comentário. Não comi uma maçã do amor até agora e estou frustrada.


Obs: Se alguma aranha se sentiu ofendida ao dizer aranhas nojentas, peço desculpas. É que aranhas de plástico com gelatinas são nojentas. Eu adoro aranhas. Tanto que estou procurando um anel de aranha. E só tem um na minha cabeça que vi no centro de São Paulo que custa uns 300 reais. É muita tristeza para uma pessoa só.

9 Comentários:

  1. Hahah eu também adoro festa junina, eu imaginava que as festas juninas do sul do país não eram a mesma coisa que as daqui do nordeste, mas não muda muito. O que importa é a tradição, pra mim as festas juninas são as mais inocentes em relação as outras e eu também adoro a comida.

    Faz um tempão que não como maçã do amor :(

    Beijos!

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  2. Bom, festa junina, aqui, em Portugal, é meio diferente. Tem fogueira, também, mas é diferente.
    Confesso que não acho muita graça, pelo menos não em Lisboa... No Porto, já é mais interessante, pois lançam fogos de artifício na margem do rio e fica muito bonito...
    Mas, no geral, é uma multidão imensa de gente, tudo bebendo cerveja e comendo sardinha assada no meio da rua (risos)... É claro que tem as músicas e os lugares menos populares, mais calmos, mas esse é o S. João típico da cidade do Porto.
    Beijinhos

    http://b-lieve.net

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  3. Nunca tive sagu em festa junina '-'
    e eu ainda estou pensando que talvez seja ar em vez de água haha
    Nine é muito bom! E agora comecei a adorar a amante do picasso haha

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  4. Sou do interior da Bahia, então São João é meio que um must aqui haha Minha cidade é grande demais para ter um São João realmente grande (?), mas sempre tem as festinhas isoladas cheias de comidas típicas etc etc, e sempre que dá vou pro interiorzão *_* É realmente uma festa adorável...
    Então, quanto ao livro, eu comprei, mas aqui tem torrent para fazer download em inglês (não foi traduzido ainda pro português) http://thepiratebay.se/torrent/6774146/[EPUB]_[MOBI]_Veronica_Roth_-_Divergent Tá em formato Epub, mas é facinho achar leitores de epub (tipo o calibre) por aí :D

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  5. Por mais que tenha comidas gostosas e muita alegria, não consigo gostar de festas juninas... Em parte porque não gosto de ficar cercada de pessoas, e também talvez seja porque meu aniversário é justamente nessa época, então meio que tenho trauma de temas assim.

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  6. Cara, eu lembro que desde pequena eu sempre amei festa junina e aqui pro sul tem muitas que são bem decentes (falo sério, até a festinha de escola mais fuleira vende pinhão, quentão e maçã do amor por aqui). Mas³ teve uma época negra da minha vida, entre os 12 e 15 anos, que eu ODIAVA festas. Achava mico, batia o pé e não queria ir de jeito nenhum, e a minha mãe coitada tinha que me arrastar quase pelos cabelos (de trancinha) até o local da dita festa.

    Hoje eu me arrependo. Passada a fase do mico o meu amor por quentão e cachorro quente duvidoso só aumentou e atualmente eu envergonho minha irmã publicamente quase todo ano, aparecendo nas festas da escola dela e comendo feito uma porca OM NOM NOM. *-*

    taiyounorakuen.blogspot.com

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  7. Ah meu Deus, que amorrrrr. <3
    Também adoro festa junina, mas é muito raro ver uma que conserve as tradições e que dê certo, até porque hoje em dia as pessoas estão tão sem, sei lá, "espírito" pra esse tipo de coisa. Vão a um show de forró, vestem xadrez e pronto, tudo lindo. Quanto a esse tipo de comemoração eu gosto de ser bastante tradicional, gosto dessas coisinhas simples mesmo, meu sonho era que tivesse uma festa toda elaborada na minha rua/bairro, minha mãe disse que antigamente vinha muita gente pras festas juninas daqui, era só sucesso e todo mundo brincava lindamente, mas mataram alguém, ou algo do tipo, e acabou com tudo. Também adoraria fazer uma festa assim aqui em casa, ia ser um sonho, mas o povo fica se estressando pro qualquer coisa, faz de tudo um problema, aí não dá certo.
    Ah Dasty, você não é a única que tem uma relação amorosa muito forte com comida, eu não sei o que seria de mim sem ela, não consigo ficar muito tempo longe e o sentimento só aumenta. ♥
    Também nunca pulei uma fogueira pelo mesmo motivo, sou um desastre ambulante e odeio hospitais.

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  8. adorei seu jeito leve de escrever, é tão espontâneo que a nossa risada sai sincera conforme você escreve, sabe?
    também adoro festa junina, principalmente as comidas, bebidas pra mim não são tããão legais porque eu não curto álcool, mas aí é meu lance estranho de gosto. haha
    aqui em sp tudo é caro!

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  9. Eu não sou muito fã de Festa Junina, mas até que seria legal ser incinerado por uma fogueira *--* Eu gosto mais é de colocar gente na prisão!! ~le policial o3o

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