A Rua das Ilusões Perdidas

Talvez muitos de vocês já tenham lido O Cortiço de Aluísio de Azevedo. Li esse livro no começo do ano passado e não gostei muito. Algumas partes me agradaram, mas achei a história um pouco maçante. De qualquer forma, vocês já devem ter ouvido falar que o personagem principal do livro não é Rita Baiana, João Ramalho, Jerônimo ou qualquer uma das dezenas de personagens, e sim o cortiço em si. Isso também acontece no livro A Rua das Ilusões Perdidas, de John Steinbeck, onde o personagem principal é a Rua Cannery Row, na qual vivem diversas personagens. Porém, ao contrário de O Cortiço, eu simplesmente amei esse livro. Acho que amar ainda é pouco.
Queria fazer uma sinopse, mas não há muito a dizer. O livro não tem suspense, nem aquele clímax que se espera e é comum. Cada capítulo relata um pouco da vida dos moradores de Cannery Row e em nenhum momento achei aquilo chato. Cada detalhe e mania dos personagens deixam a história mais rica. Ah, e algo importante: grande parte deles é marginalizada. Vagabundos, prostitutas, garotos abandonados, famílias desestruturadas, pessoas que normalmente olhamos torto ao ver na rua, ganham papéis importantes e mostram-se boas pessoas.




“Os habitantes são, como disse o homem certa ocasião, “meretrizes, cafetões, jogadores e filhos da puta”, pelo que se referia a Todo Mundo. Se o homem tivesse olhado por outro ângulo, poderia dizer “Santos e anjos, mártires e abençoados” e estaria significando a mesma coisa”.



O autor mostra o lado mais humano dessas pessoas. Apesar delas não serem um exemplo e estarem longe do politicamente correto, através da leitura você compreende as suas ações. E os personagens são cativantes! Eu acho que não desgostei de nenhum deles. Alguns acabam ganhando mais destaque do que outros, mas todos tem sua importância significativa naquela estranha rua.
Vou falar um pouco dos personagens.
Primeiro nos deparamos com Lee Chong, um chinês dono de um mercado pequeno, mas que é atulhado de coisas, onde você pode encontrar tudo que quer. Depois somos apresentados a um grupo de vagabundos constituído Mack, Jones, Hughie, Eddie e Hazel que vivem em um galpão de Lee Chong apelidado de “Palace” (eles foram meus personagens favoritos na história). Dora, a cafetina dona da Bandeira do Urso, uma mulher com cabelos alaranjados que é considerada uma grande mulher e que às vezes é filantrópica. Um chinês misterioso que é visto sempre indo ao mar quando começa a escurecer e só volta de manhã. Doc, um biólogo marinho que captura animais para enviar a outros estudiosos e possui um laboratório. Henri, um pintor/artista que sabe mais de arte na teoria do que na prática e está há dez anos construindo um barco. O Sr. E a Sra. Malloy que moram em uma caldeira abandonada em um terreno baldio (e ainda alugam o lugar para outras pessoas dormirem. Achei sensacional essa parte). Frankie um garoto que adora Doc, mas é meio problemático. Mary Talbot, uma mulher casada que adora festas e vive conversando com gatos.
John Steinbeck
Ufa! São tantos personagens e ainda faltam alguns, mas achei esses mais importantes e marcantes. Há mais detalhes deles no livro e você acaba conhecendo um pouco mais da vida deles. Já há outros que sempre vão ser um mistério, não há muitas informações.
De qualquer forma, o principal enfoque do livro é em uma festa surpresa que Mack e seus amigos querem dar para Doc, o biólogo marinho, por este ser um cara bacana. Só que o bando é meio atrapalhado e muita coisas ruins e boas acabam acontecendo nessa empreitada.
Indico esse livro mil vezes! Adorei a história, os personagens, a Rua Cannery Row e também a descrição de John Steinbeck. Vai para minha lista de livros favoritos.

Obs: Não julguem esse livro pela capa. Ele é muito melhor do que aparenta.

6 Comentários:

  1. De Steinback, li As Vinhas da Ira, que é brilhante. Brilhante mesmo. Adorei O Cortiço, embora ler para a escola (embora nacessário) tire a magia da coisa...

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  2. Eu confesso que não li o cortiço mas minha amiga abandonou (agente sempre faz brincadeiras com ela do tipo "Ah a Rê abandonou o cortiço, ela não leva mais essa visa" kkkk)Mas voltando a resenha, eu gostei bastante do que vc falou! Gosto da ideia de a rua ser o personagem principal, parece um livro bem realista e com personagens marcantes ;)
    É sempre bom ler algo que tem um ritmo bom e que não tem momentos chatos, com certeza é um livro q eu quero ler!!!

    Ah com certeza "A Vida em Tons de Cinza" é um grande livro, ele é lindo e triste sim! Se vc tiver oportunidade leia ;)

    Tem post novo lá no blog, quer ler?
    http://falleninme.blogspot.com/ Desde já obrigada!

    -PatyScarcella

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  3. Eu lembro de ter achado O Cortiço um nojo quando eu li >: Especialmente a parte com o coelho --' Acho que o fato dos personagens serem cativantes faz toda a diferença. Eu não tinha conseguido sentir simpatia por nenhum :T

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  4. Até achei a capa interessante!
    O Cortiço não foi meu livro preferido durante a escola, mas quem sabe né? Tem que dar oportunidade =)

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  5. Eu nunca li O cortiço. Nunca, nunca, nunca. Tentaram me obrigar a fazer isso na escola, mas não rolou, me tira o tesão ter que ler qualquer tipo de livro sendo obrigada. Então não tenho a menor idéia se eu gostaria ou não dele, haha. :x

    Mas eu achei a história de A rua das ilusões perdidas bem legal, adoro histórias atulhadas de personagens e esse lado mais "marginal" sendo mostrado (marginal sendo o que vive às margens, não no sentido perjorativo, pls).
    Vou procurar nos sebos daqui pra comprar. ^^

    taiyounorakuen.blogspot.com

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  6. pena não ter lido o Cortiço
    mas,já ouvi falar. e parece que o "cortiço" é um personagem. ao menos, nas interpretações que vi.
    seria esse autor do qual você fala um novo autor "realista".
    Blog Abs

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