The Breakfast Club (Clube dos Cinco)


Caro Sr. Vernon, aceitamos o fato de que nós tivemos que sacrificar um sábado inteiro na detenção de tudo o que foi que fiz de errado ... e o que fizemos foi errado, mas acho que você está louco para nos fazer escrever este texto dizendo-lhe o que pensamos de nós mesmos. Que te importa? Você nos enxerga como você deseja nos enxergar ... Em termos mais simples e com definições mais convenientes. Você nos enxerga como um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso. Correto? Essa é a maneira que nós víamos, às sete horas desta manhã. Passamos por uma lavagem cerebral.

Sabe quando parece que algo está te perseguindo? Quando você olha em qualquer lugar e parece que todos estão falando desse mesmo assunto? Foi o que aconteceu comigo quanto ao filme The Breakfast Club, ou Clube dos Cinco. Vi em vários blogs aleatórios, mas foi a resenha da Layn que me ganhou. Baixei faz um bom tempo, mas só agora tomei a iniciativa de assisti-lo. Só não me arrependo de não ter assistido antes porque talvez esse seja o momento certo.

Afinal o que se pode esperar de um filme dos anos 80? Além da trilha sonora incrível? E daquelas histórias americanas clichês que surgiu naquela época e nos embala até hoje? O Clube dos Cinco está longe de ser aquele filme adolescente clichê, na verdade, ele é daqueles que dá vontade de você fazer algo por você e por sua vida. Às vezes é um tapa na cara, dá vontade de chorar, outras vezes você não para de rir. É um filme delicioso de assistir.

A história é bem simples. Cinco adolescentes vão parar na detenção que acontece nos sábados, presos em uma biblioteca onde precisam escrever uma redação sobre o que pensa de si mesmo. Alguns você já descobre o motivo logo de cara porque estão ali, outros vão sendo explicados ao decorrer do filme. O importante é que cada um deles é diferente e tem um rótulo específico que não só é dado pelos alunos, como também pelos professores.

Claire Standish é considerada a princesa da escola. Típica patricinha popular que parece ter tudo que quer. Obviamente foi parar na detenção por um motivo fútil, mas aos poucos vamos conhecendo-a e vendo que ela não é tão ruim quanto aparenta, na verdade, achei-a incrível.

Andrew Clark é o atleta e também típico personagem principal. Porém, ao contrário do que vejo em muitos filmes, ele não é babaca. Na verdade, Andrew foi um dos personagens que mais me sensibilizou, principalmente ao contar o motivo de estar na detenção. Ele acabou sendo um dos meus favoritos. Ele, como todos, tem também seus problemas, um deles é o pai exigente.

Brian Johnson é o nerd. Está em clubes acadêmicos e praticamente vive para tirar notas altas. Meio desajeitado e engraçado, ele foi outro personagem que me cativou. O seu motivo de estar na detenção também é tão tocante quanto o de Andrew. Na verdade, os dois personagens tem muito a ver mesmo sendo de “mundos diferentes”.

Allison Reynolds é a neurótica. Uma garota totalmente estranha e bem amalucada. Ela se veste de maneira peculiar e nunca fala. É no Clube dos Cinco que ela começa a se interagir de verdade com as pessoas e também a contar um pouco mais de si mesma. O seu motivo de estar na detenção é o melhor de todos!

E por fim e não menos importante, John Bender, o criminoso. Apesar de irritante e arrogante, o garoto-problema é o principal motivo do Clube dos Cinco ter feito uma verdadeira mudança em cada um deles. Ele é o que mais se expõe no filme e ficamos sabendo um bocado da sua vida e também porque age de forma bruta, sempre zoando os outros. Por debaixo de toda aquela agressividade, há uma pessoa que só precisa ser compreendida.

No final, não tem como não se questionar quem você é no Clube dos Cinco. Talvez sejamos a mistura de alguns deles ou temos um pouco de cada personagem. Inseguranças, amizade, família, tudo é abordado no filme de maneira profunda e diferente de tudo que vi. Mesmo sendo parado em algumas partes e praticamente toda a história se passar na biblioteca, em nenhum momento você sente tédio. Ele entrou para minha lista de favoritos.

Young at Heart

Quando me fazem a pergunta sobre qual a parte da minha infância que eu mais gosto, meu cérebro começa a voltar no tempo como uma fita sendo rebobinada e simplesmente para em uma cidadezinha do interior com oito mil habitantes. Ela não tem McDonalds, nem shopping e as pessoas preferem Tubaína a Coca-cola. Sempre que vou lá, poderia bater o pé, fazer um escândalo e virar aquela adolescente chata que se acha moderninha e urbana, mas isso raramente acontece (só quando prefiro ficar em São Paulo estudando porque sei que não vou estudar absolutamente nada lá. E em São Paulo também, mas juro que aqui tento fazer um esforço).

Posso ter nascido na maior cidade do país, em meio a prédios cinzentos e dias chuvosos, mas parte de mim ainda pertence aquele lugar verde cheio de pássaros cantando e libélulas voando sobre a piscina. É como se todo peso acumulado pelo estresse da cidade grande sumisse ao chegar a um lugar que o ar é um pouco mais puro.

Foi lá, em uma terra com alqueires limitados que construí um mundo de fantasia, vivi altas aventuras e ainda realizei sonhos. Por exemplo, com seis anos ganhei um pônei. Eu era apaixonada por cavalos e só de pensar em ter uma versão adequada ao meu tamanho, simplesmente me senti a criança mais feliz do mundo. Ainda por cima ele tinha uma mancha branca na testa castanha que minha mãe falava que era uma estrela. Eu tinha um pônei mágico!

Andar nele era minha maior diversão, mas eu também gostava de sentar ao seu lado e dar bolachas de chocolate em forma de coração para ele comer. Mesmo sabendo que era proibido. Acho que se ele viveu todos esses anos foi por causa das bolachas.

Outra invenção minha era a de que o Coelhinho da Páscoa morava na minha chácara. Eu até sabia onde. Do lado de uma jaqueira havia uma pedra grande que provavelmente escondia sua toca. Para minha infelicidade, ao levantar a pedra, descobri que não havia buraco nenhum. Ele era mais esperto do que eu pensava!
E a vez que o Papai Noel comeu o panetone que deixei para ele? Não só isso, como deixei um casaco para ele se aquecer porque estava chovendo e quando cheguei para dar uma olhada, ele estava molhado! E o panetone havia sumido! E havia meias cheias de doces na churrasqueira (aqui no Brasil temos que ser criativos, não é mesmo? Chaminés para quê te quero?).

E eu acreditava piamente nisso. Principalmente quando tinha onze anos e achava que iria receber minha carta de Hogwarts. Com certeza eu era uma bruxinha, não tinha dúvidas quanto a isso. Obviamente Hogwarts esqueceu-se de mim. Ou melhor, descobri recentemente que a escola de bruxaria só aceita pessoas da Grã-Bretanha. Droga! Esse é o motivo mais plausível para eu não ter sido escolhida.

Tudo bem, com bruxaria ou não, eu consegui usar minha imaginação para transformar um pouco meu mundo em mágico. A enorme paineira do sítio da minha avó transformou-se em Salgueiro Lutador. Mas ele era bem simpático e deixava meus primos e eu colocar um balancinho em seus galhos. Era a coisa mais cheia de adrenalina que andei. Era uma delícia quando conseguíamos balançar bem alto. E o perigo estava na possibilidade da corda arrebentar e quebrarmos nossos pescoços. Mas isso nunca aconteceu.

E a goiabeira? Ela era nossa nave espacial antes de nós acharmos a charrete de meu avô. Nós subíamos até os galhos mais altos e ficávamos balançando. Tinha até uma bifurcação que lembrava o controle de uma nave. Depois nos mudamos para a charrete e cada um de nós foi batizado com o nome de algum personagem de Star Wars.

Se não éramos alienígenas e mochileiros das galáxias, nós éramos exploradores. Íamos até a floresta mais próxima e a desbravávamos! Atravessamos rios até chegar ao outro lado e descobrimos que o mundo era muito maior do que imaginávamos. Todo dia era uma brincadeira diferente. Quando nos cansávamos do lado mais naturalista da vida, íamos até a cidade saciar nossos coraçõezinhos capitalistas (ou comunistas?) com potes de sorvetes que dividíamos entre oito primos. E apesar de termos crescido, continuamos fazendo isso sempre.

E se não havia sorvete, havia uma imensidão de frutas. A temporada das amoras era a melhor. De branquinhos, voltávamos sujos de vermelho sangue, com lábios avermelhados e ainda com muita vontade de comer aquelas frutinhas pretas. Para nossas mães, essa temporada era um horror, afinal amora mancha. Elas preferiam a temporada da jabuticaba ou da pitanga.

Quando finalmente a noite chegava, a alegria não acessava. Se não eram os contos de terror que nos impedia de sair por aí, nós atravessávamos a escuridão para nos esconder enquanto alguém nos procurava. Esconde-esconde de noite era muito melhor do que de dia. Porém, se já fosse tarde e precisávamos dormir, ainda ficávamos madrugada adentro conversando e rindo. Novamente para o desespero de nossos pais que queriam dormir.

O dia nascia e tudo recomeçava de novo. Até as férias acabarem e todos termos que ir embora, cada um para seu canto, para sua cidade, deixando todos com aquela tristeza e gostinho de quero mais. Porém, todas férias ou feriado, lá estamos lá de novo. Não importa se temos 18 anos ou 10. Tudo é como sempre foi. Somos crianças eternas.

Se sou criança até agora é por causa disso. Porque ainda levo no coração cada momento incrível que passei na melhor época da vida. Crescer? Juro para vocês que nunca tive vontade. Se Peter Pan aparecesse e me quisesse levar para a Terra do Nunca, eu iria. Porém, resigno-me a ficar nesse mundo, porém, minha criança interior nunca morrerá. Nunca deixe a sua morrer também.


Esse texto faz parte da blogagem coletiva promovida no Depois dos Quinze

Nyah Fanfiction is dead. For me.


Tive uma péssima notícia hoje. O site em que posto minhas fanfics excluirá todas as fanfics de bandas até o fim do ano. Não sei realmente o motivo, mas pode ter algo a ver com direitos autorais, afinal estamos usando pessoas reais em uma histórica fictícia. O negócio é que não só minhas histórias vão para o saco como todos os comentários e indicações lindíssimas que recebi das mais variadas pessoas.

Por isso, decidi tomar uma providência. Sei que muitas pessoas que acessam o blog, não leem minhas fanfics, mas também recebo visitas de pessoas que leem. Não vou postá-las aqui, na realidade, ainda não faço ideia de onde vou repostá-las. Algumas fãs de Tokio Hotel já se movimentaram parar criar um fórum para isso. Porém, pensei em criar um blog só voltado para minhas histórias. O principal agora é que eu não perca contato com quem as lê. Por isso, criei um formulário.

Se você lê minhas fanfics e quer ser avisada sobre quando irei postá-las e também sobre a continuação de Humanoid Chronicles, por favor, preencha o formulário abaixo. Deixe seu e-mail e nome e, se quiser, suas redes sociais. Também irei avisá-los sobre outras coisas (suspense, há!).



Agradeço de coração por todos os comentários, e-mails, tweets, entre outros que me mandaram. Sempre repito a mesma coisa, mas vocês não fazem ideia do quanto me deixa feliz saber que alguém gosta das histórias que escrevo. Também irei tirar print de todos os comentários e indicações que recebi. Vou guardá-los muito bem pare lê-los e relê-los sempre que precisar de inspiração. O Nyah morreu para mim, não há mais nada que me prenda aquele site. Mas talvez sua morte seja uma forma de eu sair do conforto e fazer muitas coisas que planejava. Está na hora de mudar.

Não é treinamento!

RW é o nome do prédio onde estudo

Era terça-feira, segunda aula. Eu estava me decidindo entre olhar o retroprojetor e pensar na vida ou desenhar em meu caderno, quando, de repente, toca o alarme de incêndio. Todos os alunos da sala olham uns para os outros com carinhas assustadas tentando entender o que estava acontecendo.


– Será que é de verdade? – perguntou alguém para a professora.

– Acho que é – disse a professora, na lata, sem se importar muito.

Logo surgiu um segurança na porta dizendo que era apenas treinamento. Então, com a maior preguiça do mundo, nos resignamos a guardar nosso material (recuso-me a sair de um prédio em chamas sem minhas coisas. Mereço morrer queimada, eu sei) e fomos descendo molemente pela escada de incêndio.

Quando finalmente conseguimos sair do prédio, nos deparamos com uma maré de gente. Pelo menos umas duas mil pessoas, constituídas de alunos, professores e funcionários estavam lá fora se perguntando por que diabos aquela chatice toda. Tudo que queríamos era ficar em nossas salas fresquinhas em vez de ficar naquele calor infernal que acometeu São Paulo nessa semana.

A única coisa que podíamos fazer agora era ir ao campus comer algo, imprimir algum trabalho, o que fosse e esperar pela próxima aula. O dia seguiu normalmente.

Era sexta-feira, segunda aula. Praticamente toda a sala estava penando de sono porque ficou a madrugada fazendo o trabalho difícil que precisávamos entregar justamente nessa aula. Eu estava na sala colocando meu trabalho impresso na ordem certa quando toca o alarme de incêndio.

– Ah, não! De novo! – exclama alguém.


Todos olharam automaticamente para a porta esperando algum segurança, mas ninguém veio. Alguém comentou que dessa vez o treinamento devia ser sem os seguranças avisando para ver se estávamos espertos. Juro para vocês, pensei seriamente em ficar no prédio e terminar de ajeitar meu trabalho. Mas como todo mundo era obrigado a descer, inclusive professores, por que eu ficaria ali? Peguei o trabalho, minha pasta e minha mochila e tratei de repetir o que acontecera terça-feira.

Minha sala desceu com a maior calma do mundo e com aquele ar de aborrecido por estar passando novamente por aquela situação. Quando chegamos mais ou menos no terceiro andar, sentimos cheiro de queimado e vimos fumaça. Foi nessa hora que vi vários rostinhos assustados e percebi que aquilo não era mais um treinamento. O prédio estava pegando fogo!


Aceleramos o passo e senti que eu estava tremendo freneticamente. Um incêndio! Um incêndio de verdade! Quando cheguei ao térreo, a porta estava lotada de pessoas por causa da chuva. A maioria não sabia se enfrentava o fogo ou estragava a chapinha. Eu também hesitei um pouco porque estava com meu trabalho e não queria molhá-lo. Sim, eu sei, tenho que repensar minhas prioridades.

Apertei o trabalho contra meu corpo e saí correndo fora do prédio. Atravessei aquele labirinto de gente, entrei no campus à procura do prédio mais próximo para guardar meu trabalho. Consegui efetuar meu objetivo mesmo minhas mãos estando tremendo loucamente.

Agora eu precisava achar minhas amigas e ver como estava à situação. Voltei para o lugar onde estava a multidão olhando para o nosso prédio. Consegui localizar todo mundo e ficamos lá “aflitas” (coloquei em aspas porque nós estávamos zoando demais. Começamos a gravar vídeos entrevistando nós mesmas só que de maneira cômica) esperando saber de notícias. O incêndio não foi muito sério porque nem dava para ver do lado de fora. Também não vi bombeiros em nenhum lugar enquanto estava ali.

Uns falaram que foi no restaurante do terceiro andar que começou. Outros falavam que foram os elevadores. A última explicação foi o ar-condicionado. Só sei que naquela multidão conseguimos localizar a professora e ela disse que podíamos entregar o trabalho segunda-feira. Também encontramos o professor da última aula e ele disse para irmos embora. E foi o que eu fiz.

Soube que as aulas de noite foram normais. Então realmente não foi nada sério. Mas juro para vocês: nunca mais questiono um treinamento de incêndio. Nunca mais vou ficar de bobeira quando um alarme tocar. Sebo nas canelas se não morremos queimados!


Obs: Apesar de assustador, achei a maior adrenalina. Acho que não vou conseguir pegar o elevador por um bom tempo. Escadas são um amor.

Obs2: Desculpe a demora a postar, com incêndio ou sem incêndio, essa semana foi uma loucura do mesmo jeito.

Álvares de Azevedo - 181 anos


Desde Junho, mais ou menos, estou ansiando por esse dia só para publicar esse post. Não sei por que diabos nunca publiquei algo sobre isso antes, mas não há data melhor do que essa: 12 de Setembro. Queria escrever vários posts, porque há tanto a se falar, mas vou me segurar e tentar escrever um breve, porque ninguém aguenta mais esse assunto. Então, vamos lá. Álvares de Azevedo. Se você acompanha o blog há um bom tempo já deve ter lido sobre ele um milhão de vezes, no mínimo. Mas até agora não expliquei muito sobre ele e também meu interesse enorme nessa pessoa que nasceu há 181 anos. Se você já passou do 2º ano do Ensino Médio, provavelmente já aprendeu um pouquinho sobre ele em literatura (se você não dormiu nas aulas), se não, você vai aprender ainda.

Primeiro, vou falar dele da mesma forma que os professores de literatura falam. Então, se seu interesse nisso é zero, não durma, que depois vou dar minha humilde opinião.

Manoel Antônio Álvares de Azevedo, nasceu em São Paulo, no dia 12 de Setembro de 1831. Ele foi um jovem poeta da época do Ultrarromantismo e tinha influência de Lord Byron, Goethe, Musset, entre outros. Seus livros mais famosos são Noite na Taverna, Macário e Lira dos Vinte Anos. No primeiro livro nos deparamos com uma história bizarra que possui necrofilia, incesto, canibalismo entre outras coisas macabras. No segundo, conta-se a história de um rapaz que conhece e conversa com o Diabo. E o terceiro são poesias dele dividido em três partes, algumas poesias são cheias de sentimentalismo outras são bem mórbidas. Alguns acreditavam que ele participava de uma sociedade chamada Epicurista, na qual ele vivia uma vida de orgias regadas a bebidas e ópio. Ele morreu com apenas 20 anos, ao cair de um cavalo e “romper o intestino grosso” (não sei ao certo se rompeu, é que eu não achei nenhuma palavra para explicar de fato o que aconteceu. E até sobre isso ainda não se há tanta certeza).

O primeiro contato que tive com esse escritor foi com quatorze anos, quando uma amiga que fazia faculdade de Filosofia, indicou o livro Noite na Taverna. Foi algo muito breve e sem muito significado, mas não sei por que diabos nunca esqueci o título do livro. Ele ficou lá, guardado na minha memória até poucos meses depois o livro simplesmente parar em minhas mãos. Vou dizer metaforicamente que consegui o livro por meios não tão lícitos, mas acho que não haveria melhor forma de se conseguir algo de Álvares de Azevedo do que essa.
Então, lá fui eu toda faceira ler o livro e... não consegui terminar. Achei tudo muito lindo (apesar do tema), principalmente porque tinha tantas palavras difíceis e legais que eu não consegui entender nada. Naquela época eu ainda não tinha entrado de cabeça nos clássicos da literatura, então não estava preparada para lê-lo. Só voltei a folhear aquele livro com dezesseis anos, preparada para enfrentá-lo depois de ter lido Iracema, Cinco Minutos, Dom Casmurro e outros. E eu fui pega. Li tudinho, menos a introdução sobre a vida do autor. Eu ainda não tinha costume de ler livros de cabo a rabo, pulava introduções e quaisquer outras informações. Hoje, acho isso um crime.

Quando a professora de literatura entrou no ultrarromantismo, decidi que deveria ler de novo o livro, mas dessa vez até a introdução. Foi aí que me senti presa para sempre naquela narrativa. Álvares de Azevedo era simplesmente minha versão masculina em cada linha que eu lia sobre sua vida. É óbvio de que ele é mais célebre do que eu e também fez mais coisas do que eu fiz com a mesma idade, mas não precisam jogar na minha cara. O que eu quero dizer é que além de algumas coisas de sua biografia, seu modo de pensar era muito parecido com o meu.

Ele é chamado muitas vezes de “belo e disforme”, por causa do seu lado doce e romântico e do seu lado diabólico e macabro. Já fui chamada uma vez de doce e meiga, mas que escondia uma agressividade por dentro. Naquela hora discordei totalmente, porém, aos poucos, vi que fazia certo sentido. Não que eu me importe com que as pessoas tenham a dizer da minha pessoa. Vou mostrar a agressiva! HÁ!


De qualquer forma, além de nutrirmos o amor pela literatura e escrita, ambos perdemos alguém muito importante quando novos e isso refletiu em nós por muito tempo. E talvez foi esse o motivo de termos nos atraído pelo lado escuro da força: o mórbido, o macabro, a escuridão.

Porém, sinto em lhes dizer que aquele Álvares de Azevedo que os professores exaltam, aquele Rapaz das Sombras, o Senhor Macabro, o que seja, está muito longe disso. A ideia que se formou em minha cabeça quando aprendi sobre ele pela primeira vez é totalmente diferente da que tenho hoje depois de ler tanta coisa sobre sua vida. O jovem Maneco, como chamavam carinhosamente, era apenas um poeta/escritor incrível, um estudante dedicado e um filho carinhoso. Ele não era o jovem das orgias que bebia e usava ópio. Ele apenas escrevia sobre isso. As pessoas tem o dom de criar um mundo fantástico em volta da sua vida, porque ela é realmente misteriosa. Tudo que ele criou, foi coisas que ele vivenciou no seu próprio mundo e que muitos escritores também fazem. Não que não tenha nada de fantástico na sua vida, porque tem. As coisas que mais atraem as pessoas sobre sua biografia é exatamente isso. Álvares de Azevedo sabia que ia morrer jovem. Ele sabia que sua hora estava chegando e escreveu isso em poemas, cartas e até deixou um aviso para seus colegas da Faculdade de Direito de São Paulo. E isso se confirmou posteriormente quando ele morreu em 25 de Abril de 1852.

Já li sobre sua morte diversas vezes e de diferentes pontos de vista. E em todas senti uma imensa tristeza. O poeta que escrevia tanto sobre a morte e parecia desejá-la, quando chegou o momento, fraquejou. Suas últimas palavras foram: “Que fatalidade, meu pai!”, o que mostra que, de verdade, não queria aquilo. Outra coisa interessante é que sua mãe já sonhara várias vezes com sua morte e também com outros acontecimentos que se confirmaram posteriormente. Outra coisa que preciso que todas as pessoas gravem bem: Ele não morreu de tuberculose. É mais uma coisa errada que falam sobre sua vida. Ele morreu da queda de um cavalo, que causou o rompimento de seu intestino grosso. Fizeram uma cirurgia nele, mas, como naquela época a medicina não era avançada, ele acabou pegando uma infecção e morrendo.

Quando finalmente consegui comprar o livro Cartas para Álvares de Azevedo, um leque gigantesco de informações se abriu diante dos meus olhos. Eu consegui vê-lo de fato como ele era: humano, sem qualquer misticismo e qualquer coisa sobrenatural. Isso poderia ter feito meu interesse diminuir, mas aumentou. Parece que cada vez que eu descubro mais sobre sua vida, percebo que há mais para se descobrir. Ainda há tanto mistério, tanta coisa sem explicação!

Sobre os livros dele, vocês provavelmente se assustaram com minha sinopse direta. Apesar de parecerem assustadores, são bem diferentes do que se pensa. Indico que leiam e tirem suas próprias conclusões sobre qualquer um. Eu mesma preciso relê-los para me lembrar de tudo que pensei enquanto lia. E não levem muito ao literal, tem gente que tem mania disso: “Ah, Álvares escreveu sobre a Sociedade Epicurista, logo ele é um deles”, “Todos os escritores que morreram jovens, morreram de tuberculose, logo ele morreu também”. Já acessei diversos sites que tem tanta informação errada dele, que provavelmente ele está se revirando em seu túmulo nesse instante.

Os livros também não são para qualquer um. Tem que se gostar do tema, do jeito que se escrevia no século XIX, entre outros fatores. Mas, se até eu, uma garota que só lia chick-lit, de repente se apaixonou por clássicos de literatura, porque você também não? Quantos escritores apaixonantes não existem em nossa cultura e nem nos damos conta?

Para finalizar esse post só posso dizer uma coisa: Feliz Aniversário Maneco! 181 anos conquistando diversos leitores não é para ninguém. Espero um dia ter o mesmo talento que o seu. E que minha vida seja cheia de mistérios igual a sua. Mas com um blog público desses, nem em sonho!


Obs: Desculpe, falei que ia ser breve. Tentei ao máximo, mas não consegui. Há tanta coisa para se falar! Só espero que não tenham achado chato. Mas se gostaram, eu posso escrever mais sobre isso, se quiserem. Digam que sim.

Obs2: Se você tem preguiça de ler clássicos, aconselho a ler a história em quadrinhos que a Editora Ática lançou em 2011 de Noite na Taverna. Preciso adquirir um exemplar desses para minha coleção.

Much Better Now

Sou simplesmente apaixonada por animações. Lembro uma época que eu ficava na internet assistindo várias e até já fiz alguns posts sobre umas que gostei bem no comecinho do blog. Much Better Now é uma animação de um estúdio português chamado Salon Alpin e conta a encantadora história de um marcador de página, esquecido em um livro. Após uma janela abrir e derrubá-lo, o marcador sai da comodidade e passa a se aventurar na história do livro que estava.


Para minha surpresa, a animação é feita em stop motion, porém, nem parece de tão bem feita! Achei lindo a fotografia e tudo que usaram para dar vida ao livro e ao marcador de página. Vale super a pena assistir! Quem quiser ver como fizeram a animação, também tem o Making of.


E para finalizar, a música tema da animação se chama "They will say" do Chris And The Other Girls. Você pode ouvi-la no youtube.

Santo do pau oco

Se você começar a prestar atenção nas pessoas, notará que elas possuem dons desde os mais peculiares até os mais normais. Você já deve ter possuído um amigo que desenha muito bem, canta igual a um coral de anjos ou que conhece um computador melhor do que o Bill Gates. Ainda há aqueles com dons mais bizarros como conseguir lamber o cotovelo, virar o dedo até encostar as costas da mão ou simplesmente saber imitar algum personagem de televisão. De todos os dons que tenho (não que sejam muitos), desde os mais normais até os mais bizarros, o que eu decidi falar hoje é o de “baixar o santo”.

Não, não tem nada a ver com incorporar ou o sentido religioso da coisa, é algo mais metafórico. Vou explicar de um modo mais fácil. Por isso, vamos voltar um pouco no tempo, quando eu deveria ter uns quatorze anos e era a negação máxima em Educação Física. Um belo dia, não sei por que diabos, alguém teve a bela ideia de me colocar como goleira em handball. Simples assim. Não lembro se a goleira havia faltado ou se ela decidira jogar na linha, só sei que me colocaram naquele maldito lugar.

E isso nem era o pior. Nós íamos jogar com as meninas mais velhas do 3ª ano. Não precisava ser vidente para saber que íamos perder de lavada, afinal todos sabiam minha falta de habilidade em Educação Física. Então, lá do céu, de um mundo alternativo ou do Olimpo, surgiu o Santo dos Goleiros. Ele olhou para baixo e viu uma pobre garotinha mirrada perto da trave já morrendo de medo das boladas que iria levar. Como ele tinha um tempo livre, achou que seria legal ajudá-la e "baixou nela" (ou fez um download para os mais moderninhos).

Juro para vocês: até hoje acho que aquele dia foi um sonho ou ilusão. Eu peguei praticamente 90% das bolas que mandaram para a trave. Eu não tive medo de nenhuma e por mais que a palma das minhas mãos estivesse vermelha e latejando, eu impedia os ataques. Na verdade, eu ansiava que aquelas meninas gigantes furassem nossa barreira só para eu ter o prazer de defender.

Não lembro se nós ganhamos ou não o jogo. Só sei que todo mundo ficou impressionado comigo e logo já estavam me elegendo como goleira. O problema é que esse tipo de coisa só acontece uma vez na vida. Então, depois daquele jogo, nunca mais fui tão boa. Voltei a ser um zero à esquerda e deixava passar até bola fraquinha. Mesmo assim, aquele episódio ficou tão marcado, que por um bom tempo os times me chamavam para ser goleira, mesmo sabendo que eu voltara a ser um desastre.

Apesar do Santo dos Goleiros só ter notado minha presença naquele dia e depois ter me esquecido, existe outro Santo que me escolheu para me apadrinhar nas horas de desespero. Eu o chamo de Santo dos Atores. Não sou atriz nem nada e só fiz um semestre de teatro, mas o que eu sei e aprendi já dá para quebrar um galho.

Descobri o “baixar o santo” quando fiz uma apresentação de teatro na escola que fez os meus colegas de classe ficarem de boca aberta quando perceberam que a menina quietinha e antissocial sabia ser extrovertida quando necessário. Ou quando eu precisei dançar na frente de todos eles por conta própria, sozinha e sem música com uma coreografia montada de última hora em minha cabeça. E esses são só alguns dos exemplos.

O negócio é que atuar para mim às vezes é mais do que ler um roteiro. É sentir tudo que o personagem sente. E eu já tenho esse costume quando preciso escrever histórias. Por exemplo, esses dias precisei gravar uns vídeos na faculdade onde eu precisava cair na escada. Cair de mentirinha? Não mesmo. Eu me joguei e bati minha perna que ficou roxa e dolorida por três dias. Mas valeu a pena. E a vez que precisei chorar? Como o Vick Vaporub embaixo dos olhos não funcionou, coloquei dentro do meu olho mesmo o que me fez chorar que é uma beleza! E nem me passou pela cabeça as consequências daquilo, porque eu precisava chorar e era a única coisa que importava naquela hora.

Nas aulas de teatro que fiz semestre passado, aconteceu o contrário. Não sei por que, mas eu não me sentia bem o suficiente para me soltar lá. Todas as minhas apresentações foram meia-boca, acho que por isso abandonei. Em contrapartida, a faculdade de Publicidade e Propaganda está tendo um efeito positivo e cada vez sinto-me mais inspirada e “solta”.

Nessa semana, tivemos que fazer um rap inspirado em uma notícia para uma aula. A professora em questão é uma das mais rigorosas e cricri que já vi em minha vida. No último trabalho que tive que apresentar, ela criticou o meu jeito de ler (que é rápido demais) e a forma que meu grupo construiu o texto. Fiquei tão pê da vida que jurei que esse rap tinha que sair o melhor possível para ela não achar NADA para criticar.

Escrever para mim é algo que flui bem, porém nunca me aventurei a escrever um rap. Até poesia dá para engolir, mas rap? Então, o Santo dos Atores vendo meu desespero, chamou o Santo dos Rappers e pediu para ele me dar uma mãozinho. Então o rap saiu e achei bem melhor do que o esperado. Agora só faltava inventar o ritmo, porque tinha que ser apresentado na frente da turma toda.

Antes de eu apresentar, estava com os nervos à flor da pele. Tomei até meu remédio do coração que nunca tomo, só para ver se eu me acalmava e fiz até um exercício de respiração para relaxar*. Então, quando chegou minha hora, fechei os olhos, respirei fundo e... foi. O Santo dos Rappers baixou de novo e consegui cantar! Até fiz aqueles movimentos de mãos que os rappers fazem, porque naquele momento eu realmente precisava ser um para me dar confiança.

Quando terminou, a professora aprovara! Ela gostou tanto da minha atuação que me deu até um ponto extra! Era simplesmente inacreditável. Eu adoro esses momentos quando eu esqueço quem eu sou, quem são as pessoas que estão diante de mim e só lembro de quem eu devo ser e o que devo fazer. Quando finalmente volto ao meu estado natural é como acordar de um sonho.

O que eu falei dos santos é brincadeira. No fundo, no fundo, o que aconteceu comigo naquele dia de goleira e o que aconteceu nas outras vezes partiu de mim mesma. Apesar da insegurança, uma confiança lá no meu âmago brotou e fui capaz de fazer coisas que nem eu e nem ninguém imaginava. Não importa se foi só uma vez ou várias, às vezes nós podemos fazer a diferença. Mas depende só da gente.


*Vou ensinar o exercício de respiração para vocês! Sempre que estiver nervoso, faça que vai ajudá-lo a se acalmar. É assim: Respire por 5 segundos, prenda a respiração por 5 segundos e solte. Faça isso várias vezes. Não sei para vocês, mas comigo funciona muito. É que quando tem que ficar contando quanto tempo tem que respirar ou prender a respiração, sua atenção acaba se voltando para isso e você esquece um pouco do nervosismo.

Let me take you to Rio

Meu irmão foi para o Rio de Janeiro. Ele foi a um passeio com a escola. E eu vou ficar em São Paulo. Como minha antiga escola é religiosa, ele vai a um daqueles retiros espirituais. E ele vai conhecer as praias do Rio e quem sabe alguns pontos turísticos.

E estou putíssima.

Desculpem o palavreado, mas acho que não existe palavra para expressar o quanto estou desgostosa. Espera, olha aí, desgostosa é uma ótima palavra! Mas acho que não traduz tudo o que significa estar putíssima.

Eu até tentei fazer com que minha escola me levasse também, porque afinal sempre fui uma aluna modelo. Mas sabe qual foi a resposta? Não. É ótimo saber o tamanho da consideração que minha antiga escola tem por mim. Vou me lembrar muito bem disso quando eu virar uma escritora famosa e eles virem cheios de mimimi para cima de mim. Não, o nome da escola não vai estar na minha biografia. Nem no Wikipédia. Sou dessas rancorosas mesmo. E vingativa também.

Nunca saí do meu Estado, só saí da cidade. Meus pais não são aqueles loucos por viagens, que pegam o carro e decidem fazer um tour pelo país. Eles são bem acomodados e acham que não tem lugar melhor que nossa casa. Eu sou louca para conhecer o mundo. Só de ter conhecido uma boa parte de São Paulo esse ano, eu já pirei na batatinha, imagine, sei lá, vendo a Torre Eiffel?

Mas não. Eu não vou para o Rio de Janeiro. Não vou realizar um dos itens da minha lista de 101 coisas para fazer em 1001 dias. Na minha época de escola, eles só faziam passeios para uma cidadezinha sem graça de Minas Gerais com um objetivo esportivo. Nunca fui boa em Educação Física, por isso não fui, mesmo tendo vontade. Pobre de mim!

E quer saber, nunca tive uma vontade louca de conhecer o Rio de Janeiro. Quando penso nesse Brasil imenso, o lugar que eu mais quero conhecer é Ouro Preto, em Minas Gerais, porque é uma cidade histórica e linda. A cidade de Dirceu e Marília ♥

Porém, recentemente meu interesse aumentou. Não só porque sonho em conhecer a Confeitaria Colombo. E nem é por causa do Cristo ou do Pão de Açúcar. Existe outro motivo mais importante e que vocês podem adivinhar facilmente.

Vou dar dicas:

a) É por causa de uma pessoa.

Já adivinharam? Ainda não ajudou muito, não é?

b) É do sexo masculino.

Ainda é muito amplo.

c) É escritor.

Já está mais fácil.

d) Ele está morto.

Há 160 anos mais precisamente.

Isso mesmo, Álvares de Azevedo (sério?). Meu amado poeta jaze no cemitério de São João Batista. Existem poucas fotos do túmulo dele e meu sonho é ir até lá tirar umas fotos e deixar flores. Parece estranho tirar fotos de túmulo, mas meu avô sempre que vai ao cemitério onde minha avó está enterrada, ele tira fotos. É que o túmulo da minha avó é uma lindeza mesmo.

Eu admiro muito arte tumular. Também tenho vontade de conhecer o Cemitério da Consolação, pois é uma verdadeira obra de arte! Há túmulos com esculturas e detalhes lindíssimos. E também há as famosas e assustadoras criptas da Sé, HÁ! Minha amiga espírita diz que cemitérios são ruins e possuem uma energia negativa. Eu me sinto bem em lugares assim, calmos. Sempre que vou visitar minha avó, sinto uma paz. Mas sempre há aquele silêncio meio constrangedor.

De qualquer forma, sempre que vou a algum, gosto de ficar lendo os nomes e vendo as fotos dos túmulos. Fico imaginando como foi a vida daquelas pessoas que morreram e como elas eram. Lembro que sempre que eu ia ao cemitério de uma cidade do interior (não a que eu sempre vou) eu procurava o túmulo de uma menininha que tinha a mesma idade que a minha. Ficava imaginando se ela estivesse viva, se haveria a possibilidade de ela ser minha amiga. Coisa de forever alone. Quanto a mausoléus, eu odeio-os, porque os acho meio assustadores.

De qualquer forma, voltando ao assunto Azevedo. Não é só o túmulo dele que me interessa. Não sei se vocês sabem, mas sou uma stalker profissional. Então, com todo meu poder de descobrir coisas, depois de muito estudo e informações, consegui descobrir o sítio onde ele morreu! E o melhor, o lugar é usado como pousada e os donos são descendentes dele (não do Álvares, porque ele morreu sem deixar descendentes. Mas acho que são das irmãs e irmãos dele). Preciso conhecer o local e ver se consigo mais algumas informações com os Azevedos que continuam ali.

Sem falar, quer há outros descendentes pelo Rio de Janeiro. E vi em um livro que há outras pessoas que podem ter informações preciosas sobre ele. Nem tudo sobre sua vida foi descoberto e eu sinto a necessidade de descobrir. Eu, uma menina de 18 anos que nem é pesquisadora profissional. Espero que saia alguma coisa disso.

Obs: Desculpe pelo post mórbido e estranho. Mas às vezes sinto necessidade de escrever esse tipo de coisa.

O Guia dos Mochileiros da Galáxia – Não entre em pânico!

Lembro que entre meus oito e onze anos eu era simplesmente apaixonada pelo universo. Se você perguntasse o que eu gostaria de ser, responderia astrônoma ou astronauta. Eu devorava livros sobre o universo e meu sonho era decorar o nome de todas estrelas e constelações. Sem falar que sempre quis ter um telescópio. O negócio é que o tempo foi passando e minha fixação pelo universo foi sendo tomado por outras. Mesmo assim, ainda me via fisgada pelo assunto quando assistia Star Wars e alguns documentários no Discovery Chanel.

Já tinha ouvido falar várias vezes do famoso livro O Guia dos Mochileiros da Galáxia, mas meu interesse por ele não era grande até que um amigo me emprestou. No começo, achava a leitura meio sem graça e sem noção, mas aos poucos tudo foi fazendo o maior sentido e fui fisgada por uma das histórias mais legais que tive o prazer de conhecer.


A história começa com o mundano Arthur Dent, um homem que descobre em uma bela manhã que sua casa irá ser destruída. Algo que parecia tão chocante acaba se transformando em algo sem importância quando descobre que a Terra também irá ser destruída pelos Vogons. Quem o avisou foi seu amigo Ford Prefect, que na verdade é veio de um planeta chamado Betelgeuse. Então, quando pensavam que estava tudo acabada, os dois foram teletransportados para a nave dos Vogons. É aí que a aventura começa!
Na história, há um livro eletrônico também chamado O Guia dos Mochileiros da Galáxia, que tem várias dicas para viajante do espaço e fala sobre diversas raças, formas de vida, planetas e até comidas. Por isso, durante a leitura, você irá encontrar diversos trechos informativos. 

Apesar de no começo a história parecer uma confusão, aos poucos tudo vai sendo explicado da maneira mais louca possível. No espaço tudo pode acontecer, então, não fiquem chocados com algumas bizarrices. Sem falar no humor que faz você dar altas risadas.

Outros personagens muito interessantes são Zaphod Beeblerox e Trillian. Arthur e Ford acabam encontrando os dois no caminho. Zaphod é parente de Ford e uma personagem bastante marcante e cheia de trejeitos. Meio orgulhoso e egocêntrico, ele acaba roubando a nave Coração de Ouro (com um objetivo que ninguém sabe ao certo) e levando com ele a terráquea Trillian, uma bonita e inteligente moça. Ah, e claro! Não podemos esquecer-nos de Marvin, o robô depressivo e pessimista! Ele vai ter uma ótima participação no livro também.

Sério, quando terminei de ler o primeiro volume só conseguia lembrar-me do meu antigo sonho de conhecer o universo. Se eu pudesse seguir Ford e Arthur pelas suas aventuras, eu não pensaria duas vezes.


Que venham os próximos volumes!

Watashi, Kininarimasu!

          Se há alguma personagem que é muito parecida comigo é Chitanda Eru do anime Hyouka. Tirando a parte de que às vezes ela é meio tapada – o que pode condizer com minha realidade, ou não – ela é uma pessoa naturalmente muito curiosa, daquelas que quando surge uma dúvida não consegue tirá-la da cabeça. E sou exatamente assim.
          Quantas vezes, na hora de dormir, surgem algumas perguntas e eu não consigo pegar no sono até descobrir a solução? Quantas vezes fui assistir a um filme e ficava tentando adivinhar que outro filme aquele ator fez? Ou aquela música que já ouvi em algum lugar? E essas são as questões mais simples.
          Esses dias surgiu uma grande questão que apesar de o Senhor Google ter me informado que é possível e acontece, ainda gostaria de saber mais: as pessoas sonham em preto e branco? Não quero uma resposta tão simples como sim. Ou uma mais complexa explicando como o processo acontece. Quero relatos de pessoas que já sonharam em preto e branco e possam me contar como é a sensação.
          Por exemplo, como assisto muito animes, já sonhei várias vezes em anime. Isso mesmo, na minha cabeça eu me transformo em um personagem com olhões, cabelos esvoaçantes e que usa uniforme de colégio (as tradicionais roupinhas de marinheiro). Não só eu, como todas as pessoas ao meu redor e o cenário também se torna uma animação japonesa. Não tem nada de complexo, na verdade, é quase como sonhar com minha realidade aparentemente normal. Só que é mais legal.

          Então, pensei nas pessoas que assistem muitos filmes em preto e branco ou as que viveram na época em que televisão colorida era lenda. Perguntei a minha mãe e meu pai e nenhum deles soube responder. Perguntei ao meu avô e ele exclamou “Você está brincando comigo, não é?”. Perguntei até para as pessoas no twitter e só uma pessoa me respondeu afirmativo, mas como ela não se lembra muito dos sonhos, não soube explicar também com precisão. Ela apenas disse que nesse tipo de sonho você deseja que tudo fique colorido tanto quanto aqueles sonhos que você deseja acordar. Estou até pensando em fazer uma maratona de filmes em preto e branco e ver se consigo algum resultado.
          Isso me faz lembrar a época também que eu gostaria de perguntar as pessoas se elas falavam “coceguinhas” ou “cosquinhas”. Eu tenho mania de falar a segunda palavra, mas ela é absolutamente errada, já que coceguinhas vem de cócegas e cosquinhas viria de coscas – palavra inexistente, que eu saiba. Mas a pergunta não tem nada a ver com certo ou errado e sim com o que as pessoas têm mania de falar. E a única conclusão que eu teria se a resposta fosse que as pessoas falam mais “cosquinha” é que elas gostam de abreviar palavras. Nada de útil, mas até agora me pergunto isso e não consigo esquecer.
          Assim que surgem dúvidas como essa, me pego falando igual a Chitanda Eru: “Watashi, Kininarimasu!” (Não consigo parar de pensar nisso!). Então, gostaria de saber agora de vocês: Vocês sonham em preto e branco? Como que é? O que sentiram? Vocês falam coceguinhas ou cosquinhas?
          Por favor, sanem minhas dúvidas. 


Obs: Meu irmão disse que devo ter problemas sérios por ficar encucada com coisas tão banais. Eu também concordo.

Obs2: Não seria legal se pudéssemos sonhar em preto e branco? Juro para vocês que vou tentar. Vou começar pelos filmes da Anna Karina ♥

Anna Karina, doe-me um pouco de sua beleza! D: