Álvares de Azevedo - 181 anos


Desde Junho, mais ou menos, estou ansiando por esse dia só para publicar esse post. Não sei por que diabos nunca publiquei algo sobre isso antes, mas não há data melhor do que essa: 12 de Setembro. Queria escrever vários posts, porque há tanto a se falar, mas vou me segurar e tentar escrever um breve, porque ninguém aguenta mais esse assunto. Então, vamos lá. Álvares de Azevedo. Se você acompanha o blog há um bom tempo já deve ter lido sobre ele um milhão de vezes, no mínimo. Mas até agora não expliquei muito sobre ele e também meu interesse enorme nessa pessoa que nasceu há 181 anos. Se você já passou do 2º ano do Ensino Médio, provavelmente já aprendeu um pouquinho sobre ele em literatura (se você não dormiu nas aulas), se não, você vai aprender ainda.

Primeiro, vou falar dele da mesma forma que os professores de literatura falam. Então, se seu interesse nisso é zero, não durma, que depois vou dar minha humilde opinião.

Manoel Antônio Álvares de Azevedo, nasceu em São Paulo, no dia 12 de Setembro de 1831. Ele foi um jovem poeta da época do Ultrarromantismo e tinha influência de Lord Byron, Goethe, Musset, entre outros. Seus livros mais famosos são Noite na Taverna, Macário e Lira dos Vinte Anos. No primeiro livro nos deparamos com uma história bizarra que possui necrofilia, incesto, canibalismo entre outras coisas macabras. No segundo, conta-se a história de um rapaz que conhece e conversa com o Diabo. E o terceiro são poesias dele dividido em três partes, algumas poesias são cheias de sentimentalismo outras são bem mórbidas. Alguns acreditavam que ele participava de uma sociedade chamada Epicurista, na qual ele vivia uma vida de orgias regadas a bebidas e ópio. Ele morreu com apenas 20 anos, ao cair de um cavalo e “romper o intestino grosso” (não sei ao certo se rompeu, é que eu não achei nenhuma palavra para explicar de fato o que aconteceu. E até sobre isso ainda não se há tanta certeza).

O primeiro contato que tive com esse escritor foi com quatorze anos, quando uma amiga que fazia faculdade de Filosofia, indicou o livro Noite na Taverna. Foi algo muito breve e sem muito significado, mas não sei por que diabos nunca esqueci o título do livro. Ele ficou lá, guardado na minha memória até poucos meses depois o livro simplesmente parar em minhas mãos. Vou dizer metaforicamente que consegui o livro por meios não tão lícitos, mas acho que não haveria melhor forma de se conseguir algo de Álvares de Azevedo do que essa.
Então, lá fui eu toda faceira ler o livro e... não consegui terminar. Achei tudo muito lindo (apesar do tema), principalmente porque tinha tantas palavras difíceis e legais que eu não consegui entender nada. Naquela época eu ainda não tinha entrado de cabeça nos clássicos da literatura, então não estava preparada para lê-lo. Só voltei a folhear aquele livro com dezesseis anos, preparada para enfrentá-lo depois de ter lido Iracema, Cinco Minutos, Dom Casmurro e outros. E eu fui pega. Li tudinho, menos a introdução sobre a vida do autor. Eu ainda não tinha costume de ler livros de cabo a rabo, pulava introduções e quaisquer outras informações. Hoje, acho isso um crime.

Quando a professora de literatura entrou no ultrarromantismo, decidi que deveria ler de novo o livro, mas dessa vez até a introdução. Foi aí que me senti presa para sempre naquela narrativa. Álvares de Azevedo era simplesmente minha versão masculina em cada linha que eu lia sobre sua vida. É óbvio de que ele é mais célebre do que eu e também fez mais coisas do que eu fiz com a mesma idade, mas não precisam jogar na minha cara. O que eu quero dizer é que além de algumas coisas de sua biografia, seu modo de pensar era muito parecido com o meu.

Ele é chamado muitas vezes de “belo e disforme”, por causa do seu lado doce e romântico e do seu lado diabólico e macabro. Já fui chamada uma vez de doce e meiga, mas que escondia uma agressividade por dentro. Naquela hora discordei totalmente, porém, aos poucos, vi que fazia certo sentido. Não que eu me importe com que as pessoas tenham a dizer da minha pessoa. Vou mostrar a agressiva! HÁ!


De qualquer forma, além de nutrirmos o amor pela literatura e escrita, ambos perdemos alguém muito importante quando novos e isso refletiu em nós por muito tempo. E talvez foi esse o motivo de termos nos atraído pelo lado escuro da força: o mórbido, o macabro, a escuridão.

Porém, sinto em lhes dizer que aquele Álvares de Azevedo que os professores exaltam, aquele Rapaz das Sombras, o Senhor Macabro, o que seja, está muito longe disso. A ideia que se formou em minha cabeça quando aprendi sobre ele pela primeira vez é totalmente diferente da que tenho hoje depois de ler tanta coisa sobre sua vida. O jovem Maneco, como chamavam carinhosamente, era apenas um poeta/escritor incrível, um estudante dedicado e um filho carinhoso. Ele não era o jovem das orgias que bebia e usava ópio. Ele apenas escrevia sobre isso. As pessoas tem o dom de criar um mundo fantástico em volta da sua vida, porque ela é realmente misteriosa. Tudo que ele criou, foi coisas que ele vivenciou no seu próprio mundo e que muitos escritores também fazem. Não que não tenha nada de fantástico na sua vida, porque tem. As coisas que mais atraem as pessoas sobre sua biografia é exatamente isso. Álvares de Azevedo sabia que ia morrer jovem. Ele sabia que sua hora estava chegando e escreveu isso em poemas, cartas e até deixou um aviso para seus colegas da Faculdade de Direito de São Paulo. E isso se confirmou posteriormente quando ele morreu em 25 de Abril de 1852.

Já li sobre sua morte diversas vezes e de diferentes pontos de vista. E em todas senti uma imensa tristeza. O poeta que escrevia tanto sobre a morte e parecia desejá-la, quando chegou o momento, fraquejou. Suas últimas palavras foram: “Que fatalidade, meu pai!”, o que mostra que, de verdade, não queria aquilo. Outra coisa interessante é que sua mãe já sonhara várias vezes com sua morte e também com outros acontecimentos que se confirmaram posteriormente. Outra coisa que preciso que todas as pessoas gravem bem: Ele não morreu de tuberculose. É mais uma coisa errada que falam sobre sua vida. Ele morreu da queda de um cavalo, que causou o rompimento de seu intestino grosso. Fizeram uma cirurgia nele, mas, como naquela época a medicina não era avançada, ele acabou pegando uma infecção e morrendo.

Quando finalmente consegui comprar o livro Cartas para Álvares de Azevedo, um leque gigantesco de informações se abriu diante dos meus olhos. Eu consegui vê-lo de fato como ele era: humano, sem qualquer misticismo e qualquer coisa sobrenatural. Isso poderia ter feito meu interesse diminuir, mas aumentou. Parece que cada vez que eu descubro mais sobre sua vida, percebo que há mais para se descobrir. Ainda há tanto mistério, tanta coisa sem explicação!

Sobre os livros dele, vocês provavelmente se assustaram com minha sinopse direta. Apesar de parecerem assustadores, são bem diferentes do que se pensa. Indico que leiam e tirem suas próprias conclusões sobre qualquer um. Eu mesma preciso relê-los para me lembrar de tudo que pensei enquanto lia. E não levem muito ao literal, tem gente que tem mania disso: “Ah, Álvares escreveu sobre a Sociedade Epicurista, logo ele é um deles”, “Todos os escritores que morreram jovens, morreram de tuberculose, logo ele morreu também”. Já acessei diversos sites que tem tanta informação errada dele, que provavelmente ele está se revirando em seu túmulo nesse instante.

Os livros também não são para qualquer um. Tem que se gostar do tema, do jeito que se escrevia no século XIX, entre outros fatores. Mas, se até eu, uma garota que só lia chick-lit, de repente se apaixonou por clássicos de literatura, porque você também não? Quantos escritores apaixonantes não existem em nossa cultura e nem nos damos conta?

Para finalizar esse post só posso dizer uma coisa: Feliz Aniversário Maneco! 181 anos conquistando diversos leitores não é para ninguém. Espero um dia ter o mesmo talento que o seu. E que minha vida seja cheia de mistérios igual a sua. Mas com um blog público desses, nem em sonho!


Obs: Desculpe, falei que ia ser breve. Tentei ao máximo, mas não consegui. Há tanta coisa para se falar! Só espero que não tenham achado chato. Mas se gostaram, eu posso escrever mais sobre isso, se quiserem. Digam que sim.

Obs2: Se você tem preguiça de ler clássicos, aconselho a ler a história em quadrinhos que a Editora Ática lançou em 2011 de Noite na Taverna. Preciso adquirir um exemplar desses para minha coleção.

6 Comentários:

  1. Eu realmente nem imaginava, nem sonhava que ele morreu tão jovem.D: Não sou dos maiores fãs de clássicos e tenho uma certa aversão de mim mesmo por isso, mas você me despertou vontade de ler os livros dele. E vou fazer, assim que minha fila de livros pra ler andar um pouquinho.

    E eu compreendo como é sua animação em entender a vida dele, também tenho essa paixão.

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  2. Agora eu estou super ansiosa para comprar uns livros dele..hehe
    Visita?Comenta?Segue?

    https://crisesdegarotas.wordpress.com/

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  3. Um dos meus maiores sonhos há uns anos atrás quando conheci Álvares de Azevedo era voltar no tempo pra conhecer ele xD

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  4. Com certeza já devo ter estudado sobre ele, mas a maneira como a Literatura é abordada no colégio é tão cansativa que me deixa nada interessada, muito pelo contrário. Acho que se eu quiser me apaixonar por algum escritor desse jeito, tenho que correr atrás, porque tá difícil.
    Amei Dom Casmurro ♥, é um clássico que eu li com prazer, me surpreendi imensamente e sempre recomendo, Dasty, tô considerando a ideia de reler Noite Na Taverna, porque não fui muito com a cara do livro quando o li, não me mate, pfvr. É o teu livro favorito dele?
    Ahá, sabia que você se identificava com ele por causa dessa mistura do doce com o macabro, cê já falou que é assim por aqui, sem falar nos teus gostos.
    Acho TÃO incrível o modo como você fala dele, a tua paixão pela vida e obra de Álvares de Azevedo que pelo amor de Deus. Sério, dá pra ver que tu fica feliz ao falar disso tudo, poste mais sim! ♥

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  5. haaa, super sua cara. não conheço muito dele além do que li na aula de literatura, mas pelos mesmos, posso dizer que ele é um escritor fantástico. estou para ler noite na taverna há séculos, e realmente preciso haha

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  6. Eu sou como vc... Hj tenho 40 anos, e me apaixonei por ele aos 15. Toda sua vida e sua obra eram uma leitura de minha alma, de minhas angústias, de meus sonhos... Sou mt fã!

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