Não é treinamento!

RW é o nome do prédio onde estudo

Era terça-feira, segunda aula. Eu estava me decidindo entre olhar o retroprojetor e pensar na vida ou desenhar em meu caderno, quando, de repente, toca o alarme de incêndio. Todos os alunos da sala olham uns para os outros com carinhas assustadas tentando entender o que estava acontecendo.


– Será que é de verdade? – perguntou alguém para a professora.

– Acho que é – disse a professora, na lata, sem se importar muito.

Logo surgiu um segurança na porta dizendo que era apenas treinamento. Então, com a maior preguiça do mundo, nos resignamos a guardar nosso material (recuso-me a sair de um prédio em chamas sem minhas coisas. Mereço morrer queimada, eu sei) e fomos descendo molemente pela escada de incêndio.

Quando finalmente conseguimos sair do prédio, nos deparamos com uma maré de gente. Pelo menos umas duas mil pessoas, constituídas de alunos, professores e funcionários estavam lá fora se perguntando por que diabos aquela chatice toda. Tudo que queríamos era ficar em nossas salas fresquinhas em vez de ficar naquele calor infernal que acometeu São Paulo nessa semana.

A única coisa que podíamos fazer agora era ir ao campus comer algo, imprimir algum trabalho, o que fosse e esperar pela próxima aula. O dia seguiu normalmente.

Era sexta-feira, segunda aula. Praticamente toda a sala estava penando de sono porque ficou a madrugada fazendo o trabalho difícil que precisávamos entregar justamente nessa aula. Eu estava na sala colocando meu trabalho impresso na ordem certa quando toca o alarme de incêndio.

– Ah, não! De novo! – exclama alguém.


Todos olharam automaticamente para a porta esperando algum segurança, mas ninguém veio. Alguém comentou que dessa vez o treinamento devia ser sem os seguranças avisando para ver se estávamos espertos. Juro para vocês, pensei seriamente em ficar no prédio e terminar de ajeitar meu trabalho. Mas como todo mundo era obrigado a descer, inclusive professores, por que eu ficaria ali? Peguei o trabalho, minha pasta e minha mochila e tratei de repetir o que acontecera terça-feira.

Minha sala desceu com a maior calma do mundo e com aquele ar de aborrecido por estar passando novamente por aquela situação. Quando chegamos mais ou menos no terceiro andar, sentimos cheiro de queimado e vimos fumaça. Foi nessa hora que vi vários rostinhos assustados e percebi que aquilo não era mais um treinamento. O prédio estava pegando fogo!


Aceleramos o passo e senti que eu estava tremendo freneticamente. Um incêndio! Um incêndio de verdade! Quando cheguei ao térreo, a porta estava lotada de pessoas por causa da chuva. A maioria não sabia se enfrentava o fogo ou estragava a chapinha. Eu também hesitei um pouco porque estava com meu trabalho e não queria molhá-lo. Sim, eu sei, tenho que repensar minhas prioridades.

Apertei o trabalho contra meu corpo e saí correndo fora do prédio. Atravessei aquele labirinto de gente, entrei no campus à procura do prédio mais próximo para guardar meu trabalho. Consegui efetuar meu objetivo mesmo minhas mãos estando tremendo loucamente.

Agora eu precisava achar minhas amigas e ver como estava à situação. Voltei para o lugar onde estava a multidão olhando para o nosso prédio. Consegui localizar todo mundo e ficamos lá “aflitas” (coloquei em aspas porque nós estávamos zoando demais. Começamos a gravar vídeos entrevistando nós mesmas só que de maneira cômica) esperando saber de notícias. O incêndio não foi muito sério porque nem dava para ver do lado de fora. Também não vi bombeiros em nenhum lugar enquanto estava ali.

Uns falaram que foi no restaurante do terceiro andar que começou. Outros falavam que foram os elevadores. A última explicação foi o ar-condicionado. Só sei que naquela multidão conseguimos localizar a professora e ela disse que podíamos entregar o trabalho segunda-feira. Também encontramos o professor da última aula e ele disse para irmos embora. E foi o que eu fiz.

Soube que as aulas de noite foram normais. Então realmente não foi nada sério. Mas juro para vocês: nunca mais questiono um treinamento de incêndio. Nunca mais vou ficar de bobeira quando um alarme tocar. Sebo nas canelas se não morremos queimados!


Obs: Apesar de assustador, achei a maior adrenalina. Acho que não vou conseguir pegar o elevador por um bom tempo. Escadas são um amor.

Obs2: Desculpe a demora a postar, com incêndio ou sem incêndio, essa semana foi uma loucura do mesmo jeito.

7 Comentários:

  1. Pena que a minha escola não tem treinamento (Eu, particularmente, acho isso legal *-*)
    Ah, tem tag pra vc lá no blog:

    http://blog-
    espelhodigital.blogspot.com

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  2. Cara! Muito bom o texto, morri de rir com a história e com os GIFs perfeitos pra situação, onde você consegue eles? Eu sei que é uma história de verdade [eu acho né] mas é que você contando foi muito engraçado. Sebo nas canelas!

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  3. eu teria reagido como você, até mesmo hesitado na hora de sair na chuva xD
    meu colégio já pegou fogo uma vez, mas nem tinha alarme de incêndio e todo mundo correu desesperado, as crianças ligaram para os pais e um deles ( que morava perto) apareceu na escola usando só um short . xD hehehe
    mas no final foi só um transformador que explodiu do lado da minha sala. Eu também peguei minhas coisas, não ia deixar elas pra trás, engraçado mesmo foi quando os bombeiros chegaram e eles eram muito bonitos, tipo foto-de-calendario-bonitos e as garotas ficaram todas loucas. xD

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  4. Essas coisas de incêndio me deixam aflita porque já pegou fogo no supermercado do lado da minha casa, tivemos que evacuar a rua e fui uma loucura!
    Coisas que eu peguei ao sair correndo de casa: celular, o livro que eu tava lendo, e minha garrafa d'água, sabe-se lá porque. HAHAHAH.

    Beijo.

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  5. Escada é fonte de saúde! Hehe.

    Eu tenho muito medo de incêndios, é extremamente perigoso.

    Tem post novo no meu blog!

    Bjos e fique com Deus ♥

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  6. kkkkkkkkkk
    Desculpa, mas sua narrativa e os gifs foram muito bons! Nunca passei por uma situação dessa, mas deve ser aterrorizante! E eu estaria preocupada com minhas coisas também.

    Enfim, que bom que tudo deu certo (e que não teve aula).

    Beijo!

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  7. Muito bom! Sou dessas que quando está numa situação do tipo, ao contrário de ficar aflita fica achando tudo engraçado, o máximo, super divertido. Olha que eu dou cada gargalhada. A última vez que isso aconteceu foi quando o volante do carro da minha mãe começou a pegar fogo com a gente dentro do carro (!)
    É a vida...

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