A blusa azul


Era um daqueles dias qualquer. Daquele que não acontece nada interessante e a vida continua seguindo seu rumo sem interrupção ou obstáculos. Ela já estava acostumada a ir para a faculdade com o conjunto básico mais perfeito que existe: blusa qualquer, calça jeans qualquer e tênis qualquer. Porém, aquele dia foi diferente, ela conseguiu achar uma blusa azul clara mágica cheia de pedrinhas brancas que parecia ter saído de um sonho luminoso, que combinou perfeitamente com uma calça branca e sapatilhas.

Quando se olhou no espelho achou que aquela era a melhor combinação que fizera em dias. Azul era uma cor que combinava com ela. Então partiu para aquele cotidiano monótono que às vezes presenteava com alguma surpresinha cá e acolá.

Estava para começar a segunda aula e atravessou a faculdade até chegar ao seu prédio, porém, foi parada por alguns caras na porta. Não, não eram assaltantes, nem perigosos. Estava tendo uma votação qualquer, para um objetivo qualquer da faculdade. Vários estudantes estavam engajados naquilo e eles apenas queriam convencê-la a votar neles. Ela não tinha tempo para isso. Tentou entrar no prédio, mas foi pega por um discurso e um dos rapazes fez questão de acompanhá-la até a fila da votação. E ela deixou ser levada pelo marasmo. Não fazia ideia de quem votar, mas já que estava lá e teria que fazê-lo, por que não saber das propostas?

Então, ela reparou nele. Conhecia-o desde o começo do ano, mas o vira poucas vezes pelo campus. Pensou que o rapaz bem poderia conversar com ela sobre suas propostas em vez dos outros que estavam aporrinhando sua paciência. E como, em um passe de mágica aconteceu. Quando ele notou que um adversário estava falando com aquela garota estranha de azul, tratou de fazer sua parte para convencê-la.

Foi uma surpresa quando ele apareceu. E a única coisa que ela conseguia pensar era em sua puta sorte. Justamente hoje decidira vir mais arrumada. Justamente hoje não estava com o cabelo preso e ele estava cheio de cachinhos feitos pela piranha que acabara de tirar fazia uns quinze minutos. E ela não conseguia prestar atenção em absolutamente nada que ele falava. Mentira! Ela prestou sim, ouviu o suficiente para se sentir convencida de que deveria votar no que diabos ele pedisse.

“Pergunta o nome dele”, disse o lado racional do cérebro dela.
“Tem o nome dele no papel para votar em seu grupo, é só caçá-lo em qualquer rede social”, rebateu o lado do cérebro que se achava espertinho.
“O que custa perguntar o nome dele? Você vai ter que caçar 500 nomes nesse papel”.
“Não vai ser tão difícil, deve ser um dos primeiros. Você está falando com uma stalker profissional”.
“Pergunta a porra do nome logo”.

Ela não perguntou. Porque obviamente ela ouviu o lado errado do cérebro. Ela não perguntou absolutamente nada sobre ele, nada. Porque gente burra é assim, acha que uma coisa legal acontece uma vez e irá acontecer milhares de vezes. Mas, tudo bem, estava confiante, ia achá-lo em qualquer uma dessas redes sociais inúteis. Todo mundo tem rede social hoje em dia.

Não importa em quem votou, porque quem se lembra em votação depois de uma coisa dessas? Ela só sabia que quando chegasse em casa ia caçá-lo, ou ela iria sujar seu status de stalker profissional que acha qualquer pessoa possível nesse mar profundo de nomes e anônimos. E o fez. E não o achou. Tentou todos os nomes daquele papel. Nada. Era impossível que isso estivesse acontecendo, porque ela achara todos os amigos dele e até uns parentes. Só devia haver uma explicação: ele não tinha rede social. HAHAHA que piada! Quem não tem rede social hoje em dia? Como ele se comunica? Por telégrafo? Pombo-correio? Carta?

Então, ele não tinha rede social. Mesmo. E a história acaba aqui.

Tudo culpa da blusa azul.

Moral da história: Não importa quanta sorte pareça que você está tendo, é só brincadeira do azar mesmo. Aceite o fato de que a Lei de Murphy adora tirar com sua cara.

Obs: Convenhamos, os dois não dariam certo de qualquer maneira. Ainda bem que não sou eu nessa história. É.

7 Comentários:

  1. HAHA, legal a história. Pior que a moral está certa =/

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  2. esse tipo de coisa nunca acontece comigo, ta mais para no dia que eu estou toda desarrumada é que o carinha vem falar comigo ou o elevador trava e ficamos presos...ou ele pede para segurar as minhas coisas no ônibus.
    aah você devia ter perguntado o nome dele e desenvolvido uma conversa ( olha quem ta falando, eu provavelmente nem teria olhado na cara dele xD )
    adorei o texto ;***

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  3. Isso também não acontece comigo ou quando resolvo sair de casa de qualquer jeito, porque estou atrasada para chegar em determinado lugar.
    Mas realmente devia ter perguntado o nome dele kkk.

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  4. Mas gente!
    Também tô mais pra o perfil da Olive, SE esse tipo de coisa acontecesse, seria no dia em que eu estaria com aquela minha cara triste de fim de expediente de sempre. Eu às vezes ainda consigo parecer desenrolada, mas no geral, sou dessas que não consegue nem falar uma frase que faça sentido, é ridículo e eu sempre quero me matar depois. (No sentido figurado da coisa)A pior parte são os xingamentos que eu me faço. Sad but true. D:

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  5. Ai ai isso me lembra eleições pro DCE da minha faculdade e como eu já consegui ter uma queda por três caras diferentes engajados no assunto, inclusive namoro um agora pro horror da veterana que morava comigo, "não quero você dando opnião nessas assembleias ein!" ela brincava des do começo do ano!
    Gostei das suas fotos e da sua lista de 101 coisas em 1001 dias, a minha acaba no próximo março se não me engano e fui um fracasso!

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  6. Ai gente que realidade mais cruel UAHSAUSHAS isso não aconteceu comigo, mas ... é triste. Enfim .. gostei da história hahaa
    Acho que voce que disse que nao curtiu The walking dead ne ? Mas acho que foi justamente porque voce curte zumbis, tipo, tava esperando mais sobre eles né ... Eu pelo contrário, gostei mais porque é mais psicológio que zumbi ahahahaha ma solha, a primeira temporada é chatinha mesmo, eu nem assisti, a terceira e meio da segunda que ficam boas hahaha. bjs
    www.naquelemomentoeujuro.blogspot.com

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  7. hahaha Sempre a Lei de Murphy, não é? Sempre. Eu só entendo o cara, por um lado, é que eu também não tenho rede social. E as pessoas sempre ficam me perguntando como eu "sobrevivo" e tal.
    Mas porque ela não cata ele de novo na faculdade e pergunta o nome?

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