Ode a Maçã do Amor

Créditos: Betoestolano
Se existe algo que é capaz de deixar-me tremendamente feliz e suja ao mesmo tempo, chama-se: Maçã do Amor. Ela foi criada por uma pessoa (a família Farre mais precisamente) que sabia realmente fazer uma calda regada a felicidade e – pasmem – amor, mas entendia também a dificuldade de se conseguir essas coisas, por isso a calda tornava-se dura, difícil de se morder e podia quebrar alguns dentes no processo de trituração. Sem falar na sujeira – que citei acima – você sempre vai ficar com uma marca vermelha em volta dos lábios ou no queixo. O que significa que tudo nessa vida, que no envolvemos demais, acaba deixando algumas marcas indesejáveis e talvez doces.

Mas o negócio da maçã do amor não está na sua filosofia, está simplesmente no prazer de degustá-la. Passei mais ou menos doze anos da minha vida preferindo moranguinhos de chocolate a qualquer doce junino. Tudo mudou quando participei de uma Festa Junina na escola em que minha mãe era diretora. Depois de um dia inteiro me divertindo na barraquinha de sorvete – vendendo e comendo, obviamente -, minha mãe decidiu comprar algumas das maçãs do amor que sobrara da festa.

Foi, então, naquela enorme indiferença, eu acabei decidindo dar uma chance a ela: amor à primeira mordida. Não sou fã daquela calda açucarada, mas com maçã é quase um casal tão perfeito quanto o famoso Romeu e Julieta (queijo e goiabada para os leigos), até melhor. Então, desde aquele dia, eu ansiava freneticamente por Festas Juninas regadas a essas maçãzinhas vermelhas.

Obviamente, como tudo na minha vida, o destino as fez sumirem. Isso mesmo. Para quê maçã do amor na Festa Junina da escola se podemos ter yakissoba? Ou Fondue? ONDE ESTÁ A PORCARIA DO PATRIOTISMO? Tudo bem, maçãs do amor não são brasileiras, são espanholas, mas estão no nosso país desde 1954, o que já é um bocadinho de tempo para ter se abrasileirado. E se abrasileirou mesmo, porque no Brasil a fruta escolhida foi maçã, afinal tinha em abundância aqui (podia ser pior, sei lá, podia ter sido banana).

Então, em um esforço em tornar esse texto objetivo, lá estava eu, por volta da meia-noite no metrô quando vejo uma mulher vendendo maçã do amor. Tentei recriminar a vontade, mas foi mais forte que eu. Foi 3 reais. Achei caro. Não caro por causa da urgência, mas caro porque no Brasil até pouco tempo com um real você comprava bastantes coisas, tipo, pão de queijo. E você nem reclamava por ser pequeno.

Mas como eu posso reclamar pela felicidade custar 3 reais? Nadinha. Então, fui embora saltitando de felicidade. Chegando em casa, peguei um prato e coloquei a maçã do amor nele, porque existe uma regra que deve ser seguida por adoradores desse doce: Seu palito vai quebrar. A maçã vai cair. Acabou alegria. Então coma com um prato (já passei por essa situações diversas vezes, então sigam a regra).

Dito e feito, meu palito quebrou na primeira mordida. Comi com as mãos mesmo. Não me importei de me sujar. Não me importei de ter quase quebrado uns dentes tentando mascar aquele açúcar duro. Porque vale a pena. E é assim com a felicidade e com qualquer outra coisa que a gente gosta: não importa o quanto seja difícil, no final sempre acaba valendo a pena.

Ou não, mas a gente sobrevive.

Obs: Esse texto, inicialmente, não era para fazer parte do 30 Days Writing Challenge, mas como se encaixa em um dos temas, achei que seria legal colocá-lo no projeto. Então, ele faz parte do dia 21 - Escreva sobre uma experiência com uma comida que goste ou odeie.

Não profanes



Virginia Noriega era uma jovem mulher praticamente normal. Daquelas que não chamam muita atenção ou que detém as características comuns que damos as pessoas: alta ou baixa, magra ou gorda, quieta ou falante. Ela trabalhava na parte de documentos antigos de uma cidade qualquer, com um nome qualquer e com uma população qualquer.

Ela gostava do cheiro de papel velho, da companhia das traças e da poeira que a empregada esquecia-se de tirar das prateleiras. Porém, o que mais amava era a parte de arquivos mortos. Arquivos que ninguém tocava mais. Arquivos que não faziam a mínima diferença. No seu horário livre, gostava de ficar dando uma olhada neles e vendo se encontrava algo interessante. Às vezes acabava surrupiando algo. Pegava o que quer que fosse, colocava em um daqueles plásticos protetores e levava para casa.

Sua casa era nada menos que um sobrado meio velho meio esquecido, mais um daqueles que ninguém se importa em dar uma olhadela. Por dentro era tão parecido com o prédio de documentos antigos da cidade quanto uma xícara para uma caneca. Virginia largava sua bolsa em alguma mesa bamba e corria escada acima para o quarto de hóspedes que, nunca, em hipótese nenhuma, seria ocupado por alguém. Ou melhor, a não ser uma pessoa.

A parede do quarto de hóspedes era totalmente ocupado por imagens, desenhos, notícias de jornais e outros papéis colados na madeira podre, que era quase impossível de se ver. Então, como em um processo religioso, ela retirava o papel que recolhera e colava na parede cuidadosamente.

Virginia Noriega não era uma pessoa praticamente normal. Ela tinha uma obsessão. Quase doentia. Não por papéis antigos ou por poeira. Mas por uma pessoa em questão. Para a população daquela cidade esquecida, ela era mais uma jovem que veio se aventurar em um fim de mundo. Porém, uma pessoa com o mínimo de sanidade possível não iria para um lugar daqueles sem ter um objetivo pré-definido.

Ela olhou para a pá do lado da cama abandonada no quarto de hóspedes. Esperou que toda luz sumisse com o sol se escondendo das montanhas e saiu de casa, juntamente com a pá e seu carro velho azul desbotado. Parou na frente do cemitério local, com as mãos tremendo de excitação. Pulou o muro e encontrou-se em um dos lugares com a atmosfera mais mórbida que já sentira. E olhe que ela já vivia em sua própria morbidez.

Com uma lanterna, tratou de localizar o que procurava. Quando viu a pedra com o nome gravado, sabia que estava no lugar certo. Ficou um tempo contemplando o lugar e admirando as inscrições: Desta terra vim, desta terra pertenço. Pensou brincalhona: “Não, mais”. Tratou de cavar. Não sentia o cansaço. Não sentia o suor escorrendo pela testa. Apenas sentia a euforia. Encontrou o caixão. Abriu-o. Viu-se cara a cara com um esqueleto que já devia estar há muito tempo ali. Era a única coisa que faltava em sua coleção. A única coisa que faltava para tornar seu tesouro completo.

Cuidadosamente foi pegando osso por osso e guardando em um saco acolchoado. Não queria que nada fosse perdido ou se desfizesse. Tratou de fechar o caixão e colocar a terra em seu devido lugar. Não queria chamar atenção de ninguém. Não queria que ninguém soubesse.

Voltou para casa, levando o saco consigo. Despejou o esqueleto na cama, olhando cada detalhe dele. Pensava em poli-lo. Em juntá-lo. Deixá-lo perfeito. Uma escultura. Uma obra de arte. Porém, estava cansada no momento. Precisava descansar. Como não dormir calmamente depois da missão bem sucedida? Deitou-se do lado do esqueleto. Olhando nos fundos olhos negros que tragavam sua alma. Adormeceu.

Não houve sol. Não houve pequeninos raios luminosos adentrando o quarto de hóspedes como de costume. Quando Virginia Noriega abriu os olhos só havia completa escuridão. E o cheiro de terra úmida. Tentou-se mover, mas havia pouco espaço. Sentiu algo do seu lado e com as mãos conseguiu sentir os mesmos ossos que havia roubado de madrugada. Tentou se mover, mas havia algo acima de si. Estava trancada em algum lugar.

Tentou gritar, mas sua garganta estava seca. O ar era pesado. Bateu na parede de madeira o máximo que podia. Foi quando percebeu que não estava mais em seu sobrado velho. Não estava mais na cama mofada do quarto de hóspedes. Estava em um caixão. Abaixo da terra. E a única coisa que escoava em sua cabeça era: Desta terra vim, desta terra pertenço.

Obs: Esse conto faz parte do 30 Days Writing Challenge e corresponde ao dia 6 - Escreva algo de terror. A ideia surgiu quando estava lendo um livro do Edgar Allan Poe no ônibus.

Primeiro dia na faculdade


Obviamente o primeiro dia na faculdade no segundo ano não deveria ser tão aterrador quanto no primeiro ano, afinal, você já tem amigos e é veterano. A não ser, claramente, se você tiver mudado de turno. Por motivos de querer ter mais tempo livre para poder investir em um emprego ou em um dos milhares de cursos que tenho vontade de fazer, uma força maior fez-me mudar o horário da minha faculdade. Ou seja, primeiro dia de aula no segundo ano: pânico.

Vou ter que fazer amigos novamente. O que pareceu impossível a primeira vista mostrou-se fácil quando ingressei na faculdade no ano passado. Porém, como lidar com pessoas que já possuem suas panelinhas pré-estabelecidas? Como saber com quem conversar e quais pessoas têm a ver com você?

O meu primeiro dia de aula foi oficialmente bem no dia do meu aniversário (até pensei fazer um post sobre meus 19 aninhos, mas não estava com inspiração e alguns de vocês sabem como não dou a mínima para aniversário e a maioria das datas comemorativas), um dia depois do trote e toda aquela loucura universitária. Gosto muito de mudanças, porém, nunca tinha passado por isso antes já que estudei na mesma escola por 12 anos da minha vida.

O negócio é que pela primeira vez eu me senti como uma daquelas personagens de livros que mudam de escola e parece que o mundo vai acabar por causa disso. Achava a maior babaquice tanto melodrama literário, mas quando você sente isso na pele, acaba mudando de opinião. Mal eu entrei naquela sala (em que só conhecia um amigo que mudou de turno comigo), fiquei nervosa. Dei uma olhada geral nos que estavam presentes e não fazia ideia de com quem diabos eu podia iniciar uma conversa. Resignei-me a ficar na minha. Uma hora as coisas iriam fluir, obviamente. Mas é claro que não.

Apesar de aparentemente ser uma pessoa calma, por dentro eu estava assim.
O pior foi constar que nas aulas que separam a classe, meu amigo, o único que eu conhecia, não caiu na mesma sala que eu (isso obviamente ia acontecer comigo). Passei aquelas longas cinco horas imaginando como se começa uma conversa com pessoas que você desconhece. Pensei que nunca ia conseguir até quando fiz a pergunta salvadora: “Alguém vai para o metrô?”. Uma menina próxima de onde eu estava respondeu que sim. E foi assim que surgiu minha primeira amizade no novo turno.

Já faz alguns dias que começaram as aulas e finalmente acho que estou sentindo que pertenço a essa nova sala. Consegui fazer alguns amigos, mas ainda sinto-me um tanto travada nas conversas por não conhecê-los muito bem. Não vejo a hora de chegar aos assuntos que domino e não calar mais a boca. Quando eu quero, consigo falar até os cotovelos. Também estou adorando as novas matérias e as atividades propostas pelos professores. Até agora não tenho nada a reclamar.

Outra coisa difícil de adaptar é a nova rotina. Novo horário para acordar, nova forma de organizar o tempo, costumes mudados. A vantagem é que não pego mais horário de pico em nenhum momento, o que me poupou uma hora da minha vida para fazer o que bem quiser. Porém, tudo ainda me é estranho. Só que se há algo que o ser humano sabe fazer muito bem é se adaptar. Querendo ou não, uma hora a gente aprende.

Mundo Blogueiro


No meme que recebi sobre blogs, disse que eu estava no mundo blogueiro desde 2006 e a Sara pediu-me para escrever um pouco sobre aquela época. Outros leitores já me pediram para escrever o que acho dos blogs atuais, etc. Então decidi fazer um comparativo e dar minha opinião.

Blog 2006 a 2009 (mais ou menos)

Em 2006 eu só conhecia três tipos de blogs, que, a meu ver, eram os mais famosos: os femininos, os mórbidos e os de fã-clube.

Exemplo de layout. Foi retirado de um dos
melhores sites de layout da época, o Evelyn's Place
Os blogs femininos eram escritos por garotas, entre 11 e uns 16 anos. Os layouts eram rosa, pink, azul claro, lilás, entre outras cores nessa linha, eram simples no esqueleto (geralmente duas colunas), porém, com design bem elaborado e cheio de efeitos. Geralmente eram feitos no finado Weblogger. Os banners eram de mulheres famosas no qual seu trabalho é voltado para esse público, como: Hilary Duff, Lindsay Lohan, Paris Hilton, Ashley Tisdale, Ashlee Simpson, etc. Também se podia ver bastante com o tema Hello Kitty e Sanrio. Geralmente eram cheeeeeios de gifs, bonequinhas, coisas brilhantes e pululantes. Uma verdadeira poluição visual gliterinada. Quanto aos posts, em geral, eram pessoais. Eram verdadeiros diários no qual garotas desabafavam e falavam um pouco de suas vidas. Eu não lia muitos. Na verdade, eu entrava em blogs para salvar no computador gifs pululantes e bonequinhas bonitinhas. Meu interesse em ler blogs desse tipo era zero naquela época. Também era a época das “patricinhas”. Lembro-me de existir blogs com regras de como ser uma, dicionários, modo de agir, etc. E a maior inspiração delas era Elle Woods do filme Legalmente Loira.

Gosto desse filme até hoje, podem me julgar.
Os blogs mórbidos eram também simples, porém as cores mais utilizadas eram preto, vermelho e cinza. Também possuíam bastante gifs, com alguns brilhinhos, só que mais discretos. Também eram pessoais e possuíam bastantes desabafos, poesias e todo aquele mimimi já conhecido. Só entrava neles para pegar gifs também, raramente lia alguma coisa.

O único blog fã-clube que eu conhecia eram os de Harry Potter e era o único tipo de blog que eu realmente lia. Por ser mais site do que blog, tinha o layout bem mais elaborado e mais próximo do que conhecemos hoje. O meu favorito na época era o finado Potter Village. Até hoje fico triste pelo site ter acabado, era um dos melhores que eu conhecia. Minha parte favorita era o de especulações e teorias sobre os próximos livros. Tinha muita coisa lá que deixaria J. K. Rowling de cabelos em pé.

Tive dezenas de blogs na época, mas nenhum realmente engatou. A maioria eu fazia no Weblogger e minha parte favorita era escolher o layout e dar umas mudadinhas. Foi nessa época que comecei a aprender um pouco de HTML. Um dos meus primeiros blogs teve um layout da Hilary Duff (eu era apaixonada por ela!). Também tive um blog no site do MSN e escrevi algumas coisas lá, porém acabei abandonando porque o layout dele era sem graça. Antes do Spleen Juice, tive outros três blogs: um de humor, outro sobre o Tokio Hotel também de humor e um de contos. Acabei excluindo todos.

Blog atualmente

Blog não é mais sinônimo de um diário virtual onde você posta o que quiser. Hoje ele é fonte de renda, virou trabalho e blogueiro já é profissão. Começou-se a perceber que não só dá para ganhar dinheiro com propagandas do Google, como se pode vender espaço no seu blog para fazer publieditorial, afiliações e parcerias. O mercado que mais vem crescendo em blogs é o de humor e o feminino. Blogs de moda, de unhas, de sapatos, estética, são os que mais surgem todos os dias. E com isso veio aquela dúvida: em quem confiar? Será que a dica da blogueira é verdadeira ou ela só que me vender algo?

Fashion Gazette: um dos meus blogs favoritos de moda.
Destaque para o design do layout e a preocupação
com a estética deste
Gosto de blogs de moda, mas gosto daqueles que sabem o que estão falando. Daqueles que dá para ver claramente que a pessoa sabe que peça combina com o quê e não fica fazendo tentativas absurdas de acordo com o novo “trend”. Gosto de blog de maquiagem que quando faz tutorial dá para ver que a pessoa realmente entende do assunto e não daqueles que passa qualquer coisa nos olhos e está pronto. Não precisa ser formado em moda ou fazer algum curso, precisa apenas ter interesse em aprender, tentar e buscar o certo.

Outro tipo de blog que estourou bastante são os literários. De uma noite para outra, vários começaram a surgir e fazer resenhas dos mais variados tipos de livros. Eu gostava muito deles, mas, com um tempo, percebi que de um para o outro não mudava muita coisa. Eram os mesmos livros resenhados. Eram os mesmos pontos abordados. Um ou outro se destacava com uma resenha incrível. Sem falar naqueles que só colocavam a sinopse e depois um comentário se gostou ou não. Que tipo de resenha é essa?

Porém, de todos os blogs que existem no mundo, o meu favorito decididamente são os pessoais. Aqueles despreocupados, que falam sobre seu dia, postam algumas fotos, postam textos bem escritos e suas preferências. Daqueles que o interesse não é fazer propaganda da nova maquiagem que saiu, mas que busca, apenas certo reconhecimento e um grupo de leitores interessados. É daqueles que o poder da informação está no texto, nas fotos de sua autoria e na dedicação com que faz o layout.

E, falando em layout, atualmente há uma enoooorme preocupação nisso. Dá para ver que aqueles cheios de glitter, gifs pululantes e cores chamativas, foram substituídos por minimalistas, com cores claras e um espaço bem aproveitado. Há uma preocupação com a estética até dos posts, afinal um blog bem organizado chama atenção de leitores.

Os gifs atuais e mais utilizados em blogs são justamente aqueles do Tumblr, com imagens de séries, filmes, desenhos, entre outros. Servem para mostrar expressão e também identificação. São bem menos chamativos que os de 2006 e, sinceramente, acho que combinam bem mais com os blogs atuais e não carrega tanto o post. As imagens utilizadas também não são mais aquelas do Google Images. São geralmente tiradas do Weheartit, Tumblr, Flickr e Deviantart, e procura-se beleza e poética nelas. Acho que nunca se procurou tanto a perfeição e o belo em blogs como antes.

Juliana Cunha: um dos meus blogs pessoais
(e jornalísticos) favoritos
Quanto aos textos, tenho que dizer que tenho uma grande preferência pelos longos. Gosto de coisas bem explicadas e com bastantes detalhes. Porém, os curtos, desde que bem escritos, podem ser tão acalentadores quanto os longos. Pelo menos nos blogs pessoais, não há aquela preocupação de: “ninguém vai ler se eu escrever demais”. Blogs pessoais são como livros, muitos deles servem para ser lidos de cabo a rabo. Eu mesma já fiz isso com vários blogs.

Não acho errado ganhar dinheiro com blog. Tem muitos que ganham e dá para ver o enorme amor que a pessoa tem por ele. Dá para ver que foi feito com muito suor e também com algumas lágrimas. Mas tudo que é demais estraga. Estraga ver blogs sendo criado apenas visando lucro sem fazer sua parte. Cansa ver blog igual ao “daquela blogueira famosa”. Cansa ver blog tentando encontrar a fórmula do sucesso. E até blogar às vezes cansa. Porém é bom saber, que de todas as redes sociais existentes, existe uma em que você pode fazer do seu jeito. Que pode deixar um pedacinho real de você. Blog é uma faca de dois gumes, mas é algo que vale a pena tentar.

Kirsty Mitchell


Kirsty Mitchell nasceu em Kent, Inglaterra, conhecido mais como "Garden of England" (Jardim da Inglaterra). Sua memória mais antiga e querida são as histórias que sua mãe lhe contava antes de dormir. Ela estudou artes, fotografia e moda. Esse é um breve resumo de uma das biografias mais lindas que já vi. Não consegui transformar as palavras de Kirsty em português, porque acho que perderia a magia, então, indico lê-las no original. Foi após a morte da mãe dela que começou a usar a fotografia como uma forma de "escape" e criar um trabalho maravilhoso, riquíssimo e mágico.

E o mais legal não é a fotografia, é o manking off de cada uma. As roupas, o cenários, os objetos, muitos deles são fabricados não só por Kirsty como também por amigos. A parte mais legal decididamente são as roupas, porque elas tem tantos detalhes que parecem uma obra de arte!

Wonderland 'Gaia's Spell'

Para ver o making off, clique aqui.

Wonderland "The Last Door of Autumn"


Wonderland : Danaus (Queen of the butterflies)

Wonderland : The Fairycake Godmother

Para ver mais fotos, basta dar uma olhada no Flickr dela. Também é super legal dar uma olhada em seu Blog.

Meme sobre o blog



Recebi esse meme super legal da Dani! Já tinha visto por aí e não via a hora de alguém me indicar!

REGRAS
"Um Blog faz uma tag com perguntas e tagueia outros 10 blogs e assim um circulo, a regra é nomear blogs com o menor número de seguidores para nós criarmos um relacionamento e nos conhecermos."

PERGUNTAS

1) Como escolheu o nome do seu blog?
A primeira coisa que precisa saber é que Spleen não significa baço, não no sentido que eu quero dar ao blog.

"A palavra é de origem grega splēn. Na língua inglesa significa baço. A conexão entre spleen (o baço) e a melancolia é oriunda da medicina grega e da teoria dos humores. Spleen foi uma característica presente tanto no romantismo europeu como no brasileiro. A palavra denotava melancolia extrema, desejo de autodestruição, diante da qual a morte é a única solução definitiva para os problemas do homem. Na morte seria encontrado o alívio que é vida. No romantismo brasileiro essa característica foi especialmente notada na poesia de Álvares de Azevedo". (Wikipédia)

Triste, não? Bem, como sabem, adoro Álvares de Azevedo e spleen é a palavra que mais o descreve. E eu achava que também me descrevia lá pelos meus 16 anos. O blog era para ser algo mórbido e acabou virando totalmente ao contrário. Ele tem cores claras e tento sempre falar de coisas felizes ou de coisas que façam as pessoas rirem. Não acho que as pessoas precisam de mais coisas tristes na vida. Então, Spleen Juice, para mim significa: Um remédio contra o tédio e a tristeza. Ele surgiu (acredito que antes e se autoafirmou depois) quando assistia Supernatural. Tem um episódio que voa "spleen juice" (suco de baço) na cara do Sam. É tipo epifânia haha

2) Quanto tempo se dedica ao blog?
Acho que bastante. Todo dia entro para ver os novos comentários e também para responder outros. Dou uma lida em algumas postagens e vejo se não há nenhum erro nelas (por mais que eu revise mil vezes, sempre há). Também gosto de olhar a parte de estatísticas, só por curiosidade.

3) Já teve algum problema com comentários de anônimos no blog? O que?
Não, nunca! Pelo simples motivo de que no meu blog não é permitido deixar comentários anônimos. Não fui eu que coloquei, juro! Não sei se quando você cria um blog já vem assim, ou sei lá, só sei que fui dar uma fuçada nas configurações e vi que estava assim. Pensei em mudar, mas para quê? Está muito bom assim.

4) Pretende mudar algo no blog em 2013?
Sim. O layout, mas só se eu descobrir como faz uns bangs lá impossíveis (já tentei de tudo). Também quero fazer mais postagens e postar mais fotos da minha autoria. Quero fazer mais projetos e alguns vídeos (só não sei sobre o que. Parece que já fizeram de tudo nesse mundo).

5) Já ficou sem inspiração para postar? Como superou isso?
Sim, várias vezes. Quando estou sem inspiração praticamente fuço na internet toda alguma coisa legal que eu possa postar ou algo que me inspire. Também leio alguns livros e assisto filmes. Normalmente também deixo umas postagens de emergências. Se eu ficar muito tempo sem postar, escolho uma delas.

6) O que gosta de fazer quando não está no computador?
Ler, desenhar, assistir filmes, dançar sem motivo aparente e sem música, falar sem parar, encher o saco de alguém, passear por algum lugar que não me estresse e me deixe entediada, viajar, ir para a faculdade, fazer cursos, não ficar parada de preferência.

7) Quantos livros lê por mês?
Depende. Se estiver estudando e na correria, acho que dá para ler uns quatro livros por mês. Se estou de férias, o máximo que consegui foram uns nove.

8) Quantos blogs visita por dia?
Acho que uns 5. Isso conta aqueles que acesso geralmente e aqueles que acabo encontrando sem querer.

9) Qual blog visita todos os dias?
Acho que não existe um blog que eu acesse todo santo dia. É bom esperar um tempinho, assim há mais coisas para ler. Porém, uns que visito muito são da Melina Souza e da Juliana Cunha .

10) Quanto tempo está na blogosfera?
Esse blog está desde 2010. Mas eu faço blogs desde 2006.

11) Você se inspira em outro blog? Qual?
Sim, pego referências em vários blogs. Além dos que eu citei no item 9, também acho muito inspirador o So Contagious e o Humming Meadow.

INDICAÇÕES

Olive
Bia
Lari
Lua
Sara
Isabel
Ringo
Nicole
Larih
Kamii

O Sótão

Waiting for Daniel

Estava escuro. Completamente. Pegou seu celular e tentou iluminar o local com a fraca luz. Era o suficiente para encontrar a escada estreita e toda branca que se escondia naquele canto esquecido e desconhecido para muitos. Subiu cuidadosamente, não queria chamar atenção e não queria que os degraus rangessem demais conforme subia os dois lances de escadas.

Encontrou-se no segundo andar, virou-se para a esquerda onde achou um umbral sem porta, carcomido pelo tempo. Esquecido, pelo mesmo motivo. Atravessou-o e do lado direito encontrou vigas de madeiras. Nada além disso levá-la-iam ao seu destino. Um passo em falso e cairia delas estatelada no chão. Talvez não morresse, mas poderia ganhar algumas costelas quebradas.

Agachou-se e de joelhos, segurando fortemente nas vigas, foi se movimentando até o outro lado com cuidado. Às vezes algumas farpas entravam em suas mãos, mas ela não se importava muito. A adrenalina era mais forte e prazerosa que o medo. Sabia que tudo naquele lugar estava velho e apodrecido, mesmo assim, aventurava-se. Conseguiu chegar sã e salva ao outro lado.

Tirou uma chave grande e enferrujada do bolso e abriu a porta. Estava no sótão. Não sabia o que a atraíra primeiramente para aquele lugar, talvez fosse a quietude, a beleza ou porque fosse antigo. Sempre que seu dia era muito turbulento, decidia que ali era um ótimo lugar para esfriar a cabeça. Era onde lia seus livros, onde escrevia, onde ouvia música e onde sempre o encontrava. Mas ele parecia não estar ali hoje, mesmo assim, havia sempre algo que denunciava sua presença.

O sótão era um cômodo com um teto triangular, todo feito de madeira e contendo algumas caixas e quinquilharias. Ela nunca se permitiu dar uma olhada no que havia ali. Era como violar um esquife. A única coisa que fazia era usar por um tempinho aquele lugar. O que gostava mais era a enorme janela que havia bem no centro da parede triangular. A vista era linda e dava para ver um pouco da cidade e as árvores de uma praça perto dali. Gostava de ficar ali também em dias de chuvas, mesmo tendo que aguentar algumas goteiras insistentes.

Quando deu mais um passo, notou que havia algo a mais ali. Tinha alguns objetos brilhando no teto. Aproximou-se e percebeu que eram dezenas de borboletas feitas de um papel furtacor, que brilhavam enquanto o sol entrava pela grande janela. Elas estavam presas no teto por fios de náilon. Eram tantas e enchiam seus olhos com suas cores que variavam entre roxo, rosa e azul. Não conseguiu conter o enorme sorriso que surgiu em seu rosto, ainda mais em um dia que pouco sentiu vontade de mostrar os dentes.

Ele sabia. Ele sabia. Ele sabia. Ele sempre sabe. Quando ela passava por um dia difícil ou se sentia triste, lá estava uma surpresa. Como poderia gostar tanto de uma pessoa que não sabia quem era, nunca vira o rosto e só conhecia o nome? Sempre fora ensinada a não falar com estranhos. Sabia que devia desconfiar das pessoas. Ela bem sabia disso. Mas não conseguia se conter quando recebia os bilhetes, as cartas ou pequenas mensagens criativas espalhadas por aí, como as borboletas. Amava-o sem saber quem era, mesmo que se recriminasse por isso.
Aproximou-se da janela e notou que havia algo escrito em caneta vermelha na janela. Ele sempre deixava mensagens nos vidros. “Pense em mim”. Ela não precisava nem ler aquilo para fazê-lo. Sorriu mais ainda. Desde que aparecera em sua vida, às coisas tinham melhorado. Não estava mais sendo tão difícil.

Ouviu um barulho às suas costas. Virou-se de repente e encarou-o. Se é que podia ser encarado, afinal usava uma máscara. Também se vestia completamente de negro. Exceto a máscara e as luvas. Eram branquíssimas. Era uma visão assustadora. Qualquer pessoa sensata correria. Mas ela não correu. Nunca sentira medo dele. Já haviam se encontrado antes e o sujeito nunca fizera nenhum mal a ela.

Ele estendeu sua mão vestida de tamanha alvura. Qualquer pessoa hesitaria. Ela não. Segurou sua mão. Sabia perfeitamente que estava segura.

Obs: Esse conto foi feito para o 30 Days Writing Challenge e corresponde ao dia 7: Um lugar que só exista na sua cabeça. O texto foi inspirado em um sonho que tive e que me chocou muito. Ele não termina aí, na verdade, tem muito mais e eu chego a descobrir a identidade da pessoa. Mas não sei se conto mais do que isso haha