Robert Mckee

A primeira vez que me “esbarrei” com Robert Mckee foi em um vídeo que vi na internet. Era uma entrevista com o escritor brasileiro Raphael Draccon (que você pode assistir aqui), na qual ele falava um pouco do seu processo criativo. Foi aí que ele citou o tal do Robert Mckee como o must have, ou melhor, must read das pessoas que sonham em ser escritores.

Uma googlada rápida e eu soube que Robert Mckee era um cara sensacional. Ele era professor de Escrita Criativa na University of Southern California e escreveu apenas um livro, que praticamente virou a bíblia de vários escritores e roteiristas: Story – Substância, Estrutura, Estilo e os princípios da escrita de roteiros. Praticamente a maioria dos alunos que tiveram aulas com ele, tornaram-se grandes roteiristas.

Escrever é difícil. Super difícil dependendo do assunto. Uma página em branco para escritores é muito mais assustadora que qualquer coisa por aí. E bloqueio criativo? Isso sim é sinônimo de desespero. Por muito tempo acreditei que escrever era algo meio transcendental. Do tipo que você entra em transe e começa a digitar loucamente no computador e todas as ideias saem prontas e lindas. O problema é que escrever, como qualquer coisa, exige uma base teórica, um conhecimento a mais. Para aprender a fazer grandes pinturas, primeiro você tem que ter noção de proporção, luz e sombra, entre outros. Para cantar bem, precisa saber respiração e postura. Para escrever é a mesma coisa. Não é só ortografia e gramática, há toda uma estrutura.

Foi por isso que decidi pegar o livro do Robert Mckee na faculdade. Eu sabia que precisava conhecer mais sobre esse mundo que eu pensava que conhecia. Nos Estados Unidos há diversos cursos ótimos de Escrita Criativa, aqui no Brasil a gente tem que se virar com o que tem mesmo. E como pensado, o livro valeu totalmente a pena. Robert dá vários tapas na cara da gente. Vi vários erros que ele apontou e que eu tinha mania de cometer. Vi alguns furos nas minhas histórias e também como deixá-las mais fortes.

“As pessoas que esperam por inspiração nunca criam nada que preste. Isso não é profissional. É uma forma delirante e romântica de pensar. Muitas pessoas que dizem escrever por inspiração estão enganadas quanto ao próprio talento. Mas, presumindo que se tenha talento, é preciso tratá-lo como um músculo. É um poder que você tem no cérebro para pegar as coisas da vida e descobrir conexões que estão escondidas na sua cabeça e colocá-las para fora de uma forma como ninguém fez antes. Quem tem talento nasceu com isso, mas precisa trabalhar. E, por tudo que sei de escritores, as melhores experiências vêm quando eles não estão a fim de escrever. Porque não se tem acesso direto ao seu talento. Essa é a ilusão da inspiração: a de ter acesso direto ao talento quando estiver com vontade, ou relaxado. Isso é non-sense. Talento é um poder subconsciente no seu cérebro e é como um gato que só vem até você quando está a fim. Não é um cachorro. O talento é um gato, que vem quando lhe é conveniente.”


Robert Mckee em uma entrevista e dando tapas na nossa cara.

O livro é bem focado em roteiros e cinema. Nem tudo que vale para um, vale para outro. Mas, pelo menos uns 60% dá para ser usado para quem pretende escrever livros. Fiz várias anotações de trechos que me interessaram e que pretendo reler sempre que quiser escrever algo. Como ele mesmo diz, nem tudo é para ser seguido a risca, mas é bom saber. Uma vez li um livro da Meg Cabot, chamado A Garota Americana, em que tem uma frase mais ou menos assim “Primeiro aprenda as regras para depois quebrá-las”. Se não me engano, no livro dizem que essa frase é do Picasso, mas nunca achei nada que confirmasse. O negócio é que escrita exige sim criatividade, conhecimento, um tanto de inspiração, memórias, fatos, mas, não adianta nada isso tudo se não sabemos organizar da forma certa. Depois que aprendermos isso, podemos inventar, mudar, inovar o quanto quisermos. O importante é sempre estarmos dispostos a aprender mais.

Esse é o primeiro escritor que leio sobre a estrutura da escrita e é minha primeira dica a você que também sonha em escrever vários livros. Mas não será o último.

“Do total de esforço criativo representado em uma obra terminada, 75 por cento ou mais do trabalho do roteirista é usado para moldar a estória. Quem são esses personagens? O que eles querem? Por que elas o querem? Como elas tentarão consegui-lo? O que as impede? Quais são as consequências? Achar as respostas para essas grandes questões e moldá-las em uma estória é nossa grande tarefa criativa”.
Story, Robert Mckee

4 Comentários:

  1. Me lembro de ler esse livro na faculdade! É realmente bem interessante, tem dicas maravilhosas. É bem focado em roteiro para cinema, pelo que eu me lembro, mas dá para adaptar bastante coisa para outros tipos de roteiro.

    http://naomemandeflores.com

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  2. WEsperar a inspiração vir para escrever um texto: sou eu mesma! kk nunca parei para pensar sobre isso, ou seja estou fazendo tudo errado tb kk! eu gosto muito de escrever textos, mais eles não ficam bons... me interessei por este livro, quero ler! E muito legal a dica pra quem vai fazer um livro; penso que escrever uma história é complicado, fico imaginando todo o trabalho que esses escritores tem, pois eles conseguem transmitir os sentimentos das personagens pra gente, suas personalidades e etc, é muito legal, um dia quero chegar lá... beijos s2

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  3. Já entrou para a minha lista de leitura :)

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  4. Você já sabe que o seu blog e a minha vida são cheios de coincidências, né? Primeiro você postou sobre aquele filme e logo em seguida eu vi que ele ia passar na tv. Agora eu li esse post, marquei 'quero ler' no Skoob e, poucos dias depois, minha irmã veio para a minha cidade e adivinha o livro que ela ta lendo? haha :D

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