Sede de cultura

Créditos da foto: IdeaBrasil

Plena sexta-feira de noite. Normalmente vemos as pessoas saindo do trabalho e da faculdade indo direto ao bar ou a qualquer lugar que tenha alguma bebida parar rir e se divertir com os amigos. Mas os meus amigos e eu decidimos ir para a Paulista comer no Habib's e dar uma explorada por lá. Mal cheguei na avenida mais famosa de São Paulo e meus olhos começaram a brilhar de tantos prédios iluminados, um cenário incrível misturado com pessoas dos mais diversos estilos.

O mais divertido de tudo foi justamente quando fomos no Conjunto Nacional. Vou confessar para vocês que além de ser bookaholic e morar em São Paulo há 19 anos, eu nunca tinha ido na Livraria da Cultura. Passei minha vida toda com pessoas dizendo: "Você não conhece essa livraria? Você devia já que gosta tanto de livros!". É que além de morar looooonge do centro, eu ainda vivo em uma zona de conforto perto de shoppings com livrarias e internet cheia de sites onde posso comprar livros mais baratos. Sem falar de sebos, claro.

O negócio da Livraria da Cultura é mais do que apenas comprar livros, é um lugar próprio para amantes de livros que sentam-se em pufes coloridos para lerem o que bem entenderem. Mesmo sendo tarde e mesmo os vendedores já avisando que iam fechar a loja, o local estava cheeeeio de pessoas olhando todas as estantes. Eu mesma, quando pus os pés naquele lugar luminoso, pensei: "ESTOU NO PARAÍSO! QUE LUGAR LINDO!".

Tinha tanta coisa para se ver, tantos livros para admirar, tantas sinopses para ler que eu não consegui nem subir para os outros andares. Tudo era tão magnífico que eu precisaria ter uns dez olhos para captar cada detalhes do lugar. Minha vontade era pegar algum livro, sentar-me e ficar lendo para o resto da minha vida. Porém, na Terra, as livrarias não ficam abertas para sempre e precisam ser fechada as dez horas.

Antes desse episódio épico, nós tínhamos ido até aquela loja Geek que também fica no Conjunto Nacional e que pertence a Livraria da Cultura. Lá tem tudo praticamente da cultura geek e nerd, desde quadrinhos, até filmes, livros, miniaturas, camisetas, entre outros. Eu, por exemplo, fiquei apaixonada pela edição do livro Laranja Mecânica de 50 anos de capa dura e com jacket (que custava 79 reais *chora*). Também fiquei namorando os quadrinhos do Sandman e querendo levar todos para casa.

O mais engraçado foi quando fomos para o segundo andar da loja. Lá tinha uns três nerds jogando vídeo game que quando viram minha amiga e eu adentrando aquele local estranho pararam tudo e nos olharam com uma cara de: ÃÃÃÃÃÃÃ MENINÃÃÃÃS???? Achei um ultraje sem tamanho. Sério, por mais que todos os elementos fossem da cultura nerd, muita coisa lá é também para quem gosta de cinema cult, livros cults, quadrinhos, entre outros. E meninas gostam dessas coisas. É mais comum do que se pensa.Tenho amigas que podem não gostar de tudo desse universo, mas, pelo menos, assistiram Pokémon na infância e colecionavam as miniaturas. Sei que elas não são tão viciadas quanto eu que continuo jogando e comprando-os no McDonalds (quando vendia no McLanche Feliz), mas elas gostavam e ponto.

Sei que muitos dos caras que frequentam a loja não estão acostumados a ver tantas garotas por lá, mas elas existem, sabe? Parece que ainda há aquele preconceito todo com garotas que gostam de vídeo game, ler, quadrinhos e tudo mais. Dá para ver isso até nas redes sociais com aqueles memes babacas falando sobre garotas que ficam se gabando por gostarem de coisas de meninos (nunca vi uma que fizesse isso). Não nos gabamos, só gostamos e ponto. Não é algo de se orgulhar, é apenas gosto pessoal.

Mas de uma coisa eu sei: preciso ir no Conjunto Nacional mais vezes. E conseguir aquele livro fabuloso do Laranja Mecânica.

Dia Internacional do Livro

Books. Always.

Dia 23 de Abril, simplesmente o dia favoritos dos bookaholics que eu não podia deixar passar em branco mesmo fazendo esse post em plena madrugada do dia 24. Comemorei só um pouquinho esse dia enquanto lia um livro sobre a Tarsila do Amaral no ônibus, a caminho da faculdade. Pensei e pensei o que diabos podia escrever sobre hoje e a única coisa diferente que me surgiu foi fazer uma coletânea de frases que falam sobre livros ou a magia que há neles. São várias frases que tenho anotadas e que me identifico muito e que, com certeza, vocês também vão se identificar. Então, degustem-nas!

"Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante".
(Clarice Lispector)


“Certa ocasião ouvi um cliente habitual da livraria de meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde - não importa os livros que leiamos, os mundos que descubramos, o quando aprendamos ou nos esqueçamos - iremos retornar”.
(Carlos Ruiz Zafón - A Sombra do Vento)


"Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio."
(Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904)


"Gostaria de saber”, disse para si mesmo, “o que se passa dentro de um livro quando ele está fechado. É claro que lá dentro só há letras impressas em papel, mas, apesar disso, deve acontecer alguma coisa, porque quando o abro, existe ali uma história completa. Lá dentro há pessoas que ainda não conheço, e toda a espécie de aventuras, feitos e combates — e muitas vezes há tempestades no mar, ou alguém vai a países e cidades exóticos. Tudo isso, de algum modo, está dentro do livro. É preciso lê-lo para o saber, é claro. Mas antes disso, já está lá dentro. Gostaria de saber como…"
(Michael Ende - História Sem Fim)

"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma livraria"
(Jorge Luis Borges)

"Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos".
(Carlos Ruiz Zafón - A Sombra do Vento)


"Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam"
(John Green)

"Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas, as pessoas mudam o mundo".
(Mario Quintana)

"Em quantos livros tinha tocado? Quantos havia sentido? Andou até o começo e fez tudo de novo, dessa vez muito mais devagar, com a mão virada para frente, deixando a palma sentir o pequeno obstáculo de cada livro. Parecia magia, parecia beleza, enquanto as linhas vivas de luz brilhavam de um lustre. Em vários momentos, Liesel quase puxou um título do lugar, mas não se atreveu a perturbá-los. Eram perfeitos demais".
(Markus Zusak - A menina que roubava livros)

Feliz Dia Internacional do Livro ♥

Estudar Publicidade e Propaganda

Esses dias, a Carole me perguntou sobre como eu acabei optando por publicidade e seu tinha outros cursos em mentes. Ela não foi a primeira que me perguntou sobre minha escolha, como é o curso, entre outras coisas, então, decidi fazer um post especialmente para tentar sanar todas essas dúvidas.

1) Como você escolheu o curso? Teve dúvidas?
Quando eu estava terminando o 3º Ensino Médio, eu queria fazer Design na USP. Decidi que depois que terminasse o último ano da escola, eu iria fazer um ano de cursinho para passar. Porém, acabei dando uma olhada na grade e não gostei. Puxava muito para a arquitetura, e eu gostava mais da parte gráfica.
No meu curso de Design Gráfico eu tinha um amigo que fazia Publicidade e Propaganda no Mackenzie e sempre contava como era lá, sobre os professores, matérias, etc. Quando dei uma olhada na grade e vi que tinha enfoque em Criação a partir do segundo ano (você podia escolher enfoque em Marketing também), decidi que seria essa a faculdade e curso que iria fazer (sem falar no campus lindo que me conquistou de primeira haha).

2) Publicidade x Design
A grade e o enfoque de Publicidade varia muito de faculdade para faculdade. Por exemplo, na ESPM e na USP o foco é praticamente Marketing. Por isso, preste bem atenção no que você quer. Para mim, o que importa mais é a grade. No caso do Mackenzie, você pode escolher Marketing ou Criação.
Você não precisa saber desenhar, não precisa manjar do pacote Adobe, porém, se souber, já ajuda muito. A diferença principal entre Design e Publicidade é justamente isso. Alguns dos publicitários mais famosos não sabiam desenhar nem casinha, mas tinham ótimas ideias. Quem coloca-as em prática é o designer, o fotógrafo, entre outros. O publicitário vai supervisionar, ver se a propaganda vai sair de acordo com o que imaginou e com o que o cliente pediu.
Na faculdade, você vai precisar saber sim o básico dos pacotes da Adobe e de desenho. Talvez no mercado de trabalho não precisará disso, mas, na faculdade, você atuará como designer, marketeiro, criativo, fotógrafo, cineasta, roteirista, pesquisador, entre outros. Por isso, mesmo fazendo Publicidade, se manjar muito de design, você pode sim se tornar designer. Isso depende muito das suas habilidades e experiências. Assim, como pode ser qualquer uma das coisas ensinadas durante os semestres.

3) Publicidade x Marketing
Acredite, os dois andam de mãos dadas. É mais ou menos a mesma relação entre Engenharia e Arquitetura, querendo ou não, um precisa do outro. Você vai ver muito Marketing em  Publicidade (é outra diferença comparado ao Design). Marketing lida com vendas, com a satisfação dos clientes, com estratégias e pesquisas de Marketing. Geralmente, marketeiros trabalham em empresas e uma parte cuidará da Comunicação da empresa, ou seja, a propaganda. Eles contrataram um veículo (jornal, canal de televisão, revista), que ficará responsável por contratar uma agência de publicidade que fará a propaganda. É através do Marketing que o Publicitário saberá como atingir o público-alvo.

4) Porque escolhi Publicidade e Propaganda?
Porque o curso tem um pouquinho de tudo que eu gosto. Você tem aulas de fotografia, pacotes da Adobe, música, cinema, mídias, redação publicitária, ilustração, entre outros. Porém, você também tem aulas de Marketing e também de teoria. Pode parecer ser a parte chata, mas, mesmo assim eu gosto. Acho que todo mundo devia aprender um pouco de Marketing, faz toda a diferença. A parte teórica é um tanto complicadinha, mas também muda seu jeito de ver as coisas. O bom é que depois você escolhe no que quer se especializar e se dedica a isso.

5) Ainda tem dúvidas?
Pesquise muito. Leia o máximo que puder. Visite site das universidades do seu interesse. Veja as grades, principalmente. Procure conhecer pessoas que são da área ou que estão estudando isso. Para ajudar, vou dar dicas de livros que li e gostei sobre a área.

Confissões de um publicitário - David Ogilvy
Raciocínio criativo na publicidade - Stalimir Vieira
Criatividade em propaganda - Roberto Menna Barreto
Tudo Que Você Queria Saber Sobre Propaganda e Ninguém Teve Paciência Para Explicar

Existe também uma série chamada Mad Men que conta a história de publicitários americanos nos anos 60. Muita coisa que você aprende na história da Publicidade e Propaganda, você vê na série. Ela é bem legal e acho que ajuda um pouquinho a ter ideia de como é.

Essas foram as percepções que eu tive desse ano e meio que estou na faculdade. Provavelmente poderei falar mais sobre isso com mais precisão ano que vem, quando começo a procurar estágios e a trabalhar na área. Mas, espero, que isso tire a dúvidas de algumas pessoas quanto ao que fazer :D

Folk + Brasil

Imaginem minha pessoa ao ver esse cartaz pregado em um quadro de avisos em um dos prédios da minha universidade. Folk é um dos meus estilos de música favorito e só de pensar que ia ter um pocket show em um lugar tão acessível, fiquei super empolgada. Confesso que não conhecia nenhum dos cantores, mesmo assim, tinha certeza que valia a pena. Nos últimos meses ando procurando diversas bandas/cantores brasileiros legais e tem um monte, mesmo. Então, pare de reclamar que o Brasil só tem música ruim e vai dar uma procurada. Ou, se quiserem, dou dicas depois.
De qualquer forma, o show ia ser durante meu horário de aula. Como a primeira era só apresentação de trabalho (e eu já tinha apresentado o meu nas semanas anteriores), era só assinar a lista e partir. Porém, é claro que não seria assim. Como sou uma pessoa realmente sortuda, minha professora decidiu dar aula. Então fiquei na sala até dar o horário do show. Odeio perder matéria, mas como essa eu já sabia algumas coisas, decidi dar uma escapadela. 
O show foi no Centro Histórico do Mackenzie, um lugar pequeninho que abrigou umas 30 pessoas. Isso não foi nenhum incomodo, na verdade, permitiu uma proximidade maior dos cantores com o público. O que eu tenho para falar sobre o show é que foi simplesmente fantástico. Até eu, com esse meu jeitinho um tanto ufanista, tenho que concordar que nunca pensei que existia pessoas tão talentosas assim no Brasil. Fiquei tão extasiada que decidi até perder a segunda aula (sou muito responsável, podem falar). 
Por isso, eu preciso apresentá-los para vocês. 
Jonavo: praticamente o anfitrião, falante e super simpático. A música que vou apresentar para vocês chama-se Doce com Salgado. Porém, a minha favorita foi uma versão cover que ele fez com sua irmã fofíssima da música Mal Necessário do Ney Matogrosso. Infelizmente não tem nenhum vídeo no Youtube, mas espero que alguém coloque.
Você pode achar outras músicas no canal do youtube dele e da Banda Zen. Ele também possui um site pessoal. Lá no site tem o blog dele, tem uns textos bem bacaninhas!

Breno Fernandes: um pouco tímido, Breno não só toca folk, como um pouco de samba, bossa nova, entre outros. Ele é super talentoso tocando aquele violãozinho (meu amigo disse que é um ukulele, mas não tenho certeza). 
O site dele parece que está fora de ar, mas, qualquer coisa, está aqui. Ele também tem uma fanpage no facebook.

Phillip Nutt: Não se engane pelo nome, Phillip é brasileiro, porém canta em inglês. O mais incrível disso é que ele canta com sotaque! Ele realmente parece americano. Dá para perceber que uma das grandes inspirações dele é Damien Rice. Nesse vídeo, tem uma entrevista com ele e também algumas das suas músicas.


Ele possui um site, no lado direito tem um gadget que dá para ouvir as músicas do CD dele.

Benjamin: Outro que canta inglês e perfeitamente. Benjamin possui uma voz muito parecida com os de cantores de folk americano. Ele é albino também (o que eu acho super legal)! Waters, a música do vídeo, é super apaixonante.


Ele tem Fanpage e site (em músicas dá para ouvir outras dele).

O show foi realmente inspirador! Como estou fazendo aulas de violão, fiquei prestando atenção neles tocando. Ainda sou uma total inútil nisso, mas espero melhorar com o tempo. Também virei fã deles e ficarei ligada em possíveis próximos shows. Está na hora de aproveitar o que nosso país tem para oferecer de melhor.

Para conhecer mais sobre esse projeto deles, o Folk+Brasil, podem acessar e curtir também a fanpage deles.

She's back!

Ela está de volta. Não eu. Ou melhor, eu também, afinal faz séculos que não posto aqui. Mas estou falando da minha franja. Esta que sempre me acompanhou boa parte da minha vida e que decidi abandonar ano passado. Prometi a mim mesma que iria deixar de ser menininha e começar a parecer mais mulher. O problema é exatamente esse: quando minha franja cresceu, percebi que a cara de criança não tinha nada a ver com ela, era algo inevitável.

Qualquer pessoa que me conhece de qualquer lugar possível sempre diz a mesma coisa de mim: que sou fofa. Essa qualidade (espero que seja uma qualidade) vem me acompanhando desde sempre. Possivelmente pela cara de criança, por ser tímida e meio infantil na maioria das vezes. E não, como eu pensava, por causa da franja. Deixá-la ir não me fez mais madura, nem parecer mais moça, nem nada. Por isso decidi aceitar o fato, e deixá-la voltar. Porque, sinceramente, sinto-me mais eu com ela.

1ª foto: Eu sem franja (ou melhor, com ela crescendo). 2ª foto: Eu sem franja e sem lente (corre)
Agora o segundo passo dessa empreitada é deixar finalmente meu cabelo crescer até a cintura. Lá vem mais um ano sem cortar absolutamente nada. Ou melhor, cortar sim, mas apenas a franja.

Desenhos infantis like always.
Obs: Ando com um problema de inspiração-preguiça-falta-de-vontade-de-escrever-qualquer-coisa. Vou tentar fazer com que isso passe logo.