Não sabemos como somos bons


Depois de um bom tempo sem escrever, cá estou. Faltou mais inspiração do que tempo. Falou mais assunto para falar do que qualquer outra coisa. De qualquer forma, hoje acabei vendo uma notícia que me deixou surpresa. Você conhece o cantor Gotye? Aquele que canta aquela música famosa Somebody that I Used to Know? Se não me engano, ela estourou ano passado e não parou de tocar em todos os lugares que pudesse.

Lembro-me como se fosse hoje o dia que me deparei com essa música. Estava no Twitter e alguém comentou sobre. Então, busquei no Youtube para ouvir. Achei-a, apertei o play e deixei que tocasse. A música acabou e fiquei um longo tempo sem perceber. Quando finalmente notei, não lembrava absolutamente nada de como a música era. Ela simplesmente não me chamou atenção. Meu cérebro não conseguiu filtrar nada. Apertei o play de novo. A música começou e acabou. Novamente não percebi. Novamente nada ficou dela na minha cabeça. Senti-me na obrigação de apertar o play de novo e assistir o clipe e prestar atenção na música. Dessa vez, finalmente consegui filtrar algo, mas nada, absolutamente nada me chamou atenção nela. Então desisti.

Comentei com meu irmão (que gostava da música) que a sensação que eu tinha quando a escutava era de vazio. Apertar o play e não apertar era quase a mesma coisa. Só comecei a gostar um pouquinho dela depois que estourou no rádio e na televisão. Mesmo assim, meu interesse por Gotye e sua tão famosa música era igual a nada. Faltava algo que nenhum prêmio que ele ganhasse conseguiria me convencer de que estava errada.

Até que hoje saiu a tal notícia que me referi no primeiro parágrafo: Gotye usou música de brasileiro para criar Somebody that I Used to Know. A música original, de onde Gotye tirou apenas duas notinhas é de Luiz Bonfá. Já ouviu falar sobre ele? Não? Nem eu. Ele foi um cantor e violinista brasileiro que contribuiu para a nossa bossa nova com músicas lindas. Agora a questão que fica é: como diabos um cara como o Gotye conhece o Luiz Bonfá e eu, brasileiríssima, não? O que está acontecendo com a gente? Por que não conhecemos essas pessoas incríveis que estão espalhadas por aí? Será que falta de curiosidade da própria mídia ou da gente mesmo? Não faço ideia.

Se foi plágio, sampler ou releitura, eu também não sei. Só sei que agradeço a Gotye por ter-me feito conhecer um musicista brasileiro tão incrível. O temperinho que eu sentia falta em Somebody that I Used to Know encontrei em Seville de Luiz Bonfá. Incrível como uma música sem ninguém cantando consegue ser mais contagiante que a releitura. Os fãs que me desculpem, mas a nossa versão brasileira é bem melhor.

Segue Seville e tirem suas próprias conclusões.

9 Comentários:

  1. Você falou exatamente aquilo que eu sinto quando escuto a música do Gotye: vazio. E sinceramente também preferi a versão brasileira, somente instrumental, mas bem superior a do Gotye. Também nunca havia ouvido falar desse músico brasileiro, é incrível como a gente não conhece os nossos próprios artistas.
    Beijos

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  2. Ah, eu também não achava graça na música do Gotye, não era ruim mas, como a maioria das músicas que estouram na mídia, não é lá aquelas coisas, fiquei muito surpresa com essa história de plágio também, não conhecia o Bonfá mas acabei me apegando a versão dele, sem dúvida bem melhor que a do Gotye, aliás, pesquisando mais um pouco descobri outras músicas boas dele, é muito legal quando descobrimos talentos assim no nosso país, prova que ele não é feito só de futebol e funk. xD
    Falando em plágio com nossos artistas, também teve o do autor as Aventuras de Pi né? Que plagiou um escritor brasileiro, tenso isso. >.<
    Beijos.

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  3. eu conhecia o Luiz Bonfá de nome.. realmente bem melhor que Gotye. Nunca suportei a música dele rs A música BOA brasileira é mal explorada mesmo.. talvez porque sacanagem em ritmo de funk, forró e sertanejo vendam mais, infelizmente. Mas teve um trabalho da faculdade que me levou a conhecer artistas independentes e alternativos brasileiros que fizeram eu me perguntar a mesma coisa: por que não conhecemos esses artistas tupiniquins tão legais e no rádio e na tv somos obrigados a ouvir porcarias?

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  4. É, acho que eu falta de interesse da mídia e de nós mesmos. Não conhecia o Luiz Bonfá nem o Gotye, mas gostei das duas versões :)
    Também tem aquele tal plágio de um livro brasileiro chamado Max e Os Felinos, né? As Aventuras de Pi...

    >> blog-espelhodigital.blogspot.com

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  5. Eu até gostava da música e agora fiquei sabendo desse plágio, também não conhecia Luiz Bonfá.
    Eu reconheço que a música brasileira tem sim o que oferecer (mesmo não fazendo parte do meu cardápio musical) e não é só aquilo que a mídia sempre mostra. Para mim a maior parte dos cantores sertanejos de agora é tudo a mesmo a coisa.
    E a inovação, onde está?

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  6. Caramba!
    A batidinha do violão é realmente muito parecida!
    E não sei porque, acho que o Tarantino adoraria usar essa música do Luiz Bonfá para um filme dele! Combina muito! Vamos recomendar! ahhaha
    Beijinhos,
    Own Mine

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  7. Temos artistas incriveis e nem sabemos ne? Alem da midia viciada acho que existe tambem bastante preconceito da nossa parte com relacao a isso... :x

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  8. nossa! gostei bastante da nossa versão, seria muito legal se alguém colocasse o áudio da letra americana no instrumental brasileiro.
    também adoro livros/filmes sobre guerra, Leviathan é muito bom e as ilustrações são lindas, eu li o livro com uma lupa para olhar cada detalhe das ilustrações *.*

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  9. Gostei muito. nunca me interessou Gotye...

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