Stoker (Segredos de Sangue)

Vi o trailer de Stoker, por acaso, no começo do ano. Isso foi o suficiente para me convencer de que devia assisti-lo. Mesmo sabendo que este estrearia em fevereiro nos Estados Unidos e só chegaria aqui em Junho, decidi esperar. Quando finalmente o filme estreia aqui, descubro que é só em cinemas longe de onde eu moro. Então, decidi baixar mesmo já que minha ansiedade já estava no limite.

Mas o que o filme tem de estão especial? Primeiramente o que me atraiu foi o próprio enredo da história. Apesar de haver grandes atores, como Nicole Kidman, isso não foi o que me interessou. Sem falar na atmosfera mórbida que percebi na fotografia e também o diretor, Chan-wook Park, que é considerado um prodígio (apesar de eu não ter visto seus filmes anteriores).

A história é sobre uma família de sobrenome Stoker que tem a vida mudada após a morte do patriarca da família, Richard Stoker. India (Mia Wasikowska), filha dele, é uma garota excêntrica e mórbida que gosta de ler e caçar com seu pai. Evelyn (Nicole Kidman) é aquele tipo de mãe que se arrepende da vida que tem, se sente presa na enorme mansão que vive. No dia do funeral do pai, elas acabam conhecendo seu irmão, Charlie, de quem nunca ouviram falar. Ele decide passar uns dias na casa e, então, coisas estranhas começam a acontecer.

Quando começar a assistir, a primeira coisa que irá notar é a beleza da fotografia, é ela que praticamente vai contando toda a história. A iluminação e o modo como muda de uma cena para a outra é crucial para que você sinta o que está acontecendo nas cenas. A sonoplastia também é incrível! O filme também possui diversas simbologias como a chave e a aranha. Eu simplesmente achei o filme uma aula de fotografia e simbologia.


Finalmente Mia Wasikowska fez uma atuação digna! Ela realmente entrou na personagem e conseguiu transformá-la em uma menina sombria, fria e taciturna como se fosse um fantasma. Conforme vai desenrolando a trama, você perceberá a mudança que irá acontecendo em sua personalidade e o desabrochar da sexualidade e violência que estava o tempo todo escondido dentro dela.

Simplesmente amei o filme. Algumas resenhas negativas chamaram-no de vazio. Não senti isso enquanto assistia de tanto que fui tragada pela história e fotografia. Talvez o significado que tanto procuraram e não acharam estava nas entrelinhas, nos detalhes que muitas vezes deixamos passar.



Obs: Se eu fosse vocês, daria também uma olhada na trilha sonora que é muito boa também!

Viva la Revolución!

Era um dia comum como qualquer outro. Penúltimo dia de aula, prova a fazer, trabalhos a entregar. Eu estava no metrô quando uma menina loira e baixinha se aproximou perguntou:

- Você vai para a manifestação?

Não sei ao certo o motivo dela por ter perguntado isso a mim. Mas eu não ia, porque tinha prova, mesmo sentindo a chama da revolução queimando no meu peito enquanto eu via as diversas notícias pela internet. Confesso a vocês, sempre tive o sonho de ver o Brasil se levantando contra esse governo ruim.

- Não – respondi – e você?

- Vou! Toma cuidado quando passar pelo Teatro Municipal. Nós vamos nos reunir lá, mas os policiais estão pegando qualquer pessoa que está passando.

Achei legal da parte dela mesmo indo na manifestação, me avisar do que estava acontecendo. Então, eu disse boa sorte e que estava torcendo por eles, porque apoiava a causa.

Cheguei à faculdade sem maiores problemas, apenas lembrando-me da garota e me perguntando se ela estaria bem e se chegaria em casa hoje. Fiz a prova. Não tinha a segunda aula, apenas a última, no qual precisava entregar um trabalho. O meu prédio fica fora do campus universitário, na Rua Piauí, justamente em uma das ruas que dá para a Consolação. Eu precisava atravessar apenas a rua para chegar até o campus. Desci até o térreo, meus amigos e eu percebemos que havia certa movimentação por ali.

Foi quando ouvimos gritos e explosões. Os alunos começaram a entrar desesperadamente dentro do prédio tossindo e chorando. Os seguranças mandaram todos entrar e fecharam as portas para impedir o que estivesse lá fora entrasse. Não era quem, era o que: gás lacrimogêneo. Logo um cheiro horrível adentrou o prédio que começou a irritar o meu nariz. Felizmente não atingiu meus olhos.


A rua do nosso prédio não tinha manifestantes. Tinha apenas alunos da faculdade e os polícias jogaram várias de graça por lá. Para vocês terem uma ideia, uma velhinha estava passando pela rua quando isso aconteceu e duas alunas da faculdade levaram-na para o Campus, para ela ficar protegida. Encontrei-a desesperada enquanto as meninas tentavam acalmá-la. Quando as coisas aquietaram um pouco, corremos para o Campus, onde era mais seguro. Lá ouvimos várias bombas e também o helicóptero sobrevoando o local. Uma amiga e um amigo meu que foram ver o que estavam acontecendo e os policiais jogaram gás lacrimogêneo neles. Outra estudante teve o braço ferido por estilhaços das bombas. Os policiais tiveram a ignorância de jogar bombas na frente do nosso prédio sem motivo nenhum. Foram várias bombas. Nenhum aluno fez nada, estávamos apenas na rua, porque precisamos fazer a transição de um prédio para o campus, já que tínhamos aula lá também.

Foi simplesmente surreal. Foi uma loucura. Provas foram canceladas. Nós não podíamos sair do campus porque corríamos o risco de sermos machucados. O cheiro do gás lacrimogêneo estava espalhado pelos prédios mais próximos da Consolação. Um completo caos. Parecia que estávamos no meio de uma guerra.
Quando as coisas acalmaram, e depois de entregar os trabalhos nós decidimos arriscar ir para o metrô.

Parecia que as coisas já estavam calmas e não ouvíamos mais bombas. O caminho que iríamos percorrer aparentemente não teria problemas, mesmo passando pela Rua Maria Antônia onde a polícia havia cercado os manifestantes. Ao passarmos por ela, havia lixo para todo o lado. A cesta de lixo estava depredada e havia vidro na rua em alguns lugares.

Passaram umas dez viaturas pela gente. Estávamos morrendo de medo de eles pararem e jogarem gás de lacrimogêneo ou atirar em nós com balas de borracha, mas, ainda bem, isso não aconteceu. A polícia que devia nos proteger e nos dar segurança, agora nos dá tanto medo quanto um ladrão. Conseguimos chegar sãos e salvos no metrô, que estava funcionando normalmente.

Quando cheguei em casa, vi na internet o que havia acontecido. Quanta crueldade ao redor da faculdade (que pega um quarteirão), não só com pessoas que não tinham nada a ver com situação quanto com manifestantes que não fizeram nada também. Não justifica tanto uso de poder. Não justifica uma manifestação ser tachada de terrorismo. É essa a hora do Brasil se levantar e lutar com essa ditadura que não acabou.


Como se concentrar na leitura e entendê-la

















Esse post foi uma sugestão da @GigiSalles_Aha, perguntando se no blog havia algum post falando
em como se concentrar na leitura. Nunca tinha parado para pensar nisso antes, se havia algum ritual ou algo que ajudasse a manter o foco. Decidi dar uma pesquisada e começar a prestar atenção nos meus próprios hábitos de leitura. O post não é só sobre concentração, mas também como compreender do que se trata o livro.

A primeira coisa que preciso falar é que se o livro é bom e te agrada, provavelmente você não precisará se concentrar na leitura, afinal sua atenção foi fisgada pelo enredo e personagens. O negócio complica quando o livro é chato, muito difícil ou técnico. Você precisa prestar atenção no texto porque provavelmente tem prova ou algo do tipo, mas parece impossível. O que fazer?

1º - Não leia quando estiver com sono: Sono e leitura não combinam, mesmo se você forçar, há a grande chances das letrinhas começarem a dançar diante dos seus olhos e não conseguir entender nada do texto. Descanse e quando estiver mais bem-disposto, tente ler.

2º - Procure um lugar silencioso/ou muito barulhento: Se você já tem problemas de concentração, então é melhor procurar um lugar quieto para ler. Nada de televisão, computador, entre outros. Porém, eu consigo ler mesmo com a televisão ligada e com pessoas falando ao meu redor. Quando tem muito barulho é mais fácil para eu me concentrar do que quando tem apenas um barulho específico (exemplo: apenas duas pessoas falando ao meu lado. Eu acabo prestando atenção mais na conversa do que no livro).

3º - Ouça música: Tem duas pessoas conversando ao seu lado no ônibus e você não consegue se concentrar na leitura? Coloque os fones e ouça músicas. De preferência uma que não seja em português, porque você pode acabar prestando atenção na letra e não na leitura. Eu, por exemplo, também não gosto de ouvir músicas japonesas enquanto leio, porque presto atenção nas letras (mesmo que eu não entenda quase nada). Outra dica é ter um estoque de músicas instrumentais ou clássicas. Mozart é sempre uma boa ideia! As músicas dele ajudam a estimular o cérebro.

4º - Grife: Se o livro é seu, uma boa ideia é grifar trechos que ache muito importante. Isso ajuda a fixar mais facilmente. Se o livro não é seu, compre durex coloridinho e vai marcando no cantinho do livro os parágrafos escolhidos. Depois copie em um caderno ou passe para o Word no computador. Se precisar fazer uma revisão para prova ou qualquer coisa do tipo, você já terá o que é mais importante sem precisar ler o livro de novo. Sem falar que depois fica mais fácil entender o conteúdo do livro.

Eu uso a parte de cima desse post-it para marcar no livro as coisas que acho importante. 

5º Desmembre o que não entendeu: Leu algum parágrafo ou frase e não entendeu? Leu de novo e nada? Tente desmembrar as frases. Leia parte a parte com calma. Se tiver alguma palavra que não entenda, procure no dicionário. Tente descobrir o significado de cada frase e colocá-la de modo que entenda.

6º - Tenha uma meta: Decida quantos capítulos ou páginas vai ler por dia. Leia o suficiente para sentir que avançou bastante na leitura, mas também não exagere, afinal chega uma hora que você não retém mais nada.

7º - Converse com alguém que está lendo o livro: Se você está tendo dificuldade com algum texto/livro, converse com algum amigo que esteja lendo também. Discutam o que entenderam e dê sua opinião. Se ninguém estiver lendo, procure na internet resumos ou resenhas, elas podem ajudar a entender alguns pontos que não ficaram tão claros.

8º - Se precisar, leia duas vezes: Sei que tem livros que é difícil ler uma vez, quanto mais duas, porém, ler novamente ajuda a fixar mais. Quando precisei ler Memórias Póstumas de Brás Cubas para a escola, eu li duas vezes. Na primeira leitura, li sem dicionário, apenas grifando as palavras desconhecidas. Depois que terminei, procurei o significado de todas as palavras e fiz um mini-dicionário. Na segunda leitura, eu usei o mini-dicionário e compreendi mais facilmente do que a história se tratava. Sem falar que o livro era ótimo, não foi nenhum desprazer lê-lo de novo.

Então, acho que é isso! E você? Tem alguma dica para manter o foco na leitura?