A Grande Gargalhada do Universo


Se há algo que nós fazemos em relação a praticamente tudo nessa vida é ter expectativas. Às vezes é em relação a algo totalmente desinteressante ou algo que pode mudar a nossa vida como uma viagem ou um novo emprego. Eu sou basicamente um pote transbordando de expectativas. Não sei se é o fato de eu passar a maior parte do tempo imersa em livros, mas tenho a tendência de achar que cada passo que dou, algo inesperado e incrível vai aparecer. São coisas desde o nível Amelie Poulain da vida (reparando nas pequenas coisas) até uma nave alienígena espetacular.

Estou devorando lendo um livro chamado Jogador Número 1, que se passa em um mundo futurista e distópico em que as pessoas passam a vida mais dentro dos vídeos games do que no mundo real. Até dá para entender porque todos da história fazem isso, afinal viver em um mundo poluído, pobre e faminto não é tão bom assim. A realidade virtual em que eles vivem é muito mais agradável.

Como nós não temos vídeo games ultrarrealistas (no quesito gráficos, design e sensações), tentamos da nossa humilde forma transformar esse mundo cinzento e tedioso em uma aquarela multicolorida, seja lendo livros, assistindo filmes, desenhando, escrevendo ou, é claro, tendo expectativas. Só que a última é bem chata em relação a qualquer outra forma de “escape”, afinal, em algum momento a realidade vai bater na sua porta para dizer o quão estúpido você tem agido com toda essa sua imaginação. E vai mostrar para você como as coisas realmente funcionam.

E a sensação que eu tenho toda vez que planto e rego umas expectativas, é que em algum lugar desse mundo, há uma risada ecoando dentro da minha cabeça. Olho para os lados tentando descobrir de onde vem e percebo que é A Grande Gargalhada do Universo. E ela consegue ser bem sarcástica quando quer.

O que você faria se não tivesse medo?

Esses dias eu estava toda sagaz respondendo uns questionários para seleção de emprego quando eis que surge uma pergunta atormentadora: O que você faria se não tivesse medo?
Meus dedos travaram. Meu cérebro pifou. Não fazia ideia de qual resposta dar. Na verdade, eu não entendi nem a resposta que essa pergunta queria. Eu podia listar dezenas de coisas que faria se não tivesse medo, desde as mais relevantes até as mais inúteis, mas, tinha quase certeza, de que não era isso. Matutei comigo diversas vezes, durante dias sobre isso.

O QUE DIABOS EU FARIA SE NÃO TIVESSE MEDO?

Comecei a desconstruir. Vamos começar pelo medo, o que é medo, afinal? Medo é praticamente um mecanismo que nos ajuda a fugir de encrenca. É uma buzina interna que apita quando alguma coisa vai dar muito errada com você. Às vezes essa buzina é um tanto mediúnica, porque ela avisa que algo vai dar errado antes de realmente dar ou de você pensar em fazer algo. O medo é quase como sua mãe andando atrás de você, dizendo para não esquecer o guarda-chuva ou o casaco. Se não tivéssemos o medo, provavelmente muito de nós já teria morrido por aí ou matado meio mundo. O problema não é o medo, mas a quantidade. Pouco medo e muito medo podem atrapalhar um bocado.

Ok, mas se eu não tivesse medo, o que diabos eu faria?

Isso me faz lembrar de quando eu era pequena. Fui criada na maior cidade do país, fui alertada pelos meus pais que eu não podia dar trela para estranhos e que precisava tomar cuidado por onde andava. Eu sabia o que era ter medo, mesmo que não soubesse ao certo do que. Quando ia para o interior e encontrava os meus primos, eu percebia que muito deles não sentiam isso. Eles subiam nos galhos mais altos das árvores e andavam naqueles cavalos imensos sozinhos. Eu tinha medo porque sabia que podia cair e quebrar o pescoço ou alguma costela, então, passava a maior parte do tempo assistindo tudo isso debaixo. E, sinceramente, eu achava isso muito chato.

Então, um belo dia, eu decidi que ia subir no galho mais alto da minha árvore favorita: a goiabeira. Juntei toda a coragem que possuía e fui subindo galho por galho sem olhar para o chão. Quando cheguei no último e olhei para baixo percebi que realmente se eu caísse talvez quebrasse o pescoço ou a costela, mas também havia a possibilidade de conseguir descer sem fraturar nada. E eu consegui. Desde aquele dia, perdi o medo de subir em árvores (mas até agora não aprendi a andar a cavalo).

O negócio do medo é que ás vezes (ou muitas vezes) ele faz com que nós fiquemos na parte de baixo da árvore só olhando seus primos se divertindo nos galhos mais alto. Você fica o tempo todo perguntando “E se eu subisse? E se eu fizesse tal coisa? E se eu falasse tal coisa?”. O negócio é que o medo pode ter razão, você vai se ferrar no final. Ou simplesmente você pode subir até o topo da árvore e descer sem consequências ruins. E você vai apreciar cada detalhe da subida, irá ter uma bela vista, verá o farfalhar das folhas e se sentirá um pouquinho o rei do camarote mundo.

Ter medo traz aprendizagem. Não ter medo também (além de trazer algumas experiências e histórias engraçadas).

O que eu faria se não tivesse medo?

Eu aproveitaria cada segundo de cada experiência que me faria normalmente tremer os joelhos. Eu falaria o que precisava ser dito. Eu faria o que precisava ser feito. As consequências? Elas são como galhos, algumas vezes eles vão quebrar e você pode ralar o joelho, mas isso vai sarar, pode até ganhar uma cicatriz, mas essa cicatriz vai ter cor de aprendizado. Porque o mais importante nessa vida é aprender.

Obs: Fui enviar a resposta lá no questionário e descobri que as inscrições estavam encerradas. No próximo post escreverei sobre: O que eu faria se tivesse criatividade quando REALMENTE se precisa?

Moça, qual é a receita mesmo?

Imortalidade? Fonte da juventude? Avril Lavigne manda beijos.
Já perdi as contas de quantas vezes alguém me disse a seguinte frase: “Você precisa ser mais mulher, tem que parar de ser tão menininha”. A única coisa que veem a minha cabeça é pedir para a pessoa qual é a famosa receita para se transformar em uma mulher, porque eu não faço ideia. Não é minha culpa que tenho cara de 14 anos, voz fininha e trejeitos de menininha. Já me disseram que sou tipo aqueles atores que parecem não envelhecer, porque durante esses anos não envelheci nada, não mudei muita coisa.

Mas a questão é: o que diferencia para a sociedade uma mulher de uma garotinha? Roupa sexy? Corpo formado? Aquele jeito de andar e cabelos esvoaçantes digno de propaganda de xampu que faz todo mundo se virar para olhar? Ou simplesmente maturidade? Capacidade de lidar com situações que uma garotinha choraria?

Juro que procurei no Google alguma dica, mas tudo que eu achei é um bando de babaquice comparando as atitudes de uma menina ou uma mulher em relação a um homem. Ser mulher ou menina não tem nada a ver com a forma de lidar com um relacionamento, tem a ver com lidar com qualquer tipo de situação do cotidiano. Não é porque sou ciumenta ou liberal que isso me torna mais mulher ou mais menininha. Mas acho que o pior de tudo foi ver uma frase que dizia “Menina acha que é de todos, mulher sabe que é de só um”. Não, obrigada, eu não pertenço a ninguém.

Acho que além de ser menininha ou mulher, sou humana. E uma humana complexa, que às vezes tem vontade de sentar no chão e chorar e em outras situações ergue a cabeça e fala com maturidade. Sim, sou mulher, tenho quase 20 anos, mas ainda assim quero muito comprar um Nintendo 3DS para jogar Pokemon X e Y.