Jogador Número 1 - Ernest Cline


Nasci no começo dos anos 90, mesmo assim, assisti diversos filmes e tive influência dos anos 80 na minha vida. Meus filmes favoritos eram dessa época, como História sem Fim e The Dark Crystal. A mesma coisa digo da cultura japonesa, assisti Ultraman, Godzilla e conhecia alguns animes como Neon Genesis Evangelion e Cowboy Bebop. Os anos 80 era a época dos meus pais. Uma das épocas mais legais, onde as pessoas eram embaladas pelas músicas da Cindy Lauper e Culture Club. Sempre invejei essa época que nunca vivi, mas que vi pela tela da televisão.

O Jogador Número 1 é um prato cheio para qualquer pessoa que goste dos anos 80, de cultura pop, vídeo game e o mundo geek/nerd. A história se passa em 2045, um futuro apocalíptico onde todos passam por maus bocados por conta da fúria da natureza, da escassez de comida e da pobreza. Uma forma de escapar da realidade é “entrando” (literalmente) na realidade virtual chamada OASIS através de dispositivos (luvas, visores, roupas especiais, há uma infinidade de gadgets).

James Halliday, criador do OASIS, acaba morrendo e lança um desafio: quem descobrir as charadas, conseguir as três chaves e passar pelos três portais ficará com a herança dele. E para descobrir, as pessoas precisariam estudar com afinco toda a cultura pop dos anos 80 que está no diário de Halliday, um amante dessa época. Isso foi o estopim para uma caçada lunática atrás das chaves, porém, depois de anos, ninguém conseguira sequer achar a primeira.

“Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado”

Wade Watts, um rapaz pobre de 17 anos, passou todos esses anos estudando minuciosamente o diário de Halliday em busca de uma chance de vencer o jogo. Escondido através do avatar Parzival, ele finalmente consegue ser o primeiro a achar a primeira chave e transformar completamente sua vida.

OASIS é diferente de tudo que já vi. Não é simplesmente um jogo. É realmente uma outra vida, uma outra forma de viver. Na vida real você pode ser pobre e feio, não ter roupas descoladas nem carrões, mas lá você tem a oportunidade de ser rico, bonito e ter tudo que quiser (porém não é tão fácil assim). Há escolas onde as pessoas podem estudar sem precisar sair de casa, há bares, discotecas e locais onde podem batalhar. A sensação que eu tinha ao ler o livro era a mesma de Wade quando pegava os dispositivos para entrar no jogo: eu realmente estava dentro da história, lutando com Parzival e seus amigos.

Quem narra a história é Wade e é super descritiva. É explicado em mínimos detalhes como funciona OASIS, os dispositivos e tudo que é necessário para entender o enredo. Por mais complexo que seja, acho que não tem como ficar perdido na leitura, mesmo que você não conheça nada dos anos 80. Mas, é bem mais legal quando você entende as referências. Depois de ler o livro fiquei com imensa vontade de jogar todos os vídeo games, assistir todos os filmes, animes e séries, ler todos os livros citados ao longo da história. Deu uma enorme vontade de estudar o fictício diário de Halliday assim como todos aqueles “caçadores” fizeram.

Os personagens também são bem desenvolvidos e passamos a conhecer mais outros caçadores como Art3mis, uma garota durona e inteligente que estudou com afinco o diário de Halliday, Aech, o melhor amigo de Parzival e Shoto e Daito, dois japoneses que por mais que pareçam distantes no começo, ao poucos vão tendo importância na história.

O único ponto negativo que encontrei na história é que achei algumas partes um tanto forçadas e um pouco fora da realidade (da “realidade real” mesmo, não a virtual). Mas, de forma nenhuma isso atrapalhou a enorme experiência que eu tive a lê-lo. Sério, leiam. O mais rápido que vocês puderem.

Obs: Existe um site que tem a lista de todos os filmes, animes, séries, livros, músicas, vídeo games, quadrinhos que foram citados no livro. Se quiser dar uma olhada, procurar alguns para entender melhor, o link está aqui.

Obs2: Gosto muito da versão brasileira da capa (que está acima), mas essa americana é uma gracinha!


Destrua este Diário


Somos desde pequenos ensinados a seguir regras, a não quebrar nada, a manter tudo em seu perfeito estado. Riscar a parede? Se sujar de terra? Ações que são comum as crianças, aos poucos, são podadas. Basta olhar para o ensino escolar, a criatividade não é estimulada. O nosso cérebro é nocauteado com fórmulas, textos e teoria. É com esse objetivo que Keri Smith criou o livro Destrua este Diário.


Em entrevista a Intrínseca, editora que publicou o livro no Brasil, ela diz qual eram os seus objetivos com o livro:

— Estou ridicularizando um pouco o consumismo (comprar algo para depois destruí-lo).

— É uma forma de transpor bloqueios criativos, levando-nos muito além do medo da página em branco.

— Acredito que pequenos atos de rebeldia no cotidiano podem acabar evoluindo para atos maiores, capazes de transformar vidas. Quando você começa a questionar coisas em pequena escala, passa a questionar tudo.

— Eu queria criar um livro que se baseasse no uso de qualquer coisa que esteja à nossa volta no momento (fazendo com que as pessoas notem coisas que talvez não percebessem). Há páginas que pedem para ser sujas com lama etc.


O livro é simplesmente uma graça! A capa possui uma textura para parecer que realmente há durex em volta do quadrado branco onde está escrito "Destrua este Diário" e que é uma capa de caderno. Há diversas coisas que você pode fazer com o diário, desde as mais fáceis até as mais absurdas: páginas para testar tintas, páginas para preencher quando estiver com raiva, pedidos para mastigar uma das páginas (e não engolir), pendurar o diário em lugar público, etc.


Realmente o livro faz questionar o consumismo, porque dá muita, muita dó de rasgar algumas páginas, molhar outras ou sujá-las. Eu realmente quero tentar fazer tudo que o diário pede, por mais que doa o coração. Acho que esse tipo de livro é realmente uma batalha para bookaholics por causa do endeusamento que muitas vezes fazemos dos livros. Sempre tenho um mini ataque-cardíaco quando amasso a capa de algum livro ou faço orelha nas páginas, imagine destruir um livro completamente de uma forma totalmente inusitada? De qualquer forma, aceito o desafio! Conforme for fazendo a tarefa de cada página, irei postando fotos ou vídeos.
E você? Também vai aceitar esse desafio?

Obs: Deem uma olhada no Tumblr, procurando por Wreck this journal (nome do livro em inglês). É cada coisa tão incrível que eles fazem!

Pelo menos hoje

Se algum desavisado, sem motivo aparente, olhasse para uma certa janelinha de um certo ônibus perceberia uma menina com um sorriso maior que o rosto na cara. O sorriso era tão grande quanto aos dois olhos, que pareciam imensos holofotes em dia de inauguração de loja. Para a pessoa em questão, a pobre alma desavisada, talvez isso fosse assustador. Por isso, era melhor que ninguém tivesse visto a menina na janelinha, porque se perguntariam qual o motivo de estar sorrindo tanto. A verdade é que eram muitos motivos. Pequenos motivos. Daqueles que não dá para explicar depois, porque só fazem sentindo na hora. E nem a garoa chata atrapalharia, porque a vontade dela era dançar na chuva. Pelo menos hoje, a menina sorriria.